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Artigo

Crise, desemprego e desigualdade social: reflexos do golpe de Estado

Publicado: 09 Maio, 2018 - 00h00

Os alarmantes dados divulgados pelo Ibope Inteligência no último final de semana só confirmaram o que todos já sabiam: o golpe de Estado, que cravou marcas profundas na vida dos trabalhadores, também atingiu, de forma impiedosa, vários setores da nossa economia. O anúncio do instituto de pesquisa foi de que 12,5 mil lojas estão vazias nos shoppings centers e nem as recém-inauguradas não estão livres de fechar.

Só para se ter uma ideia, segundo o IBGE, em 2016, ano em que o golpe foi consumado, 108,7 mil estabelecimentos comerciais fecharam as portas, resultando na demissão de milhares de trabalhadores. Atualmente, a situação continua alarmante e 13,1 milhões de pessoas estão desempregadas em todo o país, 550 mil a mais do que há três meses. Sem emprego e, consequentemente, sem dinheiro, o cidadão consome menos e, assim, o ciclo da nefasta crise econômica vai sendo alimentado.

Além da taxa elevada de desemprego e do fechamento de estabelecimentos comerciais, outro ponto bastante preocupante é quanto à precarização dos empregos que são oferecidos ao trabalhador. A aprovação da Lei 13.429/2017 ─ que liberou a terceirização sem limites ─ e da reforma trabalhista (Lei 13.467/2017) ─ que alterou mais de 100 itens da CLT ─ beneficiou os grandes empresários e, em contrapartida, trouxe ao brasileiro um cenário de informalidades e incertezas. Milhares de postos formais foram fechados, dando espaço a ocupações precarizadas, salários abaixo do piso e jornadas exorbitantes. O trabalhador se viu obrigado a dizer adeus ao conjunto de direitos conquistados com duras e memoráveis lutas. Todos esses fatores, intensificados pelo governo ilegítimo e sua base aliada, contribuíram amplamente para o agravamento da desigualdade social e o retorno do Brasil ao Mapa da Fome.

A gestão golpista e suas práticas entreguistas que favorecem o setor privado e os capitais agrário, financeiro e empresarial, foram responsáveis pelo aumento considerável da extrema pobreza no país. Ainda segundo o IBGE, o número de pessoas em situação de vulnerabilidade social saltou de 13,3 milhões para 14,8 milhões, um dado até então nunca alcançado, e que vinha sendo combatido pelos governos progressistas. Entre 2002 e 2014, por meio de programas como o Bolsa Família e Fome Zero, a proporção de pobres no Brasil caiu de 23,4% para 7%. Em números, isso significa que 26,3 milhões de pessoas tiveram acesso a uma vida com qualidade e condições mínimas. Nesse período, o pobre teve o prazer de fazer três refeições ao dia e o país passou a ser destaque no mundo como exemplo de combate à pobreza.

O que nós do movimento sindical defendemos é a volta imediata do Estado democrático de direito e, com ele, a retomada do crescimento econômico, em contraposição à concentração de renda e a exclusão impostas pelo golpismo. Cabe à classe trabalhadora e aos diversos segmentos sociais a intensificação da luta em defesa daquilo que conquistamos e o avanço em novas pautas.  A vitória sobre aqueles que nos golpeiam todos os dias só será possível por meio da unidade e de um objetivo comum. Somente assim, conseguiremos alcançar um país mais justo, democrático e inclusivo.

*Julimar Roberto é comerciário e secretário de Administração e Finanças da CUT Brasília