Escrito por: Andre Accarini

Trabalho por plataformas: seminário debaterá esperiências brasileiras de organização

Representantes de associações, sindicatos e cooperativas apresentarão caminhos para organizar trabalhadores submetidos à informalidade, aos bloqueios e ao controle das plataformas digitais

Ahead/CUT

A CUT e a Fundação Friedrich Ebert (FES Brasil) realizam, na próxima terça-feira (22), o Seminário Internacional “O Trabalho em Plataformas Digitais: Experiências de Organização, Resistência e Luta no Brasil e no Mundo”. O encontro será das 8h30 às 18h, no auditório da sede nacional da CUT, no Brás, em São Paulo.

Com apoio do Solidarity Center, braço da central sinfical AFLC-CIO, dos Estados Unidos, o seminário reunirá trabalhadores, dirigentes sindicais, representantes de associações e cooperativas, pesquisadores e movimentos sociais. O objetivo é debater formas de organização coletiva diante das mudanças provocadas pelas plataformas digitais nas relações de trabalho.

Longas jornadas, baixa remuneração, falta de proteção social, bloqueios de contas e decisões tomadas por algoritmos estão entre os problemas que serão discutidos. O evento também apresentará experiências desenvolvidas no Brasil e em outros países para aproximar trabalhadores e fortalecer a luta por direitos.

Experiências brasileiras de organização

Um dos destaques da programação será a mesa “Experiências de organização no Brasil”, marcada para as 9h30. O debate reunirá representantes de diferentes formas de organização, como sindicatos, associações de trabalhadores informais e cooperativas.

Entre as entidades que dividirão suas experiências sobre o tema, a ATEMDO (Associação de Trabalhadores em Domicílio da Economia Solidária) será representada por Edna Souza. A entidade apresentará a experiência de organização de trabalhadores que, historicamente, permaneceram fora das estruturas tradicionais de proteção sindical.

Filiada à CUT, a ATEMDO integra a Intersetorial Nacional, espaço que reúne diferentes categorias, como trabalhadores por aplicativos, trabalhadoras domésticas, ambulantes e catadores. Sua participação levará ao debate a perspectiva da economia solidária e da organização de pessoas que trabalham na informalidade.

A mesa também contará com Carina Trindade, presidenta do SINTRAPLI-RS (Sindicato dos Trabalhadores em Aplicativos de Transporte de Passageiros do Rio Grande do Sul) e da FENASMAPP (Federação Nacional dos Sindicatos de Motoristas por Aplicativos).

Carina apresentará a experiência de organização de motoristas submetidos às regras determinadas pelas plataformas, como mudanças unilaterais nos valores das corridas, jornadas prolongadas, ausência de transparência nos critérios dos aplicativos e bloqueios de contas.

Também participarão Rodrigo Lopes, representando o SEAMBAPE (Sindicato dos Empregados no Comércio Ambulante de São Paulo) e a ANEA (Associação Nacional dos Empregados Ambulantes), e Márcio Guimarães, da Liga de Cooperativas (Liga Coop).

A composição permitirá aproximar experiências de trabalhadores por aplicativos, ambulantes, cooperados e integrantes da economia solidária. Apesar das diferenças entre as atividades, esses grupos enfrentam problemas comuns, como informalidade, insegurança de renda, falta de proteção social e dificuldade para negociar coletivamente.

A mesa será coordenada por Wagner Menezes, o Marrom, secretário de Transporte e Logística da CUT, e Rosane Bertotti, secretária nacional de Formação da Central. Os comentários serão feitos pela professora e pesquisadora Andréia Galvão, do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho da Unicamp (Cesit/Unicamp).

Experiências internacionais e Convenção 193

A programação seguirá com a apresentação de experiências internacionais de organização. Representantes da Colômbia, da Espanha e do Chile participarão do intercâmbio sobre estratégias adotadas por sindicatos e coletivos diante do avanço das plataformas digitais.

Entre as iniciativas que serão apresentadas está a Union Platform, ferramenta de código aberto utilizada para que trabalhadores comuniquem aos sindicatos situações como acidentes, violações de direitos e bloqueios de contas.

À tarde, o seminário debaterá a Convenção 193 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), aprovada para estabelecer parâmetros de trabalho decente na economia de plataformas.

A partir das 16h30, a CUT apresentará suas ações pela ratificação da Convenção 193 pelo Brasil. Será desenvolvida uma campanha que articulará formação e organização de base, comunicação, pressão institucional e articulação internacional.

A proposta é ampliar o conhecimento sobre a Convenção, explicar quem pode ser protegido pela norma e fortalecer a mobilização para que trabalhadores controlados ou intermediados por plataformas tenham direitos, proteção social e condições dignas de trabalho.

Serviço

Seminário Internacional “O Trabalho em Plataformas Digitais: Experiências de Organização, Resistência e Luta no Brasil e no Mundo”

Data: 22 de setembro de 2026
Horário: das 8h30 às 18h
Local: Auditório da sede nacional da CUT
Endereço: Rua Caetano Pinto, 575, Brás — São Paulo
Formato: presencial
Inscrições: gratuitas, com vagas limitadas, por formulário eletrônico.

 

Programação