Mobilização reuniu CUT, centrais sindicais, movimentos populares e trabalhadores na Avenida Paulista e integrou jornada nacional de pressão para que o Senado avance com a proposta
A Avenida Paulista em São Paulo foi palco, no fim da tarde desta terça-feira (30), de um ato em defesa da redução da jornada de trabalho sem redução salarial e do fim da escala 6x1. Convocada pela CUT, Fórum das Centrais Sindicais, Frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo e pelo movimento Vida Além do Trabalho (VAT), a mobilização reuniu dirigentes sindicais, representantes de movimentos sociais e trabalhadores para cobrar que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil/AP) dê andamento à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) nº 221, que trata do tema, atualmente parada na Casa.
Parte de uma mobilização nacional realizada em diversos estados o ato teve concentração ocorreu no Vão Livre do Masp, de onde os participantes inciaram caminhada pela Rua Augusta até a Praça Roosevelt. Ocupando uma das pistas da avenida, a manifestação teve faixas, cartazes e palavras de ordem em defesa de uma jornada de trabalho que garanta mais qualidade de vida de trabalhadoras e trabalhadores.
Vota já!
Durante o ato, as críticas concentraram-se na demora do Senado em colocar a proposta em votação ainda neste semestre. Lideranças da CUT, de centrais sindicais, sindicatos de diversas categorias e movimentos populares participaram da mobilização, que reforçou a necessidade de ampliar a pressão popular para que a proposta avance.
No carro de som, o secretário de Administração e Finanças da CUT, Ariovaldo de Camargo, afirmou que a mobilização representa um passo importante na construção de uma agenda que melhore concretamente a vida da classe trabalhadora. Segundo ele, enquanto os atos acontecem nas ruas, dirigentes das centrais sindicais articulam, em Brasília, uma estratégia para cobrar diretamente os senadores.
"Presidentes das centrais sindicais já estão em Brasília reunidos, articulando a estratégia para uma conversa nesta quarta-feira para dizer ao Alcolumbre e para aqueles senadores que vão disputar as eleições de outubro: ou tira a proposta da gaveta ou vota a favor. Aqueles que vão disputar as eleições não voltarão para o Senado Federal", afirmou.
O dirigente defendeu que a pressão popular seja permanente e estimulou trabalhadores e trabalhadoras a cobrarem diretamente os parlamentares de seus estados para que a proposta seja votada. "Eles não podem ter paz. Nós vamos fazer a pressão necessária para construir mais uma vitória para o conjunto da classe trabalhadora", declarou.
Ariovaldo reforçou que a votação precisa ocorrer ainda neste semestre. "Não podemos esperar o recesso parlamentar. Por isso temos que pressionar os senadores", disse.
Em entrevista ao Portal CUT, o secretário de Políticas LGBTQIA+ da CUT, Walmir Siqueira, também destacou a urgência ao citar que a demora na votação afeta diretamente milhares de trabalhadores e trabalhadoras, inclusive da comunidade LGBTQIA+.
"Nós sabemos que em poucos dias eles vão parar os trabalhos no Senado devido a manobras para não aprovar o projeto e evitar o desgaste político de quem votar contra. A Secretaria Nacional LGBT representa um número gigantesco de trabalhadores e trabalhadoras submetidos a essa jornada. Precisamos lutar para melhorar a vida do trabalhador como um todo e garantir trabalho decente", afirmou.
Para o dirigente, a articulação das centrais sindicais e dos movimentos populares é fundamental para pressionar o Senado a destravar a pauta, mas a pressão popular é ainda mais importante.
Na Pressão amplia mobilização nas redes
Durante a caminhada, a CUT divulgou a plataforma Na Pressão, ferramenta que permite aos trabalhadores enviarem mensagens diretamente aos senadores por e-mail, WhatsApp e outras redes sociais, cobrando apoio à proposta. Pelo sistema, é possível entrar em contato com parlamentares de qualquer estado ou partido, ampliando a mobilização para além das manifestações presenciais.
O secretário-adjunto de Comunicação da CUT Nacional, Tadeu Porto, ressaltou que este é o momento de intensificar a mobilização para garantir a votação da proposta. "A hora é agora. A gente não pode vacilar. É pressão total no Senado para conquistar o tão sonhado fim da jornada seis por um. Se você conhece o senador do seu estado, o senador em que votou, pressione para que ele vote a PEC. Nós estamos fortes nessa pressão e contamos com todos vocês. Isso é importante para a sua vida", afirmou.
