Escrito por: Solange do Espírito Santo

Rede Brasil Atual no CONCUT

Sindicalista defende "blindagem social" contra a crise

 

Foto Roberto ParizottiA principal crise pela qual o mundo atravessa não é a financeira, mas de justiça distributiva. Enquanto as nações não agirem para solucionar as crises social, ambiental, energética e alimentar, não haverá um desenvolvimento econômico saudável e sustentável. A opinião é de Victor Baez, secretário geral da Confederação Sindical das Américas e dirigente da Central Sindical Internacional (CSI).

Para ele, é necessário que se faça uma "blindagem social", no lugar da "blindagem financeira" feita atualmente em parte da agenda dos governos para solucionar a crise. Baez foi um dos debatedores da manhã desta terça-feira (4) do seminário internacional "A crise e as estratégias sindicais", organizado pela Central Única dos Trabalhadores (CUT) como atividade preparatória ao seu 10º Congresso Nacional (Concut). O Concut tem início às 19h30 e prossegue até sexta-feira (7), no Expo Center Norte, em São Paulo (SP). 

"É preciso articular economias mais justas, com mais e melhores empregos, e chegar, no caso das Américas, à igualdade social, que foi golpeada pelo conceito neoliberal do Estado mínimo", afirmou Baez.

A presidente da CSI, a australiana Sharan Burrow, por sua vez, defendeu que é necessário um novo modelo de globalização, com um pacto global sobre vários aspectos. Por meio de vídeoconferência, ela defendeu que, entre os pontos desse pacto estariam proteção social, um piso salarial internacional, a preocupação com o meio ambiente e a sustentabilidade.

"A economia real tem de ser revista e os trabalhadores devem reivindicar espaços em fóruns decisivos, como a OMC (Organização Mundial do Comércio), o G-8 e o G-20", destacou Sharan. "Este é o verdadeiro desafio para o movimento sindical internacional, para que se possa moldar uma nova economia mundial", reforçou.

Desenvolvimento sustentável

Para Ricardo Abramovay, professor da Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo, a busca de um modelo de desenvolvimento sustentável passa, necessariamente, por definir não como será distribuída a riqueza, mas o conteúdo da própria riqueza. "Trata-se de alterar a concepção do que é riqueza e a relação da sociedade com os recursos que ela usa. Esta é a matriz do sistema, que deve respeitar os limites e a potencialidade dos ecossistemas. E este debate não é só de ambientalistas, mas de todos, para o estabelecimento de um novo patamar para a humanidade", avaliou Abramovay.

Já o economista Theotonio dos Santos defendeu que é preciso também rever a qualidade e a concepção do trabalho. "Hoje a jornada de trabalho é absurda em relação à produção. As atividades tecnológicas avançam cada vez mais e, com isso, o trabalhador produz dez, 20 vezes mais do que vinha fazendo antes", constata.

Nesse cenário, ele questionou por que o trabalhador deveria sustentar o sistema, sem retorno para ele. "É preciso diminuir o ritmo de trabalho, para que ele possa, além de ter mais tempo livre, consumir mais e, assim, gerar mais emprego", defendeu Theotonio Santos.

Para o secretário de Relações Internacionais da CUT, João Felício, o momento é propício para uma articulação mais profunda do movimento sindical internacional, porque a crise evidenciou a necessidade de estabelecimento de patamares de desenvolvimento que, em primeiro lugar, garantam direitos e avanços sociais para os trabalhadores em todo o mundo.