Escrito por: Redação CUT

Presos engenheiros da Vale responsáveis por laudos de barragem de Brumadinho

Profissionais são apontados como responsáveis diretos por laudo que atestou segurança da Barragem 1, da mineradora Vale, em Brumadinho (MG). Prisão tem caráter investigativo

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Cinco engenheiros da Vale, dois deles terceirizados, responsáveis pelos por laudos que atestaram a estabilidade da Barragem 1, da mineradora Vale, que se rompeu em Brumadinho (MG), foram presos na manhã desta terça-feira (29) em uma operação envolvendo a Polícia Federal, o Ministério Público Federal e as polícias Civil e Militar de Minas Gerais.

Os mandados de prisão preventiva foram emitidos no último domingo (27) e o objetivo é apurar a responsabilidade criminal pela tragédia que despejou cerca de 12 milhões de metros cúbicos de lama na região e deixou ainda um saldo de 65 corpos e 279 pessoas  desaparecidas, segundo boletim do Corpo de Bombeiros divulgado na noite desta segunda (28).

De acordo com reportagens dos portais de notícias, três dos engenheiros contratados diretos pela Vale, Cesar Augusto Paulino Grandchamp, Ricardo de Oliveira e Rodrigo Arthur Gomes de Melo, são apontados como responsáveis pelo licenciamento da Barragem Córrego do Feijão.  

Os outros dois engenheiros, Makoto Namba e André Jum Yassada, são contratados pela empresa alemã Tüv Sud que presta serviços à mineradora brasileira. Eles foram presos em São Paulo, também na manhã desta terça-feira, e levados a Belo Horizonte.

Um laudo de estabilidade da barragem foi assinado em setembro passado por Namba e Grandchamp. O documento mostra a indicação de “dano potencial alto”, porém em “categoria de risco baixo”.

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Para a juíza da Comarca de Brumadinho, Perla Salibo Brito, os laudos demostram “indícios de autoria ou participação dos representados nas infrações penais de falsidade ideológica, crimes ambientais e homicídios, punidos com reclusão”.

Além dos mandados de prisão, a juíza também autorizou a apreensão de computadores e aparelhos celulares, para que a polícia tenha acesso a conteúdos, como mensagens de texto, especialmente no Whatsapp.

A Promotoria afirma que ainda não é possível falar em suspeita de fraude, imperícia ou negligência. A hipótese só pode ser levantada depois dos depoimentos dos engenheiros presos.

Nota da Vale

No site da Vale, a direção da empresa não fala explicitamente sobre as prisões de seus funcionários e dos terceirizados. Em nota, diz apenas que “está colaborando plenamente com as autoridades” e que “permanecerá contribuindo com as investigações para a apuração dos fatos, juntamente com o apoio incondicional às famílias atingidas”.

Os engenheiros

Makoto Namba é funcionário da alemã TÜV SUD, empresa especializada em certificação, testes e inspeções, contratada pela Vale. Na página da empresa na internet está publicado o slogan “Inspirando confiança ontem, hoje e amanhã”.

André Jum Yassada também funcionário da empresa alemã, exerce cargo de direção. Tanto ele quanto Namba, moram em São Paulo.

César Augusto Paulino Grandchamp é geólogo e engenheiro da Vale.

Ricardo de Oliveira, também funcionário da mineradora, exerce o cargo de Gerente de Meio Ambiente, Saúde e Segurança do Corredor Sudeste da Vale.

Rodrigo Arthur Gomes de Melo é Gerente Executivo Operacional da mineradora, e responsável pelo complexo de Paraopeba.