Distribuir para crescer mais
Publicado: 03 Abril, 2008 - 00h00
Parece contraditório, mas não é: dividir para crescer; compartilhar para multiplicar. Afinal, a melhor distribuição de renda no paÃÂs está entre as principais causas do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 5,4% em 2007, ao lado da alta de 13,4% dos investimentos e de 6,6% das exportações.
O consumo das famÃÂlias 6,5% maior em 2007 parece ser a principal causa de uma economia estimulada por um mercado interno crescente, resultado de polÃÂticas públicas e econômicas mais distributivas, como o Bolsa-FamÃÂlia e a valorização do salário-mÃÂnimo.
O maior consumo de alimentos e roupas pelos mais pobres movimenta a indústria e o comércio, gerando mais empregos industriais e no setor de serviços, o que faz aumentar, por exemplo, o consumo de bens-duráveis, como eletrodomésticos, aparelhos de TV e refrigeradores, ocasionando novo impulso da produção industrial e assim sucessivamente.
Esse processo virtuoso iniciado por Lula em seu primeiro mandato, fez com que 2007 fosse o quarto ano consecutivo de alta no consumo das famÃÂlias, com uma elevação de 3,6% da massa salarial e um controle rÃÂgido da inflação.
O ambiente econômico favorável criado por essa polÃÂtica do governo tem favorecido inclusive o aumento real de salários nas negociações coletivas – apenas em 2007, segundo o DIEESE – 87% das negociações resultaram em aumento acima da inflação, aspecto particularmente mais impactante na região do ABC.
Em 2007 o IBGE já havia constatado uma migração de 20 milhões de brasileiros das classes D e E para a classe C, nos últimos cinco anos, refletindo um aumento da sua capacidade de consumo e de melhoria nas condições de vida.
Essa tendência tende a acentuar na medida em que outras polÃÂticas públicas voltadas para os mais pobres começarem a surtir efeito, como por exemplo, a entrada no mercado de trabalho dos 300 mil jovens negros e oriundos de escolas públicas que hoje cursam uma Universidade, ou ainda, as outras dezenas de milhares que estão nas Escolas Técnicas Federais que se multiplicaram nos últimos anos.
Para fazer avançar o crescimento econômico baseado na melhor distribuição de renda e de acesso às oportunidades é necessário, no curto-prazo, que o Banco Central retome a trajetória de redução da taxa de juros, o que ampliaria o acesso ao crédito para as famÃÂlias e empresas que sustentam a expansão do mercado interno.