Sinpaf: negociação sobre plano de...

As providências necessárias à implantação de um novo plano de previdência complementar na modalidade contribuição definida (CD), da Fundação São Francisco, e o aumento do valor cobrado pela operadora do Codevasf Saúde (Salutis) foram os principais pontos discutidos na quinta (12), último dia da primeira rodada de negociação com o Sinpaf.

Pela manhã, durante a discussão da pauta relacionada ao plano de saúde, o vice-presidente do Sinpaf, Jeremias Cabral, denunciou à gerente-executiva da Codevasf, Lucivane Freitas, que a Casec foi desleal com o sindicato quando aumentou o valor do plano, em 2010. “Convidamos a Saluti para uma palestra sobre o plano. Três meses depois, viemos para Brasília e a Casec nos disse que tínhamos de pedir ao presidente aporte maior de recursos. Exatos 22 dias depois deste aporte, o plano foi majorado em 59,2%. Como vamos confiar?”, indagou.

No ACT, o sindicato reivindica a liberação, sem ônus de qualquer natureza e com todos direitos, dos três Diretores eleitos para a Diretoria da Casec, que ficarão responsáveis pela operacionalização do Codevasf Saúde. Os representantes do SINPAF na mesa de negociação citaram o funcionamento do plano da Embrapa, gerido internamente, como exemplo de eficiência com custos menores.

A representante da Codevasf, por sua vez, demonstrou surpresa ao tomar conhecimento do quadro. “Pelo que percebi, o plano vive no improviso da diretoria. Sabemos que a Casembrapa nos superou, mas também não temos como dizer que é melhor. É preciso ir atrás, verificar condições. Imagino que tenha ocorrrido uma grande batalha e planejamento para liberar diretores na Embrapa. Se a Codevasf precisa fazer essa previsão, vamos atrás”, afirmou.

Para Roberto Strazer, um dos representantes da Casec na reunião, o desafio está na necessidade de pensar em um plano eficaz. “Somos poucos, temos só 5,5 mil vidas e somos geograficamente dispersos. Independente de Salutis, de execução direta, a gestão de um plano pequeno cujos usuários estão espalhados é desafiadora", afirmou.

“Não vemos credibilidade na Salutis. O pessoal está sendo expulso pelo aumento e pela desorganização para encaminhar boleto para várias cidades. Os menores estão sendo expulsos. Gastamos R$ 1 milhão por ano para operacionalização do plano de saúde, mas temos condições e capacidade técnica para fazer isso dentro da Codevasf. É impossível continuarmos pagando esse valor a uma empresa do Ceará que ninguém sabe como foi contratada, porque nem licitada foi. Exigiremos da Casec que a Codevasf tome as providências eliminando a terceirização da operacionalização” , reiterou Cabral.

O questão ficou suspensa e voltará a ser discutida.

Contribuição definida
De acordo com a representação da Fundação São Francisco presente à mesa de negociação durante a tarde, o plano CD já foi encaminhado pela diretoria da empresa e a Fundação está fazendo avaliação atuarial (saldamento) da situação do plano, mas estima que deva ser implementado até julho deste ano.

“A Contribuição definida é oportunidade de agregar novos empregados da Fundação, viabilizando a seguridade social para todos os empregados da Codevasf. Da maneira que está, 900 empregados não podem participar do plano. O CD é uma maneira de agregar esses novos trabalhadores, viabilizando não só o pagamento das aposentadorias já existentes como também dos novos funcionários. Além disso, mais concursos terão de ser realizados, porque o quadro está defasado, saiu muita gente no PDI. Se não, daqui a pouco vamos ter problemas de fluxo de caixa. É preciso pensar nos antigos e viabilizar a entrada dos novos”, avaliou o vice-presidente do Sindicato, Jeremias Cabral.

O assunto, também suspenso no ACT, foi levado à audiência com o ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra, ocorrida no início da noite de quinta (12). Ele se comprometeu com o Sinpaf a contribuir para apressar a implantação do plano.