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28 de agosto: Viva a categoria bancária e a Central Única dos Trabalhadores

Publicado: 28 Agosto, 2020 - 00h00

A Central Única dos Trabalhadores e a categoria bancária no Brasil tem muito em comum. A começar que ambos há comemoram o dia 28 de agosto, a CUT o dia nacional da sua fundação e as bancárias e bancários o seu dia nacional de luta da categoria bancária.

Mas há muitas outras questões que podem ser evidenciadas como, por exemplo, a compreensão politica da luta de classes e o enfrentamento constante ao capital financeiro ganancioso em nosso país. Os bancários acabaram de entrar na virada do mês de Julho para o mês de agosto em sua Campanha Nacional Salarial. Campanha que será difícil, diferente de todas as outras campanhas que fizemos nesses tempos todos que em o exercício da filosofia CUTista é hegemônico na categoria bancária, por diversos motivos e o principal deles é o fato de estarmos em plena pandemia de coronavírus no Brasil e no mundo. E o que se evidencia em tudo isso é que a ganância dos banqueiros não cessa, não para, só aumenta.

Nesse sentido sabemos que a campanha desse esse ano não será fácil para a as bancárias e bancários, pois os banqueiros se arvoram da crise para iniciar as negociações da campanha com a tentativa de retirada de direitos há tempos conquistados. A começar pela tentativa de tentar impor à categoria a volta de uma política de abono, que nós bancários enterramos com muita luta na época da chegada ao poder dos governos democráticos e populares e esperamos que essa política de abono não voltasse nunca mais. Pois era uma política que corroia os salários e o poder aquisitivo e de compra da nossa da categoria. Mas sabemos a onda que os banqueiros fazem se portarem e se fazem de coitados, pois os números evidenciam que da crise eles nada sofrem, por que na verdade não existe crise para os banqueiros, por mais que eles se façam de sofredores e coitados.

Mesmo nesse cenário de pandemia os bancos foram os que mais cresceram no período, com sua rentabilidade em alta o que faz com que os bancos que de tempos em tempos dobrem seu patrimônio. Porém, os bancos sempre encontram subterfúgios para não pagar o que os bancários dignamente merecem, justo as bancárias e bancários que são os principais responsáveis pelo crescimento econômico e pelos lucros que esses mesmos bancos apresentam ano a ano. Mesmo assim a ganância só aumenta principalmente em um momento impar para a humanidade em que se pede por ações constantes de solidariedade e compaixão diante do cenário da pandemia de coronavírus que enfrentamos. E mesmo com os lucros astronômicos que todos os bancos tiveram inclusive os bancos públicos a Caixa Econômica e o Banco do Brasil. Isso mesmo os bancos públicos que o Governo federal quer privatizar, são bancos que não tiram dinheiro do governo, ao contrário, são responsáveis pelo superávit primário para que possam ser pagos os juros astronômicos da dívida pública, que os bancos privados muitas vezes são os credores dessa dívida. Mas o fato é que em meio de uma das maiores crises sanitárias mundiais, o que vemos é o lucro dos bancos não param de crescer.

Em vez de reconhecer o papel de destaque e dedicação de seus funcionários, os banqueiros aproveitam-se da crise para criar uma rotatividade muito maior de trabalhadores que tem como objetivo final apenas a contratação de bancários por salários mais baixos e sem os direitos históricos. Para implementar essa lógica os bancos sempre estiveram entre os principais artífices da proposta de terceirizações sem limites, proposta que só passou no congresso após o golpe parlamentar e institucional de 2016, pois ela vinha sendo segurada nas gavetas pelos governos democráticos e populares desde a época das gestões tucanas. E quando foi implementada foi a sua pior versão. Os banqueiros sempre tiveram interesses em outras modalidades de contratação com seus grandes olhos gananciosos, que muitas vezes deixam as trabalhadoras e trabalhadores bancárias e bancários desamparados de direitos sociais, como a tentativa agora da implementação do trabalho intermitente. Essa exploração desmedida que tem adoecido física e mentalmente as trabalhadoras e trabalhadores bancários. Notamos que historicamente os bancos têm investido somente na proteção do dinheiro, deixando em segundo plano a vida dos seus funcionários de ladorelegada a um segundo plano. Isso só para termos uma vaga ideia por um lado da ganância e por outro da avareza dos banqueiros brasileiros.

