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Artigo

Com a vida não se brinca: pelo afastamento dos trabalhadores da saúde que estão no grupo de risco

Publicado: 24 Março, 2020 - 00h00 | Última modificação: 24 Março, 2020 - 12h36

Já faz muitos anos que o Governo do Estado de São Paulo não abre concurso, o SindSaúde-SP vem reiteradamente denunciando tal situação. O resultado prático é a falta de trabalhadoras e trabalhadores na saúde, além do envelhecimento dos que estão na ativa. Para se ter uma ideia, atualmente, quase 60% dos trabalhadores no estado estão acima de 50 anos, destes mais de 15% tem mais de 60 anos.

Trabalhar na saúde pública não é fácil, os salários são baixos e as pessoas acabam complementando a renda com duplas e até triplas jornadas de trabalho. É difícil encontrar alguém nas unidades que não faça plantões extras ou tenha duplo vínculo de trabalho.

Mas, além disso, tem o desgaste emocional de quem, todos os dias, tem que lidar com a morte ou com o sofrimento da população. Isso piora quando as condições de atendimento são precárias. As longas filas e falta de medicamentos e exames causam problemas à população e a quem os atende também. Tudo recai sobre os ombros dos trabalhadores e trabalhadoras da saúde.

Além da idade já avançada, muitos deles têm doenças crônicas como diabetes, pressão alta, e realizam quimioterapia e hemodiálise. Essas pessoas deram suas vidas para cuidar da população de São Paulo e hoje estão sendo obrigadas a se expor, correndo sérios riscos.

Já afirmamos anteriormente que nossa categoria não se nega a trabalhar e nem de estar na linha de frente do combate ao Coronavírus. Ao contrário, é um orgulho fazer parte do Sistema Único de Saúde (SUS) e apoiar os paulistas nesse momento tão delicado.

Mas as trabalhadoras e os trabalhadores da saúde pública, que compõem o grupo de risco, não podem pagar com suas vidas pelos erros recorrentes do governo do Estado que não realizou os concursos necessários e, agora, vive o reflexo da falta de pessoas.

Exigimos imediato afastamento de todos(as) os(as) trabalhadores(as) da Saúde que tem mais de 60 anos e tem doenças crônicas, que podem agravar o processo de recuperação em caso de contaminação pelo Covid-19. Caso contrário, cada óbito desses trabalhadores será de inteira responsabilidade do governador João Doria e dos demais gestores do SUS no Estado.

Que o governo desenvolva estratégias de suprir o déficit de profissionais da saúde, mas que isso não custe a vida de ninguém. Convidamos toda a população a se somar nesta luta conosco. #PelaVidaDeQuemCuida

*Cleonice Ribeiro
Presidenta do SindSaúde-SP