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Artigo

A defesa do direito de greve e o sistema de controle da OIT

Publicado: 25 Setembro, 2014 - 00h00

A Confederação Sindical Internacional (CSI) iniciou recentemente uma ampla mobilização em defesa do direito de greve, direito humano que tem sido alvo de reiterados ataques por parte do grande capital - particularmente o financeiro e o transnacional - e de governos autoritários, avessos ao diálogo.

Assim, em cada um dos 161 países onde está enraizada, nossa entidade reafirmará a importância de uma conquista da classe, que têm se revelado – com o apoio do sistema de controle da Organização Internacional do Trabalho (OIT) – fundamental para o aumento da renda, manutenção de empregos e garantia de direitos.

Como o direito de greve está protegido pelo Convênio 87 da OIT, desde 2012 o Grupo de Empregadores vem realizando um ataque sem precedentes contra o sistema de controle da instituição, buscando a todo custo minar a autoridade de quem tem contribuído para disciplinar minimamente as relações de trabalho e coibir atropelos e abusos.

Diferentes dos que sonham com o retorno à lei da selva, compreendemos que a greve é um instrumento estratégico para os trabalhadores e trabalhadoras elevarem seu poder de compra, passo fundamental para o avanço de qualquer sociedade no combate à desigualdade. Mais do que uma demonstração de força, que ganha corpo como mobilização de dezenas, centenas ou milhares, as paralisações são fruto de organização, de tomada de consciência coletiva sobre problemas comuns, que constroem pautas e alternativas de solução.

Afinal, se as empresas se utilizam de um sem número de expedientes – muitas vezes inconfessáveis - para pressionar governos, por que o trabalhador não teria o direito de cruzar os braços e dizer não? Ao longo de anos de militância nunca ouvi falar de uma única empresa que tenha falido por remunerar dignamente os seus trabalhadores. Até porque, as folhas de pagamento são sempre minúsculas diante da magnitude dos lucros adquiridos com a exploração da mão de obra.

Num quadro em que a crise dos chamados “países desenvolvidos” busca achatar salários e direitos em nome de uma pretensa “competitividade”, as greves têm se revelado uma luz no fim do túnel. Afinal, o momento exige relações de trabalho que fortaleçam a negociação coletiva para oxigenar e dinamizar os respectivos mercados internos, que não podem e não devem ficar à mercê dos ditames de meia dúzia de monopólios ou oligopólios.

Nossa agenda é o oposto do que vem sendo proposto e aplicado por muitas empresas – beneficiadas pela globalização neoliberal - e governos – submetidos à sua lógica. São gente que atua como escravocratas do século 21, apenas buscando substituir por material sintético mais moderno o couro do açoite. A este passado, nas ruas e nos nossos locais de trabalho, dizemos um sonoro não!