Escrito por: Redação CUT | texto: André Accarini

O que a direita não conta sobre o preço dos alimentos

Fim dos estoques públicos, enfraquecimento da agricultura familiar e fim da valorização do salário durante governo Bolsonaro ocasionaram alta de preços. Saiba quais ações vêm sendo feitas para atenuar situação

Tania Rego/Agência Brasil

O preço dos alimentos está entre as principais preocupações dos brasileiros. Qualquer aumento no arroz, no feijão, na carne, no café ou no óleo é sentido imediatamente no orçamento das famílias. Mas, para entender por que a comida pesa no bolso, é preciso, como diz o ditado, dar nome aos bois.

Durante o governo de Jair Bolsonaro, a extrema direita atribuía os aumentos ao clima, às safras e às oscilações do mercado internacional. O que não contava — e continua sem contar — é que as decisões tomadas naquele período contribuíram para encarecer os alimentos e reduziram a capacidade do país de enfrentar a carestia.

Os preços ainda pesam no orçamento porque partem de um patamar elevado, construído após sucessivos aumentos. Desde 2023, o governo Lula vem tentando reconstruir os instrumentos públicos desmontados no período anterior, ampliar a produção e recuperar a renda das famílias.

Veja os fatos: o que a direita não conta

Estas são algumas das decisões do governo Bolsonaro que contribuíram para o aumento dos preços e cujos efeitos ainda são sentidos:

A autonomia do Banco Central, aprovada em 2021, também reduziu a capacidade de o governo fazer um contraponto às decisões sobre os juros. Além disso, a Selic tem efeito limitado sobre uma inflação provocada por secas, enchentes ou falta de produtos. Juros altos não recuperam uma lavoura nem repõem alimentos perdidos. Mas isso não foi problema para o governo Bolsonaro, que a partir de 2022 promoveu alta substancial da taxa.

Preço alto não é o mesmo que aumento maior

A comida ainda está cara, mas isso não significa que continue aumentando no mesmo ritmo do governo Bolsonaro. Desde 2023, a inflação dos alimentos ficou em 13,6%, muito abaixo dos 54,2% acumulados durante o governo anterior e menor, inclusive, do que a inflação geral do período.

“Há uma diferença entre o preço do produto em si e os seus aumentos, ou a inflação. O preço dos alimentos tem tido comportamento bem mais favorável após 2023. Apesar de pesar muito no bolso, se o patamar de aumento de preços verificada até 2022 fosse mantida, eles estariam muito mais altos”, afirma o economista do DIEESE Leandro Horie, com base no IPCA e também nos preços verificados na Cesta Básica.

O que foi feito para “arrumar a casa”

Desde 2023, uma série de medidas vem sendo adotada para recuperar a produção, o abastecimento e o poder de compra:

Política de resultados

As medidas não fizeram a comida voltar imediatamente aos preços anteriores. Reconstruir estoques, recuperar estruturas de armazenamento, ampliar a produção e elevar a renda exige tempo. Os indicadores, no entanto, mostram que a trajetória mudou:

Isso não significa que a comida esteja barata ou que o problema tenha sido resolvido. Os preços ainda partem do elevado patamar deixado pelo governo Bolsonaro.

O que a direita não conta é que suas próprias decisões ajudaram a criar o problema que agora utiliza no discurso político. Também não conta que, desde 2023, políticas públicas vêm sendo reconstruídas para conter os aumentos, ampliar a oferta e recuperar o poder de compra.

Sem estoques públicos, apoio à produção, redução de impostos e valorização da renda, os efeitos das crises climáticas e das oscilações internacionais poderiam ter chegado com força ainda maior à mesa dos brasileiros