A dimensão ética da CUT
Publicado: 22 Janeiro, 2008 - 00h00
O colapso do leste europeu foi interpretado pelo pensador nipo-americano Francis Fukuiama como o fim da história, com o triunfo inquestionável do capitalismo. Quase duas décadas depois, o pretenso pensador ainda tem dificuldade em encontrar no mundo real elementos que comprovam sua impiração.
O fato é que não só a história não acabou como também o capitalismo continua dando mostras da incapacidade de resolver problemas como o desemprego estrutural e a miséria social. E, neste contexto, sempre é de fundamental importância a incessante construção de instituições que exponham cada vez mais as contradições do capital e avancem para uma sociedade sem explorados.
A CUT, sem sombra de dúvidas, é uma destas instituições polÃÂticas que tem propriedade quando o assunto é o futuro da humanidade. A nossa convicção permite um tratamento atualizado do desejo de uma sociedade lastreada nos princÃÂpios da igualdade, solidariedade e desenvolvimento humano pleno de cada cidadão.
Mas a CUT tem lugar reservado na história polÃÂtica não apenas por continuar defendendo a classe trabalhadora nas suas necessidades econômicas e sociais na perspectiva de outra sociedade. A CUT trouxe também inovações para dentro do movimento sindical que dão uma dimensão ética ao nosso projeto sindical.
A maior destas inovações éticas é a realização da convenção cutista para resolução de conflitos na formação de chapas para disputa de uma mesma eleição sindical. A convenção cutista é um instrumento prático para minimizar as desavenças menores dos atores, individuais ou coletivos, que colocam o projeto de construção da CUT acima de suas vaidades. Porém, este instrumento só reproduz a dimensão ética pela qual foi criado caso siga rigorosamente um roteiro democrático, onde, em princÃÂpio, não se exclui nenhuma força polÃÂtica que reivindica da construção da CUT e não se aplica métodos baseados no aliciamento financeiro ou na concessão de vantagens em troca do voto.
A convenção cutista é um instrumento caro para homens e mulheres que continuam acreditando que a história não acabou e lutam, cotidianamente, contra a cultura de que o que vale é o poder econômico. Estes combatentes não podem deixar que a convenção cutista perca sua dimensão ética e se transforme numa armadilha para impor minorias dentro das direções na base da CUT.
Durval Brito dos Santos
Diretor do Sindicato dos Servidores de Municipais de São Paulo