Escrito por: Redação CUT | texto: André Accarini

Parte expressiva de investimentos em obras em SP vêm do governo federal

Obras financiadas pelo governo federal e decisões do governo Tarcísio seguem caminhos distintos. Para quem trabalha, importa saber de onde vêm os recursos e quem responde pelos serviços

reprodução | IA

A classe trabalhadora está entre as principais beneficiadas quando uma obra de transporte reduz o tempo de deslocamento, uma unidade de saúde amplia o atendimento ou uma moradia popular sai do papel.

No entanto, nem sempre a população sabe de onde vêm os recursos para essas entregas. Além disso, a onda de desinformação e fake news da direita acaba confundindo e até enganando a sociedade sobre o tema. Em São Paulo, estado governado pelo bolsonarista Tarcísio de Freitas (Republicanos), a gestão dos últimos quatro anos deixou evidente que trabalhadores e trabalhadoras não são prioridade e, para além disso, disse em sua campanha que o governo federal "tem subtraído dinheiro dos paulistas". 

Porém o que ocorreu em seu governo o que ocorreu foi outra história.  Privatizações e concessões, não priorizam a qualidade do serviço público, nas mais diversas áreas, encareceram e pioraram a qualidade de vida da população. As privatizações no metrô e da Sabesp são alguns dos exemplos.

Por isso, é preciso identificar o que é papel do governo estadual e o que é papel do governo federal nos investimentos e as escolhas feitas pelo governo estadual. 

PAC

Por meio do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), de repasses e de financiamento público, o governo federal participa de projetos de infraestrutura, mobilidade, habitação, saneamento, saúde e educação no estado. São ações realizadas em diferentes arranjos, muitas vezes com participação do governo estadual e das prefeituras. O fato de uma obra estar em São Paulo não significa que seu financiamento venha apenas do estado.

Obras:

Entre os projetos de mobilidade previstos no Novo PAC estão o túnel Santos–Guarujá, a expansão da Linha 2-Verde do Metrô, o Trem Intercidades entre São Paulo e Campinas e investimentos no Rodoanel e no monotrilho. São obras em etapas diferentes, cujo impacto esperado é facilitar deslocamentos e melhorar a circulação de pessoas e mercadorias. É preciso reconhecer quem coloca recursos nesses projetos, mesmo quando a execução envolve mais de um governo.

Habitação:

O Minha Casa, Minha Vida financia moradias populares em municípios paulistas. Também há investimentos federais em abastecimento de água, saneamento e recuperação de bacias hidrográficas.

Saúde:

Na saúde e em equipamentos públicos, o Novo PAC Seleções anunciou 536 obras e aquisições de equipamentos para São Paulo, incluindo unidades básicas de saúde, farmácias, veículos para o Samu e Centros de Atenção Psicossocial (Caps). O material também aponta recursos para o Instituto Butantan e para a expansão dos institutos federais.

As escolhas de Tarcísio

Enquanto recebe investimentos federais em áreas essenciais, o governo de Tarcísio de Freitas conduz uma agenda marcada pela privatização da Sabesp e pela ampliação das concessões de transporte e rodovias. São decisões do governo estadual que mudam a vida de que usa serviços, ou seja, a população.

Sabesp

A venda da Sabesp é um dos exemplos mais claros. A CUT, sindicatos e movimentos sociais criticaram a privatização e alertaram para riscos de aumento de tarifas, piora no atendimento e perda de controle público sobre o saneamento.

Metrô e trens

No transporte sobre trilhos, trabalhadores e usuários também questionam as concessões de linhas da CPTM e do Metrô, diante de falhas e atrasos registrados em serviços operados pela iniciativa privada. As ocorrências precisam ser examinadas caso a caso, mas a cobrança por qualidade e fiscalização cabe ao governo que escolheu esse modelo, ou seja, o governo de Tarcísio.

Rodovias:

Nas rodovias, a expansão das concessões e das praças de pedágio elevaram preços, ainda que o governador tenha dito diversas vezes que não haveria aumento. Moradores e trabalhadores do interior, ou seja, os trabalhadores que usam diariamente as rodovias se opõem. Diversas manifestações já foram até reprimidas pela PM de Tarcísio.

É preciso lembrar que o custo do pedágio aparece tanto na viagem de quem usa a estrada quanto no transporte das mercadorias, encarecendo os preços, em especial, dos alimentos.

Educação:

Professores e vários parlamentares criticam o peso das plataformas digitais na rotina escolar e os vetos do governador a projetos voltados à rede pública e a seus profissionais. Além disso o governo do Estado em uma evidente má gestão de recursos públicos essenciais, reduziu investimentos como o piso obrigatório da educação de 30% para 25%, não reajustou investimentos acompanhando índices oficiais, portanto, reduzindo repasses a municípios, impactando na construção de creches e educação infantil. 

O governo de São Paulo também fechou turmas e concentrou investimentos na criação das escolas cívico-militares, modelo de educação amplamente combatido por especialistas em educação

Segurança pública:

A política de segurança pública de Tarcísio se traduz, especialmente, à letalidade em operações policiais na Baixada Santista e nas periferias. Os dados mostram uma contradição. A criminalidade urbana (crimes como roubos e assaltos, segundo a Secretaria de Segurança Pública, órgão ligado ao governo, recuou. No entanto, a violência doméstica disparou, em especial, a violência às mulheres. 

No entanto, os noticiários mostram uma outra realidade. Assistir a um programa 'policialesco' é ter a sensação de que sair nas ruas é algo extremamente perigoso. E pode ser já que os dados da SSP dependem exclusivamente de as pessoas irem à delegacia ou abrirem um Boletim de Ocorrência na internet. 

Especialistas em segurança afirmam que parte da população sente que não "adianta" registrar ou que o processo é burocrático. Por isso, muitos roubos e furtos de menor valor não são registrados. O cidadão perde o celular, compra outro e não avisa a polícia. Assim, o crime ocorreu, mas não aparece na estatística.

Representatividade

Escolher representantes exige olhar além dos discursos de campanha. É preciso avaliar o que cada governante fez, como usou os recursos públicos e quais propostas apresenta para o futuro. O voto é uma decisão livre de cada pessoa. A CUT defende que ela seja tomada com informação, levando em conta quem tem compromisso com os direitos, os serviços públicos e as condições de vida da classe trabalhadora.