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Plano de demissão da Eletrobras antecipa privatização, alerta FNU

Reabertura do plano serve para "intimidar" funcionários a saírem antes de uma eventual privatização. Redução deve precarizar serviços: "maior prejudicado é o consumidor", diz diretor dos urbanitários

Publicado: 30 Outubro, 2018 - 14h13

Escrito por: Redação CUT

Agência Brasil
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A prorrogação até o dia 9 de novembro do Plano de Demissão Consensual (PDC), anunciado pela Eletrobras nesta segunda-feira (29), é uma espécide de "intimidação" aos funcionários para que optem agora pela saída, frente a um possível cenário mais nebuloso no futuro", diz o o diretor da Federação Nacional dos Urbanitários (FNU-CUT) e do Coletivo Nacional dos Eletricitários, Fernando Pereira.

A alta do desemprego, confirmada nesta terça-feira (30), pela pesquisa do IBGE que apontou um total de 27,3 milhões de pessoas sem emprego no Brasil, desestimula os trabalhadores a se desligarem, na opinião do dirigente que alerta ainda para o problema da qualidade do serviço prestado a população.

 

O plano de demissão, que também inclui funcionários da Cepel, Companhia de Geração Térmica de Energia Elétrica – Eletrobras (CGTEE), Chesf, Eletronuclear, Eletronorte, Amazonas GT, Eletrosul e Furnas, contou com a adesão de 733 empregados. O objetivo é atingir 2,4 mil funcionários com mais de dez anos de casa e que, portanto, recebem melhores salários, o que renderia uma economia estimada de cerca de R$ 1 bilhão anual, segundo a Eletrobras.

Segundo Fernando, os trabalhadores com mais de uma década de serviços prestados passaram por longos períodos de treinamento e especialização. A saída desse pessoal mais qualificado, portanto, tende a precarizar o fornecimento de energia aos consumidores domésticos e industriais.

"Na medida em que se substitui esse quadro especializado por pessoas com menos qualificação, que ganham menores salários, a tendência é precarizar a prestação dos serviços. Eles só estão preocupados, infelizmente, com os custos desses trabalhadores, e não com a qualidade."

Ele diz que o serviço prestado até o momento é de "excelência", com raros casos de interrupção no fornecimento de energia. Já com o corte dos funcionários mais experientes, ele prevê o aumento nos casos de desligamento.

"É um sistema que tem uma continuidade, e assim todo mundo é beneficiado, a população é beneficiada e principalmente as indústrias, que consomem muita energia. Quem vai ser o maior prejudicado é o consumidor", afirma o dirigente.

A privatização do sistema, alerta Fernando Pereira, acarretaria ainda no aumento da tarifa de energia para os consumidores. Ele cita distribuidoras de energia recém-privatizadas que reajustaram os preços bem acima da inflação, como a Cemar, distribuidora do Maranhão, que em agosto reajustou a tarifa em 16%, para uma inflação anualizada em 4,5%, segundo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) do IBGE.

Apesar da redução de quadro com vistas à privatização, o dirigente afirma que o novo governo não deve conseguir realizar a venda das empresas do sistema Eletrobras, num primeiro momento, tanto por ser uma questão que causa divergências no interior da própria equipe – com o futuro ministro da Economia, Paulo Guedes, sinalizando pela venda, e o presidente eleito, Jair Bolsonaro, dizendo o contrário –, quanto pela própria resistência dos trabalhadores, que continuarão a lutar pelo fortalecimento do caráter público da Eletrobras e de suas empresas. "Estamos atentos, não podemos baixar a guarda."

 

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