Escrito por: André Accarini

CUT apresenta campanha permanente contra o feminicídio em encontro LGBTQIA+

Campanha foi apresentada durante o Encontro Nacional do Coletivo LGBTQIA+ da CUT, em SP, e destaca o acolhimento de mulheres cis e trans, a negociação coletiva e a construção de redes de proteção nos sindicatos

Roberto Parizotti

A campanha permanente de combate ao feminicídio da CUT, lançada nacionalmente em maio deste ano, foi apresentada aos participantes do 7º Encontro Nacional do Coletivo LGBTQIA+ da CUT, que acontece até o dia 7 de junho, na sede da APEOESP, em São Paulo. Com o lema “Pela vida das mulheres, a luta é de todos”, a iniciativa busca transformar o enfrentamento à violência de gênero em uma ação permanente do movimento sindical, incorporada às negociações coletivas, à formação de dirigentes e à atuação cotidiana dos sindicatos.

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A apresentação foi feita por Mara Feltes, secretária adjunta da Mulher Trabalhadora da CUT, que participou remotamente e por Sueli Adriano, secretária de Finanças da CUT Santa Catarina e integrante do coletivo LGBTQIA+ da Central.

Ao apresentar a campanha, Mara destacou que o crescimento dos casos de feminicídio exige uma resposta permanente da classe trabalhadora organizada. Segundo ela, a violência contra as mulheres não pode ser tratada apenas como um tema pontual ou restrito às datas do calendário feminista.

“Nós não podemos normalizar a violência porque parece assim: morreu. Começa a ficar tão cotidiano que daqui a pouco as pessoas não se sensibilizam mais”, afirmou.

A dirigente explicou que a campanha nasceu da compreensão de que o mundo do trabalho precisa assumir responsabilidade direta na prevenção e no acolhimento das vítimas. Para isso, a CUT propõe que sindicatos e entidades filiadas incorporem cláusulas específicas de proteção às mulheres nos acordos e convenções coletivas.

Entre as medidas defendidas estão a garantia de estabilidade no emprego para trabalhadoras que possuem medidas protetivas, protocolos de acolhimento nos locais de trabalho e mecanismos que permitam a transferência de vítimas para unidades onde possam estar mais protegidas de seus agressores.

“Nós temos que levar para a pauta de negociação a violência de gênero. São cláusulas tão importantes quanto o reajuste salarial, porque são cláusulas de preservação da vida das mulheres”, defendeu Mara.

A campanha também prevê a formação de dirigentes sindicais, delegados de base, cipeiros e militantes para identificar sinais de violência e orientar trabalhadoras sobre os serviços de proteção disponíveis. Outro objetivo é transformar os sindicatos em espaços de acolhimento e referência para mulheres em situação de violência.

“A mulher que sofre violência tem que enxergar o sindicato como um lugar onde ela pode pedir ajuda”, afirmou.

Mulheres trans também estão no centro da campanha

Durante sua intervenção, Mara ressaltou que a campanha parte de uma compreensão ampla da violência de gênero e incorpora uma perspectiva interseccional, reconhecendo os impactos específicos sofridos pela população LGBTQIA+.

A dirigente destacou o aprendizado acumulado pela Secretaria Nacional da Mulher Trabalhadora junto aos movimentos de mulheres trans e lésbicas.

“Eu tenho aprendido muito no Conselho Nacional com as entidades que representam as mulheres trans, as mulheres lésbicas. Tenho um aprendizado muito grande e estou cada vez mais convencida do nosso compromisso”, afirmou.

Ao defender que a luta contra o feminicídio dialogue com todas as formas de violência de gênero, Mara também chamou atenção para as agressões e tentativas de “correção” sofridas por pessoas LGBTQIA+.

“Nós sabemos muito bem o sofrimento que a comunidade LGBTQIA+ passa. O sofrimento que existe é avassalador”, disse.

A relação entre feminicídio, transfobia e violência política também apareceu no debate. Participantes do encontro lembraram que mulheres trans, travestis, lésbicas e bissexuais frequentemente enfrentam invisibilidade e violência mesmo dentro dos espaços institucionais.

Mara Feltes | Arquivo Pessoal

Rede de proteção da CUT

Para Sueli Adriano, a apresentação da campanha durante o encontro do coletivo LGBTQIA+ reforça a necessidade de integrar diferentes lutas travadas pela classe trabalhadora.

A dirigente destacou a importância da ocupação dos conselhos de direitos, espaços de formulação de políticas públicas e instâncias de controle social para garantir atendimento adequado às mulheres e à população LGBTQIA+.

“Se nós não participarmos desses conselhos, nós não teremos nenhuma pauta em defesa das nossas vidas”, afirmou.

Sueli também defendeu que as ações de prevenção e acolhimento cheguem aos territórios mais vulneráveis, especialmente às periferias, onde muitas mulheres convivem diariamente com situações de violência.

Sueli Adriano | Arquivo pessoal

A campanha da CUT está estruturada em quatro eixos: formação e capacitação; comunicação e visibilidade; mobilização e engajamento; e organização institucional. A proposta é que todas as entidades filiadas realizem atividades próprias de lançamento e incorporem o tema às suas ações sindicais permanentes.

Ao encerrar sua participação, Mara resumiu o objetivo da iniciativa. “O resultado que nós esperamos é que tenhamos ambientes sindicais e de trabalho transformados em espaços seguros, com lideranças preparadas para salvar vidas e protocolos permanentes estabelecidos”, disse a dirigente reforçando que a iniciativa pretende consolidar uma rede sindical de proteção capaz de acolher mulheres em situação de violência, fortalecer políticas públicas e contribuir para reduzir os índices de feminicídio no país, incluindo as violências que atingem mulheres trans e demais integrantes da comunidade LGBTQIA+.

Ao final da apresentação, diversas orientações foram compartlihadas com o coletivo, tendo como base a operação da campanha, entre elas: