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Artigo

A queda do guindaste e a ocupação do Congresso dia 4

Publicado: 28 Junho, 2007 - 00h00

Joselito de Oliveira, 42 anos; Félix Teotonio dos Santos, 48; Francisco de Oliveira, 28, e José da Silva, 24, morreram esta semana na queda de um guindaste na Vila Olímpia, na capital paulista. Por tratar-se de um bairro nobre, seus nomes saíram do frio mundo das estatísticas e esquentaram, com ossos triturados e sangue, as páginas dos jornais, rádios e tevês. Conforme apurou a Delegacia Regional do Trabalho, o empreendimento da construtora WTorre e do Grupo Iguatemi já tinha contra si um inquérito aberto por conta de irregularidades na obra, na parte da fiação elétrica.

Seja por choques, quedas ou desmoronamentos, a construção civil é reconhecidamente recordista no quesito acidentes fatais. Se contam aos milhares, infelizmente, o número de companheiros lesionados ou mutilados, vítimas da falta de fiscalização e da alta informalidade que atinge a categoria.

Para reverter esta situação, garantir a formalização do trabalho com carteira assinada e a garantia de direitos, combatendo a precarização e a situação de abandono a que vêm sendo submetidos tantos companheiros, a Confederação Nacional dos Sindicatos de Trabalhadores nas Indústrias da Construção e da Madeira (Conticom/CUT) tem liderado a mobilização do setor. Iniciativas concretas têm sindo tomadas, envolvendo as demais centrais, para constituir grupos de trabalho e negociação junto aos empresários e aos governos a fim de garantir melhores condições de vida e trabalho.

O fato de mais de 70% dos operários do setor não terem vínculo empregatício é algo que fala por si e que reforça a necessidade de uma atuação e fiscalização mais rigorosa por parte das autoridades, reconhecidamente eficazes no que diz respeito à cobrança de tributos dos construtores, mas demasiado frouxas quando o assunto é defender o lado do trabalhador.

Em recentes negociações com a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), começamos a avançar rumo a um Contrato Coletivo Nacional de Trabalho, priorizando desde já a erradicação da informalidade, verdadeiro câncer que corrói o setor. Nesta semana, somamos a este movimento lideranças da Força, CGTB e Nova Central, que nos potencializam na caminhada.

O Programa de Aceleração do Crescimento, medidas de desoneração da cesta básica e a redução das taxas de juros têm possibilitado uma expressiva melhora do setor que, no nosso entender, necessita de contrapartidas sociais, para que os frutos deste desenvolvimento cheguem aos lares mais humildes, de quem sua e constrói a riqueza da nação. Este é outro ponto que não abrimos mão e que já foi explicitado ao governo pelo presidente da nossa Central, Artur Henrique.

No próximo dia 4, quarta-feira, a CUT convocou uma nova ocupação pacífica do Congresso Nacional, tendo como bandeiras a defesa da manutenção do veto presidencial à emenda 3 e "enterro" definitivo desse projeto; a retirada imediata do PLP 01, que introduz um limitador ao índice de reajuste do funcionalismo, a luta pela garantia da negociação coletiva no serviço público e respeito total à organização dos trabalhadores; pela aprovação de projetos que valorizem a educação pública de qualidade e por uma Previdência pública e universal, com inclusão de trabalhadores e sem retirada de quaisquer direitos.

Estas bandeiras dialogam diretamente com a nossa base e necessitam ser erguidas bem alto pelos companheiros dirigentes do setor, para que os guindastes que têm servido unicamente para erguer o capital, sirvam para alavancar o desenvolvimento do país, os direitos e conquistas dos trabalhadores. E não despenquem sobre a nossa cabeça.