E neste sentido que a Campanha Nacional Salarial dos Bancários de 2020 aponta para alguns eixos estratégicos: remuneração, emprego, teletrabalho, saúde, segurança e manutenção de direitos. Hoje, os bancários são uma das categorias mais organizadas do país, fruto de um lento processo de organização sindical que alcançou seu ápice com a conquista de acordos nacionais para a categoriaem 1992. Ou seja, o que umabancária ou bancário o ganha no Oiapoque é o mesmo que uma bancária ou bancário ganha no outro extremo do Brasil, no Chuí!

Por outro lado a Central Única dos Trabalhadoresque foi fundada no dia 28 de agosto de 1983 e tem entre as principais categorias que participaram de sua fundação a categoria bancária. E nasce com a proposta de romper com o velho modelo sindical oficial e corporativo e que teve inúmeros problemas em decorrência da ditadura civil e militar no Brasil, que transformou os sindicatos no país em entidades de cunho assistencialista e associativo em outros quesitos que não a associação para a luta e a organização sindical.

Muitos sindicatos resistiram e driblaram as regras dos governos exceção que se instalou no Brasil após 1964. E muito deles que se recusaram a se adequar as regras impostas pela ditadura, que buscava afetar a compreensão da luta de classes que esses sindicatos tinham como filosofia, e por se recusarem e viram suas direções sofrerem sérias intervenções, com prisões, isolamentos demissões arbitrárias. Sendo colocados em seus lugares pessoas, passivas ao cenário político e que comungavam com os patrões financiadores privados do golpe.

Porém, esse período começa a se enfraquecer com a organização dos metalúrgicos do ABCD paulista no final dos anos 70, que começa a ser o embrião para a formação do movimento pró-CUT, que só viria a se consolidar e nascer em 28 de agosto de 1983, justamente no dia dos Bancários. Isso impulsiona a luta por democracia no país e a histórica campanha de busca de redemocratização do país que foi a campanha das Diretas Já, que a Recém fundada CUT teve participação decisiva e claro com ela a categoria bancária. De lá para cá se passaram 37 anos e a Central Única dos Trabalhadores, a CUT estabeleceu sua referência para os trabalhadores brasileiros se transformando na maior central sindical das Américas e a quarta maior Central Sindical mundial. Sendo a principal interlocutora da classe trabalhadora. Organizando organicamente em seu ventre diversos ramos de atividades profissionais, como bancários, metalúrgicos, rurais, trabalhadores da Educação dentre outros ramos de atividade.

Por fim, neste dia 28 de agosto, para um reconhecimento do dia de luta das bancárias e bancários e dia de fundação da nossa central sindical, a CUT aproveitamos para estender um forte e fraternal abraço em nome da CUT/ paraná para todas as direções sindicais bancárias do Brasil para todas os bancários brasileiros, Assim como para todas as trabalhadoras e trabalhadores brasileiros do campo CUTista pelos seus 37 anos de lutas, resistência e organização das mais diversas categorias que a compõem. Reafirmamos nossa disposição em lutar para, cada vez mais, junto com a categoria bancária, continuar a ser fomento da organização das trabalhadoras e trabalhadores na busca ampliação das nossas vitórias e conquistas da classe trabalhadora.

Viva o dia 28 de agosto. Viva as bancárias e bancários brasileiros, viva a Central Única dos Trabalhadores, a CUT/Brasil!


Márcio Kieller é presidente da CUT Paraná e mestre em sociologia política pela UFPR.