Escrito por: Luiz R Cabral / André Accarini

“Principal pauta do 1° de Maio é redução da jornada de trabalho”, diz Sérgio Nobre

Presidente da CUT participou de ato organizado pelo SMABC, reforçando o caráter de pressão para que o fim da escala 6x1 seja votada no Congresso. “É clamor da sociedade”, disse em entrevista

Dino Santos

Em São Bernardo do Campo, no ABC paulista, o presidente nacional da CUT, Sérgio Nobre, celebrou o 1° de Maio – Dia do Trabalhador e da Trabalhadora – destacando que a data, em 2026, tem como pauta principal a redução da jornada de trabalho. Durante ato organizado pelo Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, o dirigente concedeu entrevista à TVT, falando sobre as lutas da classe trabalhadora.

“A principal pauta deste 1° de Maio é a redução da jornada de trabalho, sem a redução salarial e também com o fim da escala 6 por 1”, disse o presidente da CUT. Ele citou ainda a principal liderança do país, o  presidente Lula, ao falar sobre o tema. “Lula tem razão. Nós estamos em pleno século 21 e estamos com  uma jornada de trabalho de dois séculos atrás e isso é inadmissível”, afirmou.

Sérgio Nobre explica que se trata de uma demanda nacional urgente e que significa mais qualidade de vida. “É um clamor da sociedade brasileira que as pessoas precisam ter mais tempo com a família para ser um pai melhor, uma mãe melhor, acompanhar os filhos e é uma demanda que o Congresso Nacional, que tem que se sensibilizar”.

Ao citar o Congresso Nacional, o presidente da CUT destacou que o espírito é de pressão sobre o legislativo, em especial, para que o fim da escala 6x1 seja votado ainda durante o mês. No entanto ele reforça que há outras duas pautas também fundamentais. Uma delas é a regulamentação do trabalho de entrega e transportes por aplicativos.

“São muitos jovens que trabalham nos iFood e nos 99 ‘da vida’ e que estão fora  do sistema de proteção social, de proteção trabalhista também, que podem cair da moto, acidentar com o carro e não ter quem o ampara”. 

Ele reforçou que a regulamentação do setor é urgente para esses trabalhadores tenham direitos trabalhistas assegurados.

Outra pauta de destaque é o direito de negociação coletiva dos servidores públicos. “Por incrível que pareça, servidor público, seja municipal, estadual e federal, não têm a negociação coletiva assegurada por lei e nós queremos que haja essa garantia legal do direito à  negociação coletiva”. 

Mobilização                                                

O presidente nacional da CUT ao final da entrevista, parabenizou a classe trabalhadora de todo o país e reforçou o caráter de pressão neste 1° de Maio.

“As manifestações estão acontecendo no Brasil inteiro, em todos os municípios. São milhares de trabalhadores que estão fazendo manifestação e, tenho certeza, que o Congresso Nacional vai ouvir a voz das ruas e que vai votar esses três temas que, para nós, são importantes: fim da escala 6 por 1, regulamentação do trabalho em aplicativo e o direito de negociação dos servidores públicos.

Ato no ABC

O 1° de Maio organizado no ABC reuniu cerca de 75 mil pessoas e também contou com a presença de lideranças políticas, entre elas o ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos; o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho; e o ex-ministro da Fazenda, Fernando Haddad.

Para Haddad, “a batalha deste ano é fazer o Congresso aprovar, antes das eleições, a revisão da jornada 6x1. Para isso, o país precisa do ânimo e da mobilização dos trabalhadores e das trabalhadoras para dialogar com deputados, deputadas, senadores e senadoras, pressionando pela votação da emenda constitucional que estabelece a jornada de 40 horas semanais, com dois dias de descanso e sem redução de salário”.

Já Boulos defendeu um conjunto de medidas para reequilibrar a relação entre empresas e trabalhadores por aplicativos, incluindo a exigência de maior transparência nos critérios de remuneração, a criação de programas de proteção social e a implementação de um auxílio financeiro para a renovação de veículos. “Não é possível que milhares de trabalhadores sustentem esse setor sem regras claras, sem proteção e com rendimentos instáveis; o papel do Estado é garantir dignidade e condições justas de trabalho”, afirmou.

O ministro Luiz Marinho, ex-presidente da CUT, destacou avanços socioeconômicos do atual governo e afirmou que “a política de valorização do salário mínimo elevou a renda dos trabalhadores acima das projeções iniciais e contribuiu para a geração de mais de sete milhões de empregos”.

Marinho também defendeu a modernização das relações de trabalho, incluindo a revisão da jornada, com o fim da escala de seis dias semanais, e afirmou que a agenda busca “conciliar aumento da produtividade com melhoria das condições de vida da classe trabalhadora”.

Luiz Marinho, Moisés Seleges e Guilherme Boulos

O ato teve cerca de 12 horas de duração. Além das falas políticas, foram realizadas atividades culturais. O público acompanhou apresentações musicais ao longo de todo o dia. Entre elas, MC IG e Filho do Piseiro, além de grupos e artistas como Grupo Intimistas, Grupo Entre Elas, Marquinhos Sensação, Alex Rocha, Gordinho da Pisada, Kadu do Piseiro, Grupo SP5, Grupo Razão, Hyaguinho Vaqueiro, Don Ernesto, Samba de Luz e Samba e Amigos.

As imagens são de Adonis Guerra e Dino Santos.

A noite do 1º de maio em São Bernardo do Campo terminou com show de Gloria Groove.

 

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Atos pelo país

As mobilizações do 1° de Maio reuniram trabalhadores e trabalhadoras em diversas regiões do país, com atos políticos, caminhadas, festivais e atividades culturais. Neste ano, uma pauta central unificou as manifestações - o fim da escala 6x1, associado à defesa da redução da jornada de trabalho sem redução de salários. 

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