Escrito por: Clara Aguiar

Trabalho de base na era digital marca encerramento da 2ª ENAFOR

Atividade reuniu dirigentes e militantes de todo o Brasil, fortalecendo experiências das escolas sindicais. O evento é uma parceria entre a CUT e a DGB DGB BW

Clara Aguiar / CUT SC

Nesta sexta-feira (13) aconteceu o encerramento da 2ª Oficina Nacional de Planejamento do Projeto Formação de Formadores e Formadoras Sindicais, realizada na Escola Sindical Sul, em Florianópolis (SC). Ao longo da programação, que teve início no dia 8 de março, dirigentes e militantes com o objetivo de fortalecer a política nacional de formação da Central Única dos Trabalhadores (CUT), articulando as experiências das escolas sindicais e das secretarias de formação em diferentes regiões do país. A atividade é fruto de uma cooperação entre a CUT e a DGB Bildungswerk (DGB BW).

Um dos debates da programação de encerramento abordou os desafios das eleições de 2026. A vereadora de Florianópolis pelo PT, Carla Ayres esteve presente refletindo sobre a centralidade das disputas eleitorais para a classe trabalhadora.

Clara Aguiar

Segundo Ayres, ao longo de sua trajetória política pontuou  que a cada processo eleitoral a militância afirma estar diante da “eleição das nossas vidas”. “Mas há 22 anos que a cada dois anos a gente diz: essas são as eleições das nossas vidas”, disse.

Para a vereadora, essa percepção está ligada às condições estruturais enfrentadas pela classe trabalhadora. “Todos os dias que a classe trabalhadora levanta é o dia da vida da classe trabalhadora de sobreviver e resistir frente a uma sociedade capitalista, patriarcal, racista, capacitista e etarista, que busca se reorganizar todos os dias para retirar direitos”, afirmou.

Ayres também destacou que, apesar dos indicadores econômicos positivos do atual governo federal, ainda há dificuldades na comunicação com a sociedade. “A gente não pode ter medo entre nós, companheiros e companheiras, de reconhecer que a gente vive uma crise de projeto e de diálogo com a sociedade”, avaliou.

 

Disputa política na era digital

Somando ao debate,o pesquisador Ricardo Pessetti destacou que a disputa política atual envolve dimensões globais, que vão além das fronteiras nacionais.

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Ele chamou a atenção para o papel das plataformas digitais e dos algoritmos na formação da opinião pública. “Os algoritmos também são atores políticos globais hoje. As plataformas segmentam os usuários e premiam o conflito, geralmente causado por ódio, medo e raiva, como forma de gerar engajamento”, afirmou.

Disputa do território digital

 

Na sequência, a assessora da Secretaria Geral Thalita Coelho destacou o debate sobre estratégias políticas, a importância da organização também no ambiente digital, ressaltando que não basta apenas compartilhar conteúdos nas redes sociais. 

“A presença digital organizada não é só curtir e compartilhar uma vez, precisa de engajamento continua”, afirmou.

Clara AguiarA assessora explicou que a central tem investido na criação de brigadas digitais como parte de uma estratégia permanente de disputa política nas redes. “Desde 2021, a CUT vem disputando o território digital. Esse é um território que interfere no processo eleitoral, no parlamento e também na organização sindical”, disse.

 

Segundo ela, durante as eleições de 2022 foram criadas cerca de 500 brigadas digitais, mesmo com estrutura reduzida. A meta agora é ampliar a iniciativa. “Até o próximo congresso da CUT, todos os sindicatos e entidades cutistas precisam ter pelo menos uma brigada digital”, destacou.

Além da atuação nas redes, a estratégia também envolve a disputa política nos territórios onde os trabalhadores vivem, trabalham, estudam e se organizam. 

Compromisso com a formação de base

No encerramento da oficina, a secretária nacional de Formação da CUT, Rosane Bertotti, destacou o trabalho coletivo que possibilitou a realização da atividade e reforçou a importância da continuidade do processo formativo.

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Segundo Bertotti, a oficina foi resultado de uma ampla preparação que envolveu encontros estaduais, reuniões e a mobilização de militantes em diferentes regiões do país. “Para a gente chegar até aqui, teve todo um processo formativo, encontros estaduais e reuniões preparatórias”, relatou.

Ela também destacou a importância de experimentar novas metodologias de formação e refletir coletivamente sobre os processos pedagógicos utilizados durante a atividade.

Por fim, Bertotti reforçou o compromisso com a ampliação da formação sindical na base. Atualmente, segundo ela, o projeto conta com cerca de 180 educadores militantes, e cada participante foi desafiado a realizar ao menos uma formação em seus territórios.

“É bonito estar aqui, mas é fundamental que a formação de base aconteça. E não venham dizer que este é ano de eleição e que não dá para fazer formação. Aí é que tem que fazer companheirada”, esperançou.

Memória

Durante o encerramento da atividade, também houve uma menção à memória do sindicalista Jairo Santos Silva Carneiro, que faleceu aos 76 anos neste ano. Com trajetória histórica no movimento sindical gaúcho, Jairo dedicou mais de cinco décadas à militância em defesa da classe trabalhadora. Metalúrgico da Koch Metalúrgica, teve papel fundamental na organização da Central Única dos Trabalhadores (CUT) no Rio Grande do Sul, entidade que chegou a presidir por dois mandatos. Sua contribuição para a construção e o fortalecimento do movimento sindical foi lembrada com respeito e reconhecimento pelos participantes.