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Diretores da Fundação Cultural Palmares pedem demissão por não concordarem arbitrariedades de Sérgio Camargo

Publicado: 15 Março, 2021 - 00h00 | Última modificação: 16 Março, 2021 - 09h21

Em uma carta o diretor do Departamento de Fomento e Promoção da cultura Afro-Brasileira, Ebnézer Maurílio Nogueira da Silva, o coordenador-geral do Centro Nacional de Referência da Cultura Negra, Raimundo Nonato Souza Chaves, e o coordenador-geral de Gestão Interna, Roberto Carlos Consentino Braz, tomaram a decisão de se desligarem dos seus cargos por não enxergarem mais nenhuma viabilidade de diálogo com a presidência da Fundação. Os três funcionários,  que se disseram coerentes com seus princípios éticos e morais, reclamaram que, mesmo sendo maioria, foram voto vencido na “tomada de decisões cruciais para o bom andamento de projetos, ações de mudança da sede e demais política públicas que poderiam ter sido entregues à população".

Eles também expuseram a insatisfação com a gestão do presidente Sérgio Camargo ao longo do último ano e o acusam de intimidação. O estopim para a saída, segundo os diretores, foi uma advertência de Camargo para que assinassem a contragosto um contrato, para eles inadequado, de reforma da antiga sede da fundação.

A maioria do colegiado não concordou com a proposta apresentada pelo presidente. Segundo os coordenadores, o projeto – orçado em mais de R$ 700 mil – foi elaborado a toque de caixa e não inclui todas as avarias que o local apresenta como infiltrações e falhas estruturais, problemas que poderiam prejudicar o acervo da Fundação, que reúne fotografias, documentos históricos e obras de arte relacionadas à história do povo negro.

Desde que assumiu a Fundação Palmares, em 2019, Sergio Camargo é alvo de críticas de entidades do movimento negro. Ele é conhecido por uma coleção de discursos que relativizam a escravidão no Brasil, tendo já afirmado que não existe “racismo real”, que o movimento negro preciso ser extinto e o Dia da Consciência Negra “precisa ser abolido”.

Camargo é alvo de pelo menos 30 processos, mas afirma que não há pressão do governo pela sua demissão. Também é acusado pelos diretores de ter mandado funcionários embora por motivações políticas e pessoais. 

Defendemos e apoiamos a posição dos diretores que pediram demissão da Fundação Palmares que sob essa direção está perdendo o seu caráter de defesa das ações e princípios da cultura negra, afrodiaspórica, do berço da humanidade. Sabemos que Sérgio Camargo é só mais uma peça desse governo fascista que tenta destruir o Brasil e calar as nossas vozes e principalmente negar a importância da cultura negra na formação da identidade do povo brasileiro.

Seguiremos denunciando o desmonte do estado e a tentativa de destruição da nossa cultura e nossas raízes. O povo brasileiro e o povo negro são muito maiores do que esse desgoverno que está aí. 

A CUT seguirá denunciando e lutando contra esse governo e, além disso, cumprindo o seu papel pelo fim do racismo no trabalho e na vida dos trabalhadores e trabalhadoras.

 

Anatalina Lourenço - secretária de Combate ao Racismo da CUT

Rosana Sousa - secretária-adjunto de Combate ao Racismo da CUT

 José Celestino Lourenço - secretário de Cultura da CUT