Já o secretário de Mobilização da CUT São Paulo, Osvaldo Bezerra, o Pipoca, citou a unidade do movimetno sindical e movimentos sociais em torno de um objetivo comum.
"Essa luta já vem desde o ano passado. Conseguimos que a votação, por ampla maioria, avançasse na Câmara Federal. Agora temos o último desafio, porque essa votação está encalacrada no Senado. O objetivo é impedir que ela seja empurrada para depois das eleições. Estamos unidos para pressionar os senadores e melhorar a vida do povo brasileiro", disse.
Represetando os movimentos populares, a coordenadora do Movimento dos Trabalhadores e Trabalhadoras Sem Teto (MTST) e da Frente Povo Sem Medo, Ana Paula Peres, afirmou que a jornada afeta especialmente as mulheres, que acumulam o trabalho remunerado com as responsabilidades domésticas.
"Os trabalhadores não aguentam mais essa escala. Não têm tempo para a família, para os filhos. Para as mulheres é ainda mais exaustivo, porque além de trabalhar fora, trabalham em casa e muitas vezes cuidam de familiares doentes. Hoje estamos aqui para reivindicar e dar esse alerta."
A voz do povo - classe trabalhadora diz por que quer o fim da escala 6X1
Além das lideranças sindicais, a CUT ouviu trabalhadores e trabalhadoras que participaram da manifestação na Avenida Paulista. Os relatos mostram como a escala 6x1 interfere na convivência familiar, no descanso, na saúde física e mental e nas perspectivas de futuro.
O representante comercial Elvis Santos afirmou que a luta pelo fim da escala 6x1 também é uma luta por dignidade.
"A luta pelo fim da escala 6 por 1, acima de tudo, é uma pauta de humanidade. A pessoa trabalha recebendo um salário que muitas vezes não dá para pagar o básico. Com mais tempo livre, o trabalhador pode estudar, se organizar, buscar melhores oportunidades e mudar de vida."
A trabalhadora doméstica Liliana Santos resumiu o sentimento compartilhado por muitos manifestantes.
"A gente não tem vida. Eu trabalho na escala 6 por 1 e é muito difícil porque você não tem tempo para viver. O trabalho não garante uma vida confortável. A gente precisa de descanso, precisa viver e precisa de saúde. É por isso que estou aqui."
O agente de promoção ambiental Rafael Rodrigues destacou a importância da mobilização coletiva.
"É de extrema importância essa luta. Vejo uma falha dos poderes, enquanto políticos assistem à Copa em vez de colaborar para melhorar a vida do povo. Muitas pessoas que trabalham nessa escala poderiam estar aqui fortalecendo esse movimento."
Walber Pinto
A estudante Luciana Mateus, de 30 anos, contou que trabalhou durante anos nesse regime e conhece seus impactos.
"A escala 6x1 é totalmente abusiva. A gente perde muito tempo só para o trabalho, não tem tempo para o lazer nem para a família. É totalmente inaceitável. Enquanto isso, tem senador viajando para assistir à Copa, quando deveria estar trabalhando por quem paga o salário deles."
Walber Pinto
Movimento estudantil mobilizado
Também no caminhão de som, a presidenta da União Nacional dos Estudantes (UNE), Bianca Borges, relacinou a mobilização contra a escala 6x1 a vitórias históricas da classe trabalhadora. Para a líder estudantil, a resistência do Senado Federal em pautar a PEC reflete o impacto de um movimento que já demonstrou sua força ao mobilizar milhões de brasileiros em plebiscitos populares,
"Se hoje o Senado Federal se retrai e o Davi Alcolumbre tem medo, é porque ele já viu a capacidade da nossa luta de ser vitoriosa. Eles pensam que nos intimidarão, mas aqui está a classe trabalhadora que nunca teve nenhuma conquista que não tenha sido arrancada com muita garra. Foi assim com a jornada de 44 horas, com as férias e com o descanso semanal remunerado. Agora, nós vamos por muito mais: pelo fim da escala 6 por 1 e pela redução da jornada sem redução de salário. Nós, estudantes, não arredaremos o pé até dar fim a essa escala escravocrata", disse a presidenta da UNE.
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