Ministro da Fazenda afirma que dono da Entre Investimentos recebeu dinheiro do crime organizado; Piauí revela que Flávio Bolsonaro viajou com a família em avião de dono do banco Master, Daniel Vorcaro
Dois escândalos envolvendo o candidato à presidência Flávio Bolsonaro com o dono do Banco Master Daniel Vorcaro, que está preso, vieram à público nesta quinta-feira (24). Flávio já é investigado pela PF por lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção.
Reportagem da revista piauí revelou que o candidato do PL à presidência da República, Flávio Bolsonaro, viajou em janeiro de 2025 em um jato executivo ligado ao ex-banqueiro investigado nas fraudes relacionadas ao Banco Master. O voo ocorreu entre Fort Lauderdale, nos Estados Unidos, e Brasília.
Outro escândalo se refere ao financiador do cinebiografia de Jair Bolsonaro, pai de Flávio, Dark Horse, que recebeu dinheiro do crime organizado, segundo denúncia do ministro da Fazenda, Dario Durigan, ao comentar a ação da terceira fase da Operação Carbono Oculto, deflagrada hoje pelo Ministério Público de São Paulo e pela Receita Federal.
De acordo com a matéria da Piauí, publicada na noite de quarta-feira (23), a viagem de Flávio foi feita em família, com a mulher Fernanda Antunes Figueira Bolsonaro, e as duas filhas do casal. Entre os passageiros estava o advogado e empresário Willer Tomaz, que é amigo do presidenciável. Willer é investigado no esquema de desvios bilionários do INSS.
Após a divulgação da reportagem, Flávio Bolsonaro comentou o caso em uma publicação nas redes sociais, em tom de ironia.
“Ainda bem que na época o avião era de Willer. Imagina se fosse agora, eu teria viajado no avião de Alexandre de Moraes”, escreveu.
O jato citado pela revista é um Legacy 650 operado pela empresa Prime You, que teve Daniel Vorcaro entre seus sócios. De acordo com a reportagem, trata-se da mesma aeronave utilizada posteriormente pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes.
A revista piauí relata ainda que a viagem ocorreu durante negociações para o financiamento do filme Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro. Segundo a publicação, após retornar ao Brasil, Flávio Bolsonaro teria cobrado interlocutores para acelerar a liberação dos recursos prometidos ao projeto.
Financiador do filme de Jair Bolsonaro recebeu dinheiro do crime organizado
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse nesta quinta-feira (24) que Antônio Carlos Freixo Júnior, o “Mineiro”, dono da Entre Investimentos, recebeu dinheiro do crime organizado. A Entre tem participação no financiamento de Dark Horse, filme que conta a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro e que teve recursos do Banco Master, de Daniel Vorcaro.
A ação de hoje, terceira fase da Operação Carbono Oculto, foi deflagrada pelo Ministério Público de São Paulo e pela Receita Federal.
“Estamos falando da administradora de um grupo empresarial, que é o Grupo Entre, que recebia dinheiro tanto do Master quanto do crime organizado e dentro de um mesmo bolso. Tudo indica que o recurso que dá liquidez para essas operações vem de uma mesma entidade, de um mesmo bolso”, afirmou o ministro em entrevista em Brasília.
Para Durigan, o dinheiro recebido pela Entre foi utilizado para lavar dinheiro, para corromper.
Estamos falando de um mesmo fundo, de onde dinheiro de diferentes lugares foi parar, seja do Master, seja do crime organizado, seja de figuras que já estão com delação premiada no Ministério Público de São Paulo ou no Ministério Público Federal".
Antônio Carlos Freixo Junior fechou acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República para as investigações do escândalo do Banco Master.
Cerco ao Master se fecha
O Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF) decidiu, nessa quarta-feira (23), de forma unânime, em sessão fechada, bloquear até R$ 2,7 bilhões em contas e bens de cinco ex-dirigentes do Banco Regional de Brasília (BRB), instituição pública controlada pelo governo do Distrito Federal.
A medida foi tomada em face da crise provocada por negócios do BRB com o Banco Master, liquidado em novembro do ano passado pelo Banco Central por indícios de gestão fraudulenta.
O caso é investigado no âmbito da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal (PF), sob supervisão do Supremo Tribunal Federal (STF). Há suspeita de que ex-dirigentes do banco receberam vantagens indevidas para autorizar a compra de carteiras de crédito fraudulentas do Master, num valor que pode ultrapassar os R$ 12 bilhões. O tamanho real do rombo ainda não foi revelado. As informações são da Agência Brasil
Dino manda Polícia Federal investigar atuação da CVM no caso Master
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), mandou nesta quinta-feira (24) a Polícia Federal (PF) instaurar um inquérito para apurar o possível cometimento de crimes na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) envolvendo a fiscalização de fundos ligados ao extinto Banco Master. A CVM, autarquia federal vinculada ao Ministério da Fazenda, é o órgão responsável pela fiscalização e supervisão do mercado de capitais brasileiro.
Na decisão, Dino citou denúncia encaminhada à CVM em fevereiro de 2022 e que continha informações detalhadas sobre a possível falta de liquidez do Grupo Master. O processo acabou sumariamente arquivado pelo órgão sob a alegação de falta de elementos para levar adiante a apuração.
A denúncia apresentava, por exemplo, inconsistências em demonstrações contábeis, manipulação das cotações de fundos abertos, reavaliação de ativos deteriorados mantidos em fundos fechados e utilização de recursos captados com cobertura do Fundo Garantidor de Créditos para aquisição de ativos de baixa liquidez, elencou o ministro.
A denúncia foi encaminhada à CVM pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC), que recebeu as informações por meio de uma comunicação anônima. Entre os fatos denunciados, está o de que o Master estaria vendendo ativos sem liquidez já com a expectativa de que os pagamentos acabassem sendo arcados pelo FGC, o que acabou de fato acontecendo anos depois.
Entre os pontos denunciados, estava o fato de que mais de R$ 3 bilhões, de um total de aproximadamente R$ 5 bilhões captados com cobertura do FGC, estariam alocados em ativos sem qualquer liquidez ou de reduzida qualidade, destacou Dino.