Escrito por: Na contramão da política de governo, empresa pode ser privatizada

Fenadados repudia desmonte da Cobra Tecnologia

Após 23 dias de paralisação, os trabalhadores da Cobra Tecnologia descobriram que existe um plano de venda da empresa. O intento parte de Aldo Luiz Mendes, que era diretor de Finanças do banco ainda no governo Fernando Henrique e em 2005 foi promovido vice-presidente de Finanças, Mercado de Capitais e Relações com Investidores do Banco do Brasil. O próprio presidente do BB, Antônio Francisco de Lima Neto, apóia a venda da Cobra.

Ambos estão à frente dessa verdadeira tentativa de golpe – tendo em vista que o plano de venda está sendo tocado às escondidas. O curioso é verificar que a postura de privatização vai totalmente contra a política do Governo Federal, que tem discurso contra a venda de estatais.

Em 23 de junho de 1999, foi realizada a venda da Datamec S.A - Sistemas e Processamento de Dados, empresa do setor de Informática que foi adquirida pela Unisys Brasil S.A pelo preço mínimo de US$ 47,29 milhões. A Cobra Tecnologia também corre o risco de ser desmanchada e vendida por um preço mínimo – certamente não serão os trabalhadores que irão lucrar com a venda.

Preço mínimo por causa das crises internas, desencadeadas pela direção da empresa, que prejudicam a subsidiária de tecnologia. Assim, quem for comprar, pagará um preço bem baixo. E se o Banco do Brasil continuar a parceria com a Cobra, a empresa que comprar terá uma grande vantagem: vender serviços para o BB sem licitação.

Subsidiária do Banco do Brasil, a maior instituição bancária do país, a Cobra Tecnologia nos últimos anos diz que fez grandes investimentos para tornar-se a maior empresa do segmento no mercado nacional e atuar no exterior. Mas a empresa desrespeita profundamente seus funcionários.  Segue a lista de algumas das irregularidades:

Fraude de concurso público e CLT por meio de contratos de Pessoa Jurídica de uma única pessoa (emenda 3);

Licitações fraudulentas;
Contratos sem concurso público, com salário de R$ 15.000,00;

Contrato de mão de obra desqualificada de amigos do presidente da Cobra na escola naval – configurando nepotismo desavergonhado;
Redução dos salários dos trabalhadores;

Assédio moral contra os empregados da Cobra e de seus trabalhadores quarteirizados;
Descumprimento de Acordo Coletivo de Trabalho, provocando uma greve que já dura 24 dias.

As irregularidades desrespeitam leis brasileiras, acordos coletivos de trabalho e convenções da OIT – e os responsáveis estão sujeito às punições nas esferas penal e civil. Mais do que nunca, a Fenadados acredita na legitimidade da mobilização dos funcionários. A participação da Federação fortalece a luta a favor dos interesses dos trabalhadores, e contribui com a manutenção das relações democráticas.