A tragédia de Santa Maria e a valorização dos serviços públicos
Publicado: 28 Janeiro, 2013 - 00h00 | Última modificação: 04 Novembro, 2015 - 12h45
A tragédia ocorrida na madrugada do dia 27 de janeiro na boate Kiss, em Santa Maria (RS), deixa amargas lições para todos nós.
O incêndio que rapidamente ceifou prematuramente a vida de 232 jovens e deixou dezenas de feridos, alguns em estado grave, nos alerta para a fragilidade dos equipamentos de seguranças existentes em muitos dos locais públicos do nosso país e o perigo que envolve as concentrações de pessoas nessas condições.
Este é segundo maior incêndio ocorrido no nosso país em número de vítimas fatais. O maior deles ocorreu em 1961, no Gran Circus Norte Americano, na cidade de Niterói, então capital do estado da Guanabara, quando 503 pessoas morreram, entre elas muitas crianças.
De lá para cá as tecnologias avançaram muito. Hoje é possível dispor de sofisticados equipamentos para detecção de fumaça e outros que iniciam automaticamente o combate ao fogo. Ao que tudo indica, nenhum destes equipamentos existia ou funcionou adequadamente na boate Kiss.
As razões que levaram a esta tragédia estão sendo investigadas pela polícia do Rio Grande do Sul. Os culpados precisam ser exemplarmente punidos. Nada, porém, será capaz de reduzir a dor das famílias dos jovens mortos e feridos. A saída é a prevenção.
A sociedade, vigilante, deve cobrar do poder público a fiscalização dos estabelecimentos públicos. O trabalho conjunto entre órgãos federais, como a ANVISA, estaduais (como o Corpo de Bombeiros) e Prefeituras é que deve assegurar à população as condições de higiene e segurança para que possam frequentar com tranquilidade boates, cinemas, shoppings, teatros, estádios, restaurantes e outros locais.
Para tanto, é preciso que os serviços públicos sejam valorizados e que a relevante função social dos servidores públicos seja devidamente reconhecida por meio de salários dignos, planos de carreira atraentes, jornadas de trabalho adequadas, número de funcionários suficientes, de acordo com os padrões internacionais e condições de trabalho.
Como educadores e cidadãos, devemos nos perguntar: e se algo assim ocorresse em uma escola? Todas as nossas escolas, públicas e privadas, são verdadeiramente seguras? Há todos os equipamentos necessários? Os funcionários, professores e estudantes são treinados para situações de emergência? Há pessoal suficiente para orientar e cuidar das pessoas em situações de pânico? Tudo isto precisa ser visto de forma preventiva, para que sejam minimizados os danos de qualquer fato que venha a ocorrer um uma unidade educacional.
Frente a esta tragédia, quero manifestar a solidariedade da APEOESP e dos professores das redes oficiais de ensino do estado de São Paulo com as famílias dos jovens mortos e feridos e nossa disposição de nos somarmos a todos os esforços da sociedade para que isto nunca mais volte a acontecer.