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A luta da classe trabalhadora é fundamental neste momento decisivo

Publicado: 01 Agosto, 2022 - 00h00

O Congresso Nacional retoma as atividades parlamentares esta semana, após um breve recesso. Com isso, voltamos a presenciar as cenas daquele que é, com certeza, um dos piores ciclos legislativos desde a retomada da democracia, em 1985.

Após tantos estragos e retrocessos, no curto espaço de tempo que resta a esta legislatura, controlada por uma direita descompromissada com o povo e por um presidente totalmente irresponsável, teremos uma difícil – mas não impossível – tarefa de recuperar o país, por meio de acertos, numa consolidação estratégica e eficaz da tão sonhada unidade política do campo progressista.

Para isso, temos o enorme desafio de eleger pessoas comprometidas com a classe trabalhadora para os parlamentos federal, estaduais e distrital. Não podemos vacilar nessa questão, pois o poder legislativo será a bússola que direcionará o próximo ou a próxima presidente, bem como os e as governantes dos estados.

Outra difícil tarefa, que teremos de enfrentar, será construir a reforma sindical que queremos, com a PEC 196. Será decisivo nosso empenho na luta para barrar inúmeros projetos conservadores que surgirão no Congresso Nacional e também para esclarecer a opinião pública, que, no afã eleitoreiro inescrupuloso, tentarão jogar mais uma vez contra o movimento sindical e social, tentando demonizar a esquerda e suas lutas.

Antigos projetos de lei e medidas provisórias que reduzem direitos e salários vão reaparecer com roupagem nova e o velho e enganador discurso de ampliação de empregos, além das inúmeras emendas e pareceres nas comissões que cirurgicamente atacam, sem nenhum escrúpulo, pontos importantes duramente conquistados pelos movimentos sociais e pela classe trabalhadora em décadas de luta organizada.

Os ataques às empresas públicas e aos seus funcionários também serão retomados. Aqui, temos que agir com sabedoria, pois parlamentares oportunistas de direita tentarão levantar bandeiras visando apenas angariar votos desses servidores, mas, uma vez eleitos, voltam a atacar o patrimônio público. A classe trabalhadora precisa de discernimento e (in)formação para não ficar em dúvida sobre quem realmente está ao seu lado, e esse é um desafio constante para o movimento sindical.

A batalha ideológica e de costumes continuará, e precisamos focar no que realmente é importante para esclarecermos os afetados pelas prováveis notícias falsas que serão distribuídas mais uma vez pelos gabinetes do ódio espalhados pelo país. Todo esse conturbado cenário político afeta diretamente as negociações dos acordos coletivos da classe trabalhadora e também as relações de trabalho entre patrões e empregados.

Enfim, precisamos construir uma base política confiável, calcada num amplo trabalho permanente de mobilização e vigilância, que só será possível com uma rede de comunicação eficiente, capaz de conscientizar a classe trabalhadora – e a população em geral – sobre os prejuízos futuros que as escolhas políticas equivocadas podem trazer. Caso contrário viveremos a destruição dos direitos humanos e trabalhistas, da soberania nacional e até da dignidade e da honra do povo brasileiro.

 

Jefão Meira, secretário de Relações do Trabalho da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT).