Em 12 meses, a economia na renda pode equivaler a quase um 14º salário
Entrou em vigor em 1º de janeiro de 2026 a isenção do Imposto de Renda para trabalhadores que recebem até R$ 5 mil mensais. A medida, defendida historicamente pela CUT, altera de forma concreta a renda disponível de milhões de brasileiros e recoloca no centro do debate a estrutura regressiva do sistema tributário nacional.
Pelas regras anteriores, um trabalhador com salário bruto de R$ 5 mil recolhia, em média, R$ 312 por mês ao Fisco, já consideradas as deduções legais. Com a nova faixa de isenção, esse valor permanece integralmente no contracheque.
Em termos proporcionais, a mudança representa acréscimo de aproximadamente 6% no rendimento líquido, sem ampliação da jornada ou necessidade de negociação salarial. Ao longo de 12 meses, a economia chega a R$ 3.744 — montante equivalente a quase um 14º salário.
Impacto direto no orçamento das famílias
Para trabalhadores que operam no limite do orçamento doméstico, a diferença é significativa. O valor mensal preservado pode reforçar despesas essenciais, como alimentação, moradia, transporte, tributos locais — caso de IPTU e IPVA — e material escolar.
Outro efeito esperado é a redução da dependência do crédito rotativo e do cheque especial, modalidades com juros elevados que comprimem a renda disponível e ampliam o endividamento.
Na avaliação da CUT, a ampliação da faixa de isenção corrige parcialmente uma distorção histórica: a elevada carga incidente sobre salários, enquanto rendimentos do capital e grandes patrimônios permanecem proporcionalmente menos tributados.
Repercussão macroeconômica
O impacto não se restringe ao orçamento individual. Estudo do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) projeta que a medida deverá injetar R$ 26,2 bilhões por ano na economia. Desse total, R$ 20,9 bilhões correspondem a trabalhadores celetistas e R$ 5,2 bilhões a servidores estatutários.
A expectativa é de fortalecimento do consumo das famílias, com reflexos no comércio e na produção interna. Trata-se de recursos que tendem a circular no mercado doméstico, estimulando a atividade econômica e a geração de empregos.
Os Dados do Dieese indicam que 75% da população apoiam a ampliação da isenção e 60% defendem a taxação dos super-ricos, embora 56% ainda desconheçam a política já em vigor. Para a entidade, ampliar a informação é uma parte importante para sedimentar essa conquista do trabalhador.
Leia o documento completo do Dieese, clique aqui.
Continuamos na luta
Agora, no centro da agenda da CUT, está o enfrentamento da jornada 6x1 — modelo que impõe seis dias consecutivos de trabalho para apenas um de descanso. A central defende a redução da jornada, sem redução salarial, como medida estruturante para garantir qualidade de vida, saúde mental e convivência familiar.