O tempo passa e o governo do Rio de Janeiro continua mostrando seu descaso com os trabalhadores da Pesagro. Há quase 11 anos sem reajuste, eles reivindicam reposição de 103% e aumento do valor do tíquete-alimentação dos atuais R$ 8 para R$ 16.
Depois de sete reuniões, iniciadas em 2011 – três com a diretoria, uma com a Secretaria de Planejamento e mais três na Subdelegacia Regional do Trabalho -, até agora a empresa não acenou com nenhuma possibilidade de dissídio coletivo para a conclusão da negociação do ACT.
De acordo com Saul Ribas Filho, diretor suplente da Regional Sudeste do SINPAF e vice-presidente da Seção Sindical Pesagro Campos, a direção da empresa alega que o governo ainda não se posicionou sobre as demandas. “Em julho, tivemos uma reunião com o secretário de Agricultura e não deu em nada”, relata.
Para Saul, o desprezo com os trabalhadores reflete a falta de prioridade do governo fluminense em relação ao desenvolvimento agropecuário no estado. “A Pesagro precisa urgentemente de contratações. Já chegou a ter 700 funcionários hoje tem 300, para atender a uma grande demanda dos produtores. Hoje, o estado do Rio compra de fora mais de 95% do que consome. O investimento na empresa poderia amenizar bastante essa situação”, avalia.
A Diretoria Nacional lamenta o perfil dos gestores do Rio de Janeiro. “Não foi por falta de diálogo que ainda não conseguimos formalizar um acordo coletivo na empresa. Ainda esperamos um desfecho positivo no Ministério Público do Trabalho”, afirma Vicente Almeida.
Para o presidente do SINPAF, é preciso concluir a negociação para dar início a discussões como a possibilidade de fusão com a Emater. “Lamentamos muito essa posição autoritária dos gestores estaduais, pois parece que esse assunto tem sido tratado às escuras. Se a fusão for inevitável, que seja discutida com os trabalhadores e lhes traga benefícios”. Ele lembra que seções sindicais dessa base estão sendo revitalizadas para que o SINPAF possa fazer uma atuação mais eficaz de pressão sobre o governo e os gestores da empresa.