Levantamento do Dieese aponta que 22 milhões de empregados com carteira assinada e outros 4,8 milhões de trabalhadores informais cumprem jornadas superiores a 40 horas semanais
O fim da escala 6x1 e a redução da jornada máxima de trabalho de 44 para 40 horas semanais, sem redução salarial beneficiará 26,8 milhões de trabalhadoras e trabalhadores brasileiros. O número reúne 22 milhões de trabalhadores formais, o equivalente a 54% dos empregados com carteira assinada, e aproximadamente 4,8 milhões de trabalhadores informais que atualmente cumprem jornadas superiores a 40 horas por semana.
Os dados são de um levantamento do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese), elaborado com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) referente a 2025. Segundo o estudo, mais da metade dos trabalhadores formais brasileiros ainda trabalham acima da jornada de 40 horas semanais, o que demonstra o alcance da proposta atualmente aguardando ser colocada em votação no Senado Federal.
O levantamento do Dieese evidencia que a redução da jornada teria impacto direto na qualidade de vida de milhões de trabalhadores que hoje cumprem longas jornadas, especialmente nos setores de comércio e serviços, onde a escala 6x1 é predominante.
Corrigir essa injustiça mudará para melhor a vida dessas quase 27 milhões de pessoas que terão mais tempo para o descanso, lazer, estudos e convivência familiar.
Para as mulheres a medida é ainda mais importante já que, na prática, o único dia de “folga” costuma ser absorvido por tarefas domésticas acumuladas, compras, organização da casa e cuidados com filhos ou familiares. Quando se soma trabalho remunerado, deslocamento e trabalho doméstico, há mulheres que ultrapassam 11 horas diárias de atividade contínua.
No Brasil, de acordo com o Censo de 2022, do IBGE, as mulheres dedicam, em média, 21,3 horas semanais aos afazeres domésticos e aos cuidados de pessoas, enquanto os homens dedicam 11,7 horas – uma diferença de quase 10h por semana. Entre mulheres pretas e pardas, a carga é ainda maior: 1,6 hora a mais por semana do que entre mulheres brancas.
O grande número de pessoas beneficiadas demonstra porque é tão importante ir para as ruas na próxima terça-feira (30), nos atos convocados pela CUT, o Fórum das Centrais, as Frentes Brasil Popular e a Povo sem Medo e o Movimento Vida Além do Trabalho (VAT) que serão realizados em todo o país. Veja aqui onde estão marcados os atos.
Todo mundo ganha
Estudos de especialistas do mundo do trabalho e economistas contestam a avaliação de parte do setor empresarial de que a medida provocaria desemprego e inflação. Entre os argumentos apresentados estão a possibilidade de geração de empregos, redução de afastamentos por doenças relacionadas ao excesso de trabalho, aumento da produtividade e maior circulação de renda na economia. Trabalhadores com mais tempo disponível tendem a investir mais em cursos e formação, aumentando a produtividade da economia.
A PEC
A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) nº 221, aprovada pela Câmara dos Deputados em 27 de maio, mantém os salários e reduz a jornada máxima para 40 horas semanais, extinguindo, na prática, a escala 6x1. Para entrar em vigor, o texto ainda precisa ser aprovado pelo Senado, onde são necessários os votos favoráveis de pelo menos 49 dos 81 senadores, em dois turnos de votação.
Desde que chegou ao Senado o texto da PEC não foi colocado em votação, provocando críticas de sindicatos e parlamentares favoráveis ao fim da escala 6x1, ao presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP).
Por isso que além de ir às ruas é preciso utilizar de todas as ferramentas ao alcance dos trabalhadores como a desenvolvida pela CUT Na Pressão.
Saiba como usar
Com o Na Pressão, é possível selecionar o estado e acessar a lista de todos os parlamentares daquele estado e então, pressionar cada um deles.
Basta acessar o link napressao.org.br e clicar em pressionar. Também é possível acessar a plataforma clicando diretamente no banner superior no Portal da CUT.
Os nomes dos senadores estão listados indicando quem é contra, quem está indeciso e quem é a favor. É possível verificar o posicionamento de cada senador buscando por estado, por partido ou pelo nome, e mandar mensagens diretamente ao parlamentar.