Escrito por: CUT Brasil, com informações de Sind-Saúde Minas Gerais

MG: Luta dos funcionários impede fechamento de hospital

Após ameaça de fechamento e ocupação, governo recua e Hospital Galba Velloso volta a funcionar.

Sind-Saúde MG
Participantes da ocupação do hospital estiveram presentes à audiência na Assembleia Legislativa

Na terça-feira (8), após constatar que a Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig) pretendia fechar o Hospital Ortopédico Galba Velloso (HOGV), trabalhadoras e trabalhadores da Saúde ocuparam a unidade por tempo indeterminado e acabaram conquistando a reversão da decisão que iria eliminar centenas de empregos e estrangular ainda mais o atendimento de Saúde em Belo Horizonte.

Para levar adiante o plano de fechamento do hospital, a Fhemig estava realizando o levantamento patrimonial dos bens do hospital, depois de transferir a toque de caixa os pacientes que estavam internados.

A ação do governo estadual ocorreu logo depois que deputados da Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) assumiram a defesa do funcionamento do HOGV.  Na mesma terça-feira, parlamentares fizeram visita técnica às dependências do hospital antes de participarem de reunião no auditório lotado pelos servidores.

O esvaziamento do hospital pela gestão ocorreu um dia depois do Conselho Estadual de Saúde (CES-MG) denunciar que a decisão de fechamento não passou por nenhuma instância do controle social do SUS, tornando a medida irregular. No final da tarde de terça-feira (8), restavam apenas três pacientes internados no HOGV.

Histórico

Na semana anterior à ocupação, na manhã de 3 de agosto, ocorreu uma reunião entre o Sind-Saúde, a promotora da Saúde, a gestão da Fhemig e assessores de deputados para discutir a proposta de fechamento da Unidade Ortopédica Galba Velloso.

O Sindicato e a comissão de trabalhadores apresentaram relatórios técnicos e gráficos, além de propostas concretas para demonstrarem a viabilidade do serviço na unidade, e comprovando que a grande parte dos itens apontados pela Vigilância Sanitária já havia sido solucionada.

Para surpresa do sindicato, por volta das 12h30, os trabalhadores do Galba Ortopédico foram sido convocados de forma emergencial para uma reunião com o diretor do Hospital João XXIII, Sílvio Grandinetti Júnior e o vice-presidente da Fhemig, Alcy Pereira. Na reunião, ocorrida no início da tarde, os dois executivos informaram aos trabalhadores a necessidade de remanejamento imediato da equipe.

Desde entãio, os trabalhadores mantiveram um posicionamento de defesa intransigente dos serviços da unidade como um todo, além de também se posicionarem que esta defesa é a defesa do serviço público e do Sistema Único de Saúde (SUS). O Hospital Alba Ortopédico apresenta dados de referência no atendimento na especialidade no Estado e a Fhemig não divulgou nenhum estudo da incorporação dos pacientes no serviço de saúde. Em Minas Gerais, a fila por cirurgia ortopédica chega a 15 mil pessoas.

Vitória

Na quinta-feira (10), em audiência pública na Assembleia Legislativa de Minas Gerais, os trabalhadores do Hospital Ortopédico Galba Ortopédico comemoraram a vitória: foi suspenso o fechamento do hospital.

No mesmo dia, no final da tarde, os pacientes voltaram a ser encaminhados à unidade. A ocupação começou três dias antes. A mobilização dos trabalhadores foi intensa contra o fechamento. Os conselhos estadual e municipal de Saúde de Belo Horizonte também se posicionaram firmemente contra o fim do serviço. Veículos de comunicação da capital deram ampla cobertura à luta dos trabalhadores e trabalhadoras.

Ainda na noite de quarta-feira (9), vereadores de Belo Horizonte, em audiência pública na Câmara Municipal, já haviam se manifestado contrários ao fechamento do HOGV. Eles aprovaram visita ao hospital com base no fato de que, na gestão plena, quem paga e define políticas é o município.  

O apoio à continuidade dos serviços do  hospital cresceu ainda mais na manhã de quinta, quando ocorreu a audiência na ALMG, com a presença de representantes do Sindicato dos Motociclistas, Sindicato dos Médicos,  Conselho Regional de Medicina e Conselho Regional de Enfermagem.

A visibilidade que ganhou a luta pela defesa desse equipamento público de Saúde fez com que a gestão da Fhemig recuasse no desmonte do Hospital Galba Ortopédico. O presidente do Conselho Municipal de Saúde, Bruno Pedralva, reconheceu: “sem vocês, o Galba Ortopédico já tinha fechado”.

Durante a audiência, a promotora de saúde, Josely Ramos Pontes, alertou para o sucateamento das unidades da Fhemig. Segundo ela, o Estado nunca “experimentou” o investimento de 12% das receitas correntes na Saúde como manda a lei. “O governo está usando o dinheiro da Saúde para usar em outras prioridades”, disparou a promotora.

O Sind-Saúde segue na defesa incondicional dos serviços públicos de saúde de Minas Gerais e entende que a vitória na defesa do Galba Ortopédico se deve ao engajamento decidido dos trabalhadores. A luta continua, contra o fechamento de outras unidades ameaçadas da Fhemig e na defesa do Sistema Único de Saúde.