Em entrevista à BBC News Brasil e BBC News, ex-presidente defende que STF analise cada processo para absolver os inocentes e condenar apenas se houver provas de culpa
Em entrevista exclusiva concedida a BBC News Brasil e BBC News, publicada nesta quinta-feira (29), o ex-presidente Lula, falou sobre o governo de Jair Bolsonaro (PSL), a crise do meio ambiente, fake news, economia e Venezuela e também sobre a decisão tomada pela Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) que, por três votos a um, anulou a condenação do ex-presidente do Banco do Brasil e da Petrobras, Aldemir Bendine. Os magistrados entenderam que o ex-juiz Sergio Moro, atual ministro da Justiça, não garantiu a Bendine o amplo direito de defesa ao dar a ele e a delatores o mesmo prazo para alegações finais no processo.
A decisão da 2ª Turma pode servir de precedente para anular a condenação no caso do sítio de Atibaia em primeira instância, retrocedendo em algumas etapas o processo que já está em análise do Tribunal Regional da 4ª Região.
O ex-presidente aguarda ainda julgamentos de recursos que podem cancelar todos os seus processos originados na Justiça de Curitiba, caso o STF considere que Moro e os procuradores da força-tarefa da Operação Lava Jato do Paraná agiram de forma parcial. Flagrantes de condutas antiéticas e até criminosas vêm sendo revelados pela série de reportagens conhecida como Vaza Jato, a partir de reproduções de conversas em chats privados obtidas pelo The Intercept Brasil.
Questionado pela BBC News Brasil se sentia esperançoso sobre o julgamento dos seus recursos no Supremo e se achava que toda a Lava Jato deveria ser anulada, Lula cobrou “seriedade” da Corte para analisar cada processo, avaliar quem é culpado ou inocente com base nas provas e respondeu: “Não, eu acho que a operação Lava Jato tem coisas que foram verdade, tem pessoa que confessou. Se o cara confessou que roubou, o cara é ladrão”.
Para Lula, a Lava Jato, instrumento originalmente criado para combater a corrupção, deve obrigatoriamente seguir as leis e a Constituição. “É só pegar os delatores, porque ficou fácil roubar no Brasil. O cara rouba, vem aqui, delata quem roubou, fica com metade e tá livre? Só falta começar a colocar pulseira de ouro no pé das pessoas, pra pessoa colocar no testamento a pulseira de ouro. Não, eu acho que tem que ter seriedade. Se o cidadão, Luiz Inácio Lula da Silva, cometeu um delito, e tem prova que ele cometeu um delito, não adianta o seu Lula falar grosso, ele tem que ser condenado e tem que ser punido como qualquer cidadão. Assim reza a nossa Constituição. Mas se esse Luiz Inácio Lula da Silva, depois de todas as provas for inocente, humildemente, tem que ser inocentado. E é isso que eu espero deles.”