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Professores do Chile estão em greve há quatro semanas

Eles reivindicam melhores condições de trabalho e denunciam falta de investimentos em educação. Falta até produtos de limpeza nas escolas, dizem os professores

Publicado: 26 Junho, 2019 - 17h14

Escrito por: Redação CUT

Martin Bernetti/AFP
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A greve dos professores da rede pública do Chile por melhores condições de trabalho e contra a falta de investimentos completa quatro semanas e não tem prazo para acabar.

De acordo com os educadores, falta material pedagógico e até produtos de limpeza nas escolas. Para eles, a precarização do ensino abre caminho para a privatização da educação no país.

E o governo não quer dialogar com a categoria. A ministra da Educação, Marcela Cubillos, se limitou a pedir que eles voltem a dar aulas, sem indicar que pretende abrir as negociações.

O presidente da Ordem dos Professores, entidade que agrupa docentes da educação básica, Mario Aguilar, afirmou que a postura da ministra é “intransigente e dura”, e disse que poderá solicitar uma intervenção do presidente do Chile, Sebastián Piñera, para que as negociações voltem a ocorrer.

Os professores também pedem que o governo revogue alguma das medidas  anunciadas pelo Ministério da Educação do Chile em maio deste ano, como a alteração nas disciplinas de História, Educação Física e Artes na grade curricular, que deixarão de ser obrigatórias para o segundo e terceiro ciclo a partir de 2020.

“É uma medida absurda rechaçada por toda a sociedade chilena. O governo não tem interesse em formar cidadãos, apenas produtores e consumidores, de acordo com uma visão empresarial”.

“A disciplina de história é importante para o desenvolvimento do pensamento crítico, mas eles não querem cidadãos críticos”, afirmou Aguilar em entrevista ao jornal argentino Página/12.

Segundo ele, “esta é uma greve que tem caráter indefinido, mas esperamos que não se prolongue tanto e isso depende do governo. Estamos dispostos a reiniciar um diálogo e conversar, mas com respostas concretas e não como aconteceu na sessão anterior, onde ficamos trabalhando por meses e o governo nos desrespeitou com uma resposta que não significa nada”.

Demandas específicas

Em meio à mobilização nacional, as professoras de educação infantil reivindicam que os representantes da categoria incorporem alguns pontos à pauta apresentada ao Ministério da Educação. Elas denunciam que são desvalorizadas, recebendo salários menores, por atuarem em uma área composta majoritariamente por mulheres.

Segundo Rosario Olivares, porta-voz da Rede Docente Feminista (Redofem), as professoras representam 75% da categoria e, por isso, devem apresentar suas demandas específicas ao Ministério de Educação.

Como continuidade às manifestações das estudantes universitárias chilenas em defesa de uma educação não-sexista, as participantes da greve exigem também que este seja um dos temas abordados nas futuras negociações.

Com informações do Nodal e apoio do Brasil de Fato.