Escrito por: William Pedreira

Paralisação de caminhoneiros atinge a indústria alimentícia

Cerca de 400 mil trabalhadores estão com atividades afetadas de forma integral ou parcial

Arquivo/Contac

A paralisação de caminhoneiros e o bloqueio de estradas em diversos estados do País tem provocado dificuldades para outros setores da economia. Como na indústria alimentícia, especialmente nas regiões sul e centro-oeste - principais polos de produção -, cuja logística demanda a utilização de caminhões como meio de transporte.

De acordo com Siderlei Oliveira, presidente da Contac/CUT (Confederação Nacional dos Trabalhadores na Alimentação), cerca de 400 mil trabalhadores estão com as atividades paralisadas de forma integral ou parcial por falta de matéria-prima.

“A indústria alimentícia tem que abater, elaborar e entregar o produto, pois não possui condições de estocar alimentos perecíveis”, explicou. “Quando tem estoque, não pode entregar. Um caminhão que faz o carregamento da produção de frango em Colombo (PR), por exemplo, não consegue levar o produto até o destino final”, complementou.

O dirigente relaciona as dificuldades nas negociações à ausência de lideranças, a falta de direcionamento e as revindicações confusas apresentadas pelo movimento. “O governo precisa intervir, verificar a suspeita de que esteja ocorrendo um locaute – quando a greve é incentivada pelo empregador – e, caso haja reivindicações justas, dialogue com os representantes da categoria para por fim nesta paralisação que tem prejudicado a produção de alimentos no País.”

Os reflexos já podem ser percebidos nos supermercados. Segundo o presidente da Contac, corre-se o risco de faltar produtos nas prateleiras nos próximos dias. “Já há uma corrida da população aos supermercados para comprar alimentos. E esse desabastecimento poderá gerar um caos”, disse.