Políticas públicas, crescimento econômico e mercado de trabalho melhoraram o índice de jovens empregados e estudando, analisa diretora-técnica do Dieese
Políticas públicas voltadas à juventude junto com o crescimento econômico e a melhora do mercado de trabalho contribuíram para ampliar as oportunidades de trabalho e estudo entre os jovens brasileiros, segundo análise da diretora-técnica do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Adriana Marcolino.
A combinação desses fatores ajudou a reduzir o número de jovens que estão simultaneamente sem trabalho e fora da escola. É nesse contexto que o número de jovens sem trabalho e fora da escola caiu para 8,8 milhões no segundo trimestre de 2026, o equivalente a 17,9% dos jovens de 14 a 29 anos. É o menor contingente dos últimos dez anos. Em 2020, eram 14,6 milhões, segundo dados da Pnad Contínua do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A melhora do mercado de trabalho aparece diretamente nos números. O emprego formal subiu tanto entre os jovens que estudavam e os que estavam fora da escola e o número de desempregados caiu, mostra o Boletim Emprego em Pauta nº 34 do Dieese.
Entre o segundo trimestre de 2022 e o mesmo período de 2026, o emprego formal entre os jovens que não estudavam cresceu 6,2%. No mesmo período o número de jovens desempregados à procura de trabalho caiu 42%. A quantidade daqueles que trabalhavam e estudavam também aumentou 2,8%.
A taxa de desemprego juvenil chegou a 10% no segundo trimestre de 2026, o menor nível da série histórica. Entre as pessoas com 30 anos ou mais, a taxa era de 3,7%.
Apesar da melhora, os jovens ainda enfrentam condições menos favoráveis no mercado de trabalho. Ao todo, 26,6 milhões de jovens de 14 a 29 anos estavam trabalhando no segundo trimestre de 2026. O rendimento médio era de R$ 2.459, enquanto entre os trabalhadores com 30 anos ou mais chegava a R$ 3.621. Além disso, 41% dos jovens ocupados recebiam até um salário mínimo.
Educação – um dos pilares para a melhoria da vida dos jovens
A classificação de jovens que nem estudam, nem trabalham como “nem, nem”, porque querem viver assim, é contestada pela diretora-técnica do Dieese, Adriana Marcolino, que prefere a classificação “sem, sem”, para mostrar que o problema não está nos jovens, mas na falta de oportunidades.
Para ela, os dados mostram outra realidade: estar sem trabalho e fora da escola muitas vezes é uma situação passageira e está relacionada às dificuldades de acesso ao emprego e à educação.
No segundo trimestre de 2026, 60% dos jovens nessa situação estavam envolvidos em outras atividades, como procura por trabalho, afazeres domésticos ou cursos fora da educação regular. Apenas 2% disseram que não queriam trabalhar.
“A queda registrada em 2026 mostra a importância de manter e ampliar políticas que atuem sobre os dois lados desse processo: garantir que o jovem consiga permanecer na escola e criar oportunidades para que possa ingressar em um mercado de trabalho com emprego e renda”, diz Adriana.
A importância de políticas de permanência estudantil é ainda maior porque as oportunidades não são iguais para todos. O Dieese aponta que jovens de famílias com melhores condições socioeconômicas têm mais chances de continuar estudando depois do ensino médio, enquanto os de famílias mais pobres enfrentam maiores dificuldades na transição entre a escola e o trabalho.
Por isso que políticas públicas positivas, segundo o técnico do Dieese, que ajudaram a melhorar o nível de emprego dos jovens está o Pé-de-Meia, que garante a permanência dos jovens na escola ao oferecer um apoio financeiro durante o ensino médio.
“A política é especialmente importante para estudantes que poderiam abandonar os estudos por dificuldades econômicas. Ao lado da geração de empregos e da ampliação das oportunidades de aprendizagem profissional, medidas como o Pé-de-Meia contribuem para que os jovens tenham melhores condições de continuar estudando e, posteriormente, ingressar no mercado de trabalho”, conclui Adriana Marcolino.