Apoio generalizado fez com quealém dos serviços públicos, trens, escolas e aeroportos também parassem.Agricultores fizeram tratoraço em Tessalônica. Nova greve geral já estáconvocada
Contra o plano dogoverno Papandreou de confiscar salários e direitos, os servidores públicosgregos paralisaram suas atividades no país inteiro e foram às ruas em Atenas enas principais cidades. Fora alguns setores essenciais, parou tudo. Até oaeroporto da capital. Os trens não circularam, com exceção de linhasinternacionais. Milhares de manifestantes, com faixas e bumbos, marcharam até oparlamento. Havia de professores a bombeiros, de médicos a portuários. “Não podemospagar pela crise!” e “Greve contra os especuladores” eram algumas das faixas domovimento. Um dia cinza, que levou muitos manifestantes a usarem guarda-chuva.No próximo dia 24, o protesto se repetirá em escala maior: uma greve geralnacional, convocada pela Confederação de Trabalhadores da Grécia.
O plano dePapandreou, elogiado pelo FMI e observado pelo Banco Central Europeu:congelamento de salários dos servidores e redução dos prêmios – o que significacorte entre 5% a 20% nos salários. Congelamento das contratações – o quesignifica que os aposentados não serão repostos. Redução de 30% nas horasextras. Mas não serão só os servidores públicos que serão atingidos: o planodetermina aumento da idade mínima para se aposentar dos atuais 61 para 63 anos,para todos, tanto para o setor privado quanto para o funcionalismo.
A grande “meta” éfazer o déficit orçamentário encolher dos atuais 12,7% para menos de 3% emquatro anos. O que, em qualquer momento, significaria um grande arrocho, maslogo a seguir do estouro da maior crise desde 1930, com a economia grega maldas pernas e desemprego oficial de 9,7%, implica em um arrocho ainda mais duroe letal.
“Estamos cientesda difícil situação econômica, mas mirar nos rendimentos dos empregados eaposentados é uma saída fácil”, denunciou o presidente do Sindicato dos ServidoresPúblicos Adedy, Spyros Papaspyros. Ilias Iliopulos, secretário-geral dosindicato, advertiu que “eles tinham prometido que os ricos é que iriam pagar,mas ao invés estão tomando o dinheiro dos pobres”. Outro líder dos servidorespúblicos, Christos Katsiotis, assinalou que “se é uma guerra contra ostrabalhadores, então responderemos com guerra, com lutas constantes até estapolítica ser eliminada”.
Eleito contra oneoliberalismo, o governo Papandreou acaba de optar por um “plano de ajuste dequatro anos”. Assim que tomou posse, refez com esmero as contas do governoneoliberal e revisou o déficit orçamentário de 5% para 12,7%, além de seespantar com a relação dívida pública/PIB, de 120%. Assim que as agências declassificação de risco rebaixaram a Grécia, e com boatos sobre iminente calotede U$ 25 bilhões, os especuladores se lançaram ao assalto ao país e já falam emmais alvos: Portugal, Itália e Espanha.
Naturalmente,segundo o credo dos especuladores, a dívida que atinge a Grécia não poderia serexplicada por salvação de bancos arrombados ou pagamentos de juros extorsivos,atividades meritórias por natureza. Só poderia ter uma explicação - salários demarajás gregos, aposentadorias, excesso de servidores, gastos sociais e outrosdesperdícios com a plebe. Agora, os “parceiros europeus”, “os mercados”, eclaro, os cidadãos gregos que vão ser arrochados, “estão observando a implementaçãodo plano que o governo anunciou”, destacou o ministro das Finanças, GeorgePapaconstantinou. “Eles estão esperando para ver se a Grécia realmente fará oque deve fazer. E nós estamos provando, com nossas ações diárias”.
O problema é que,do outro lado, há milhões de gregos que não elegeram Papandreou exatamente paraisso. De trabalhadores a estudantes e, nas últimas três semanas, agricultores,que interromperam as principais estradas do país e fizeram um tratoraço emTessalônica.