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Povos da Amazônia Lançam Carta Pública Contra Hidrovia

Encontro organizado pela CUT no Pará formou aliança para construção de um modelo de desenvolvimento da região

Publicado: 16 Novembro, 2019 - 14h50 | Última modificação: 16 Novembro, 2019 - 15h01

Escrito por: Wanderson Lobato, especial para Portal CUT

Wanderson Lobato
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Neste sábado (16), no final do Encontro dos Povos das Águas dos Baixos Rios Tocantins, realizado na cidade de Cametá, no estado do Pará, foi lançada uma carta pública contra o projeto de construção da Hidrovia Araguaia-Tocantins, pretendido pelo governo federal.

No documento, as lideranças dos diferentes movimentos e organizações da sociedade afirmam que o projeto não atende os interesses da região e deve afetar de forma irreversível o modo de vida das populações locais, que ainda hoje sofrem os danos causados pela construção da barragem de Tucuruí.

“Sabemos que tal projeto atende principalmente aos interesses do grande capital transnacional, aqui representado pelo agronegócio na produção de soja e a exploração mineral. E está inserida na lógica que prioriza a utilização dos rios da Amazônia não pelas populações locais, mas em benefício destas empresas transnacionais, num crescente processo de privatização dos recursos hídricos nacionais”.

Organizado pela CUT Nacional, CUT Pará e Fetagri Pará, com o apoio do Solidary Center, o instituto de cooperação da AFL-CIO, entidade sindical dos Estados Unidos, o Encontro reuniu durante três dias dezenas de lideranças da chamada Amazônia Tocantina.

Carmen Foro, Secretária-Geral da CUT

 

Filha da região, a Secretária-Geral da CUT Nacional, Carmen Foro, afirmou que o Encontro foi um sucesso, pois garantiu a mobilização e aliança dos povos contra o empreendimento, mas também apontou caminhos para a construção coletiva de um modelo de desenvolvimento para a área de influência do rio.

“Estamos aqui recuperando a ideia de um projeto de vida para a Região Tocantina. Este é um projeto de todos nós, não existe um projeto de determinado setor, mais um projeto de todos. Assumimos um compromisso enquanto coordenação e vamos produzir um material pra espraiar e contar pra todo mundo o que é esta hidrovia e dizer que este é um projeto de morte”, afirmou.

Além disso, as lideranças decidiram se reorganizar em torno do Movimento em Defesa e Desenvolvimento da Região Tocantina (MODERT), entidade teve papel importante na mobilização dos povos da região nas ações contra os danos da barragem de Tucuruí.

“Vamos fazer a voz da região chegar em todos os cantos. Este foi um encontro rico de ideias que precisamos organizar. Então, em janeiro, vamos realizar um novo encontro das nossas lideranças para planejar cada passo do que foi falado e decidido aqui”, afirmou Carmen Foro.