• TVT
  • RBA
  • Rádio CUT
MENU

'Rota 2030' está incompleta, criticam metalúrgicos do ABC

O programa está longe de atender a indústria automotiva e não protege os empregos no Brasil, diz Sindicato dos Metalúrgicos do ABC. Pautas da categoria incluídas ao texto original ajudaram a 'melhorar' medida

Publicado: 09 Novembro, 2018 - 15h32 | Última modificação: 09 Novembro, 2018 - 18h33

Escrito por: Redação CUT

Adonis Guerra
notice

A Medida Provisória que cria o Rota 2030, novo programa de incentivos para o setor automotivo, foi aprovada nesta quinta-feira (8) pelo Senado e, logo em seguida, o ilegítimo e golpista Michel Temer (MDB-SP) assinou o decreto que regulamenta a MP, durante a aber­tura do 30º Salão Internacional do Automóvel, em São Paulo. Na quarta-feira, dia 7, o texto já tinha sido aprovado na Câmara dos Deputados.

Para o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Wagner Santana, o Wagnão, a medida sancionada ainda está muito longe de proteger o emprego no Brasil, porque o principal ponto, que é a obriga­toriedade de um percentual de produção nacional presente no antigo progama Inovar-Auto, não consta no novo decreto.

"Em alguns casos, como a questão do carro elétrico, a medida incentiva a importação de veículos e não a pro­dução nacional. Tanto é que um dos discursos mais anima­dos em relação ao Rota 2030 foi do presidente da Abeifa [Associação Brasileira dos Importadoras e Fabricantes de Veículos Automotores], [José Luiz Gandin], comemorando a assinatura do programa".

É o que reforça o diretor executivo do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, responsável por políticas industriais, Wellington Messias Damasceno. "O Rota 2030 está muito aquém de ser um programa para a indús­tria automotiva nacional, dada a importância do setor para o país e para a geração de empregos. A MP apresentada pelo governo federal não atende as demandas para garantir o fortalecimento da cadeia produtiva".

O programa, diz o dirigente, ficou incompleto. "Ele não estabelece proteção efetiva nem mesmo em relação ao volume de componentes importados nos veículos produzidos no Brasil. E, por ter validade de 15 anos, deveria ser muito mais estruturante”.

Apesar da avaliação negativa do novo programa, o diretor do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC explica que alguns pontos aprovados no programa podem ser considerados positivos devido, sobretudo, ao atual momento que o país atravessa após a confirmação da eleição de Jair Bolsonaro (PSL).

“Às vésperas da troca para um governo que diz que não vai ter política setorial e diante do cenário de incertezas, podemos dizer que conseguimos avanços importantes no Rota 2030”.

Entre eles está a emenda defendida pelo Sindicato e apresentada pelo deputado federal Carlos Zarattini (PT-SP), que inclui a capacitação técnica, a qualificação profissional e a expansão ou manutenção de empregos no setor, além de suprimir o termo “automatizar o processo de manufatura”, que foi retirado da pauta.

Outro ponto importante é a criação de um observatório da indústria para acompanhar de perto a aplicação de recursos, investimentos em pesquisa e desenvolvimento, a entrada de importados e direcionar investimentos e novos negócios.

“O observatório é uma vitória para os traba­lhadores, mas temos que estar atentos e mobili­zados para garantir a participação no processo”, afirma.

Aprovação da MP na Câmara 

As emendas sobre a criação de um centro independente de testes e as etapas de ferra­mentaria, defendidas pelo Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, não foram aprovadas em plenário na Câmara dos Deputados.

O deputado federal Vicente Paulo da Silva, o Vicentinho (PT-SP), em sua fala no plenário, reforçou a importância da participação dos trabalhadores no processo de discussão do Rota 2030 e ressaltou que continuará trabalhando para que as demandas apresentadas pelos metalúrgicos sejam atendidas.

“Vamos continuar insistindo nesses pontos durante a regulamentação do projeto. É impor­tante ter um centro no Brasil para garantir as aferições que o Rota 2030 exige”, disse.

Emendas polêmicas foram derrubadas na Câmara. O regime diferenciado para o Nor­deste foi prorrogado, mas com queda dos valores. Já o regime para o Centro-Oeste, que triplicava o benefício para empresas da Região, não foi aprovado.

Os importadores foram retirados do Rota 2030 por meio de destaque do PCdoB. Segundo o partido, dar as mesmas condições para quem pro­duz nacionalmente e para quem importa tudo seria colocar dinheiro público em empresas que não geram empregos no Brasil.

Um destaque feito pelo Psol retirou a possibilidade de refinanciamento de dívidas das empresas com mais de R$ 15 milhões de endividamento.

*Com informações Sindicato dos Metalúrgicos do ABC

carregando
carregando