Jovens das ruas: Quem sabe faz a hora não espera o pior acontecer
Selecionamos abaixo fragmentos do artigo da colunista Hildegard Angel “Jovens das ruas: Quem sabe faz a hora não espera o pior acontecer”. Em tom afirmativo, a renomada articulista, filha de Zuzu Angel e irmã de Stuart Angel - jovem liderança covardemente assassinada pela ditadura militar - denuncia o leilão do petróleo do pré-sal, defende a Petrobrás e conclama a mobilização popular em defesa da soberania nacional
“O povo tem pressa da pressa. Os jovens têm pressa das ruas. A polícia tem pressa de bater. Os partidos políticos têm pressa de ganhar eleição. E quem tem pressa de defender o Brasil?
Quem tem pressa de dar a esses jovens de 2013 uma bandeira de que o Brasil necessita com urgência? A bandeira do patriotismo!
Coragem de mostrar aos jovens as vísceras da realidade brasileira, oculta sob os panos cirúrgicos de uma vergonhosa operação lambança, a dos leilões petrolíferos da margem equatorial brasileira, roubando a estes mesmos jovens o seu futuro? Aquele futuro brilhante prometido na campanha eleitoral?
A Agência Nacional de Petróleo acaba de vender um bilhete premiado às empresas petrolíferas estrangeiras e todos se calaram.
Perplexos, assistimos em maio passado como que a um grande conluio entre as classes dominantes em todas as esferas – Executivo, Legislativo, Judiciário, grande mídia – parecendo compactuarem com o que, aos tempos de FHC, disse o primeiro diretor geral da ANP a uma plateia de empresários top: “O petróleo é vosso!”.
É fundamental levar a essa juventude inquieta das ruas a realidade desses leilões de entrega do patrimônio nacional às multinacionais, sem compensação ao povo brasileiro, um crime de lesa-pátria, um escárnio, um escarro na Soberania Nacional.
Pressa, temos pressa para que seja cumprida a promessa de campanha da candidata Dilma: “O pré-sal é o nosso passaporte para o futuro”.
No entanto, passadas as eleições e às vésperas de uma próxima, vemos chocados a retomada dos leilões, inclusive das áreas regidas pela Lei 9478/97, aquela que dá todo o petróleo a quem o produz e, para a União, apenas a suave obrigação de pagar módicos, inexpressivos, 10% de royalties, em dinheiro!
Migalhas atiradas da mesa da Casa Grande (os grandes grupos multinacionais) aos da senzala de sempre (nós).
Jovens das ruas, o Brasil precisa desesperadamente do protesto indignado de vocês contra o desprezo por uma questão estratégica para o País!
A corajosa juventude brasileira precisa, com pressa, fazer sua voz alçar voo, junto com o condor de Castro Alves, e bradar que a Petrobras não precisa leiloar nada, pois já descobriu mais de 54 bilhões de barris no pré-sal, que, somados à reserva anterior de 14 bilhões de barris, nos dão uma auto suficiência para mais de 50 anos.
Por que, então, essa teimosia em realizar os leilões? Por que essa pressa?
Vemos hoje estrangulamentos sucessivos e ilegais na Petrobras, obrigando a empresa a importar derivados por preços menores do que é obrigada a vender no país.
Mas não obrigam as concorrentes multinacionais a fazerem o mesmo.
Vemos abrirem o caminho para o cartel internacional atuar em bloco e se beneficiar da eventual impossibilidade da Petrobras participar dos leilões. No da margem equatorial, foi pífia a participação da petrolífera brasileira, enquanto os compradores estrangeiros saíram deles de pança cheia e palitando os dentes (nada temos contra os investidores internacionais, mas não queremos ser explorados).
No caso do pré-sal, é previsto na nova lei 12351/10 que o vencedor do leilão é aquele que der maior percentual do lucro para a União.
Se a Petrobras não participar, o cartel poderá ganhar blocos com uma oferta irrisória do percentual do lucro, o que anularia o esforço do Governo Lula para neutralizar o estrago que a Lei 9478/97 tem feito ao País.
A última novidade foi a Receita Federal desengavetar esta semana um processo tentando impedir a Petrobras de participar dos próximos leilões do pré-sal. Se alguém chamar de complô, não estranharemos.
Jovens das ruas, aí está uma causa fundamental! Uma causa que definirá o seu futuro. Bandeira costurada na medida da sua energia à flor da pele, à flor de seu grito e de seu coração aberto: modulem a voz, engrossem o grito, deem à sua luta maior potência e tônus!
Afinal de contas: era ou não era o petróleo que iria garantir a nossa educação?
Já somos assaltados indefesos, nas ruas e dentro de casa.
Vamos reagir contra o pior de todos os assaltos: aquele contra a nossa possibilidade de independência, cidadania, prosperidade e futuro!
Vamos defender nossos interesses. O interesse do povo brasileiro.
Ser patriota não está fora de moda. Ainda está valendo. Esse papo de globalização é só pra nós. Nos países deles todos se ufanam da Nação que têm.
Vamos dar o nosso grito do Resgate Patriótico!”