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Artigo

Censura agride a liberdade e a democracia

Publicado: 26 Fevereiro, 2008 - 00h00 | Última modificação: 29 Agosto, 2014 - 15h55

A decisão do desembargador Edgard Lippmann Júnior de proibir o governador do Paraná, Roberto Requião, de se manifestar no programa Escola de Governo, da TV Educativa do Estado, mais do que uma arbitrariedade, é uma agressão à liberdade de expressão e à própria democracia em nosso país.

 

Voltada explicitamente contra as forças progressistas, a postura do desembargador converteu-se numa cruzada, teimando em fazer uso de um arsenal político-ideológico extremamente reacionário, que vai da censura prévia à imposição de multas aos seus opositores. Vale ressaltar que a TV Educativa é pública e que, portanto, expressa as opiniões não só do governo, como da sociedade e dos movimentos sociais, que não podem ficar desprovidos de tal instrumento de comunicação.

 

Na verdade, Lippmann confunde liberdade de imprensa com liberdade de empresa, pois ao mesmo tempo em que nada faz contra a manipulação, a desinfomação e baixaria que infestam a programação dos monopólios privados de mídia, procura calar uma voz da esfera pública que se levanta de forma conseqüente e crítica, dando vazão ao contraditório. A quem interessa colocar mordaça em quem se levanta contra a contaminação transgênica das multinacionais Syngenta e Monsanto, que defende a democratização dos meios de comunicação, questiona política e ideologicamente o privatismo e o neoliberalismo, abrindo espaço aos movimentos sociais?

 

Diante da gravidade e da extemporaneidade dos fatos, jamais poderíamos nos omitir de denunciar tamanhos e tão desqualificados abusos. Por isso nos somamos ao pronunciamento de dezenas de entidades sindicais, estudantis, femininas e comunitárias de todo o país que, pelo bem da verdade, do direito e da Justiça, se solidarizam ao povo do Paraná em sua luta pela democracia.