Atividade promovida pela CUT e DGB BW reúne dirigentes e formadores sindicais de diferentes regiões do país até hoje, sexta-feira (13)
A programação desta quinta-feira (12) da 2ª Oficina Nacional de Planejamento do Projeto Formação de Formadores e Formadoras Sindicais, organizada pela Secretaria Nacional de Formação da Central Única dos Trabalhadores (CUT), em cooperação com a DGB Bildungswerk (DGB BW), teve início com uma mística que buscou simbolizar o papel da formação sindical diante dos desafios do mundo do trabalho. Com o tema “A formação é nosso farol”, a atividade reuniu dirigentes e formadores sindicais de diferentes regiões do país para refletir sobre estratégias políticas, culturais e pedagógicas da formação cutista.
Clara Aguiar
A abertura da mística contou com a música Disparada, composta por Geraldo Vandré e Théo de Barros, interpretada por Tijolo e Eneias. Em seguida, com o auditório às escuras e janelas fechadas, uma projeção simulou a abertura de um telejornal, com chamada e vinheta do “Jornal da CUT”. Um “âncora” realizou um giro de notícias, chamando os “repórteres-dirigentes” locais de cada região.
A encenação seguiu com a apresentação de um vídeo do “Cine CUT” e uma performance de duas companheiras remando em um barco, aparentemente perdidas em meio a dificuldades. Durante o diálogo, elas refletiam sobre a necessidade de encontrar um caminho coletivo. “Se estamos perdidas, precisamos saber para onde ir. Vamos juntas. Precisamos encontrar nosso caminho”, diziam. Em determinado momento, as personagens encontravam um mapa e destacavam que as experiências acumuladas ao longo da formação sindical ajudam a navegar “em águas revoltas”.
O público foi convidado a participar da encenação, acendendo as lanternas de seus celulares como símbolo daqueles que já passaram por processos de formação sindical. A atividade foi encerrada com a leitura de um poema sobre faróis em meio à escuridão e a projeção do clipe da canção El pueblo unido jamás será vencido, tradicional hino de resistência dos movimentos populares latino-americanos.
Formação sindical como prática política e cultural
Após a mística, teve início a mesa de abertura com o tema “Formação sindical como prática política e cultural”, reunindo dirigentes sindicais e especialistas na área de formação. Participaram do debate Cícero Pereira da Silva, secretário de Treinamento e Educação Sindical da Confederação Sindical das Américas (CSA); Ana Izabel Cavalcante Oliveira Silva, dirigente da Secretaria Estadual de Formação da CUT de Pernambuco (SEF-PE); e Adriana Maria Antunes de Souza, Secretaria Estadual de Formação da CUT de Santa Catarina (SEF-SC).
Durante a abertura, a secretária nacional de formação da CUT, Rosane Bertotti, destacou que a mística também integra a estratégia política do movimento sindical. Citando o pensador e militante Ademar Bogo, ela parafraseou que “a mística é o mistério que nos reflete e nos remete à ação”. Para Bertotti, esses momentos simbólicos ajudam a fortalecer o sentido coletivo da luta e da formação política dentro do movimento sindical.
Clara Aguiar
Já a secretária da SEF-PE, Ana Izabel Cavalcante Oliveira Silva relacionou a metáfora do barco apresentada na mística com os desafios enfrentados pela formação sindical no país. “A água que afunda o barco não é a que está fora dele, e sim a que está dentro”, disse, ao compartilhar uma reflexão provocada pela encenação. Segundo ela, a frase reforça a importância das estruturas de formação da CUT em cada região do Brasil para fortalecer a cultura política entre trabalhadores e trabalhadoras.
Clara Aguiar
Adriana Maria Antunes de Souza, representante da CUT Santa Catarina, destacou que a formação sindical como prática política e cultural é pensar na unidade: “É a solidariedade que temos que ter uns com os outros porque ter uma rede fortalecida é uma questão geral”, disse.
Clara Aguiar
Mudanças no mundo do trabalho
Durante sua fala, Cícero Pereira da Silva pontuou que a formação sindical se tornou ainda mais estratégica diante das profundas transformações no mundo do trabalho. Ele mencionou fenômenos como o aumento da informalidade, a precarização das relações de trabalho, a intensificação da jornada e o avanço das plataformas digitais.
Clara Aguiar
Segundo o secretário, essas mudanças ampliam a desigualdade social e a concentração de renda. “Quem ganha com essas mudanças são as empresas. O objetivo é aumentar o lucro e concentrar ainda mais riqueza”, afirmou. Ele também chamou atenção para o crescimento da influência de setores conservadores e autoritários no cenário político, ressaltando que a formação sindical é uma ferramenta essencial para enfrentar esse contexto.
Para Silva, é essencial que o sindicato se comunique com os trabalhadores e trabalhadoras. “Quando o sindicato, por exemplo, se comunica com os trabalhadores, é um interesse muito forte dos trabalhadores, porque o sindicato sabe que o aumento, o que que vai acontecer, etc. Então, esse tipo de informação tem que conter também a parte política”.
A programação também incluiu a apresentação da Estratégia da Secretaria Nacional de Formação da CUT para 2026, conduzida por Bertotti, além do lançamento do hotsite “Negociação Coletiva, Memória e Formação e Luta Sindical”, que reunirá conteúdos formativos e históricos do movimento sindical.
Troca de experiências
Clara Aguiar
Ao longo do dia, os participantes também participaram de trabalhos em grupo, voltados ao balanço das ações de formação realizadas e à elaboração de planos de ação para o próximo período. A programação incluiu ainda uma feira pedagógica, com apresentações de saberes locais e experiências formativas desenvolvidas por ramos e regiões da CUT, além de iniciativas da Escola de Hotelaria e Turismo e de organizações de trabalhadores e trabalhadoras informais.
Clara Aguiar
A oficina reúne dirigentes e educadores sindicais de diferentes estados até sexta-feira (13) e integra o processo de planejamento das políticas de formação da CUT, buscando fortalecer a organização da classe trabalhadora frente aos desafios contemporâneos do mundo do trabalho.
Clara Aguiar