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Metalúrgicos vão ao BNDES: mais um passo para viabilizar a aquisição da Ford

Segundo relato dos sindicalistas, banco informou que pode financiar a modernização da fábrica e dos produtos, depois que o negócio for concluído

Publicado: 21 Novembro, 2019 - 09h33 | Última modificação: 21 Novembro, 2019 - 11h01

Escrito por: Vitor Nuzzi, da RBA

ADONIS GUERRA/SMABC
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Representantes dos metalúrgicos reuniram-se na terça-feira (19) com a superintendência do BNDES em São Paulo, para esclarecer questões relacionadas à aquisição da Ford de São Bernardo do Campo, no ABC paulista, pelo grupo Caoa. A unidade encerrou atividades no final de outubro, e a Caoa há alguns meses discute a compra da fábrica, para inicialmente produzir caminhões.

Foi uma conversa esclarecedora, avaliou o presidente do Instituto Trabalho, Indústria e Desenvolvimento (TID), Rafael Marques, ex-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC e ex-funcionário da própria Ford – ele saiu no último dia 4, após 32 anos e 11 meses de empresa. Ao lado do atual presidente do sindicato, Wagner Santana, o Wagnão, e de outros dois diretores, ele participou de reunião por videoconferência com o superintendente da área industrial do banco, Marcos Rossi Martins, e mais dois representantes do BNDES.

Segundo Rafael, o banco informou que não existe linha de crédito direcionada para aquisição de uma empresa privada por outra, mas há outras modalidades que poderão ser utilizadas pela Caoa, assim que a compra for formalizada. Fechado o negócio, o grupo poderia fazer o pedido de algumas linhas oferecidas pelo BNDES, para, por exemplo, financiar a modernização da unidade e dos produtos, além da atualização de um chamado motor Euro 6, uma tecnologia para veículos pesados que exigiria adaptação no Brasil.

Com as informações obtidas na reunião, os metalúrgicos vão solicitar uma reunião com a Caoa e uma audiência com o governador paulista, João Doria (PSDB), e seu secretário da Fazenda, o ex-ministro Henrique Meirelles. Eles vão cobrar participação do estado nas discussões. “Aparentemente, ele (Doria) abandonou o barco. Se ele disse para nós que ia correr até o final, achamos que é uma promessa. Não para o sindicato, mas para os trabalhadores da Ford. São mais de 4 mil empregos e mais de 20 mil na cadeia produtiva”, lembrou Rafael. “Esperamos uma conclusão positiva, que de fato recoloque a pauta do emprego.”

Com o fim da produção e o desligamento dos funcionários horistas, permanecem na fábrica em São Bernardo apenas trabalhadores da área de manutenção e administrativos. Rafael calcula que sejam em torno de mil, incluindo terceirizados. A Ford já informou que os mensalistas serão transferidos em março para São Paulo.

O presidente do TID acredita que o banco pode participar com uma parte “importante” do necessário para retomar a produção na fábrica de São Bernardo, inicialmente com caminhões e mais à frente inclusive com automóveis. Isso poderia acontecer, calcula Rafael, até abril, dependendo da negociação com novos fornecedores e da recontratação de pessoal, com prioridade para ex-funcionários da Ford. “Caminhões está pronto para religar rapidamente.”