Sindicato enfrenta candidato com governista para dar continuidade à luta por melhores condições aos trabalhadores da educação
Maonelzinho, Cleiton Santos (presidente CUT-RO) e Claudir Sales, atual presidente do Sintero
Em uma tarde de muito sol, no último dia 1.º, dezenas de militantes voluntários se reuniam na sede do Sindicato dos Bancário de Rondônia, em Porto Velho, para receber as últimas instruções. Nesta quinta-feira (3), eles atuarão como fiscais da Chapa 1 nas eleições que definirão a próxima direção do Sindicato dos Trabalhadores em Educação no Estado de Rondônia (Sintero).
O pleito envolve números que chamam a atenção. Serão 23 mil filiados aptos a votar em aproximadamente 240 urnas espalhadas por cerca de 400 escolas, contabilizadas aí as estaduais e municipais.
À frente da Chapa 1, o grupo cutista, apoiado pelas principais entidades ligadas à educação, entre elas, a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), está Manoel Rodrigues da Silva, mais conhecido como Manoelzinho.
Luta que inocomoda
Há 19 anos membro do sindicato e há 12 como parte da direção ela não terá tarefa fácil. A disputa é contra uma chapa que, segundo o candidato, conta, inclusive, com forte apoio governista. “O ex-governador (Ivo) Cassol (PP) e o Valter Araújo (PTB) – atual presidente da Assembleia Legislativa do Estado – estão ao lado da Chapa 2 com toda a estrutura, dizem que estão investindo R$ 1 milhão. Há jornais difamatórios, todo o engajamento da CTB nacional e estadual. Eles plotaram – colocaram adesivo – nos ônibus da Três Marias (empresa de ônibus de Porto Velho) para divulgar a outra chapa e estão investindo recursos de uma campanha para prefeito, governador, mas não vão conquistar entrar dentro da base porque nossa luta vai prevalecer”, acredita.
Para ele, o motivo do interesse é o fato do Sintero ter hoje uma das maiores bases de trabalhadores de Rondônia. “Hoje temos 23 mil filiados, mas quando me filiei tínhamos 1.800. Isso acontece por conta da nossa postura combativa. Em 2000, por exemplo, cheguei a ser detido em uma manifestação pela reintegração de 10 mil servidores por conta de uma canetada do então governador José Bianco (DEM). E nós revertemos isso no Supremo Tribunal Federal”, destaca.
Outra vitória importante, cita, foi a aprovação da transposição: quando Rondônia virou Estado, cerca de 20 mil servidores, automaticamente, passaram ao quadro estadual. Com a luta do Sintero, a categoria conquistou, já durante o governo da presidenta Dilma Rousseff, o direito de voltarem a ocupar as funções nos quadros federais. “Estivemos em caravanas a Brasília dia e noite, ocupamos a Assembleia Legislativa para que isso acontecesse”, ressalta.
“Nós vamos para o embate independente do governo e do prefeito. Onde estava o pessoal da outra chapa nas grandes greves e grandes acampamentos?”, questiona.
Trabalhadores recebem instruções sobre as eleições do Sintero
O descontentamento do atual parlamentar Cassol, um dos 10 senadores mais ricos do Brasil, segundo levantamento do site Congresso em Foco, pode ter ligação direta da luta que o Sintero promoveu contra seu governo, denunciando a retirada de direitos dos servidores, a tentativa de aplica leis para acabar com a licença-prêmio do funcionalismo e o aumento de 25% em sete anos de mandato para os trabalhadores, enquanto a arrecadação do Estado cresceu 250% e a inflação medida pelo INPC do IBGE foi de 57,03%.
Proprietário de várias pequenas centrais hidrelétricas na região de Alta Floresta, Cassol também criticou recentemente a paralisação dos operários das usinas hidrelétricas de Jirau e Santo Antônio, quando esses cruzaram os braços contra as precárias condições de trabalho.
Usinas, aliás, que afetaram a qualidade da educação e, segundo Manoelzinho, exigem mais investimento do Estado.
“Triplicou o número de alunos da noite para o dia. Aí vem a falta de professores, de pessoal administrativo. O salário dos educadores que já chegou a ser o segundo melhor do Brasil, agora está em 17º ou, 18º lugar e gira em torno de R$ 930, inferior ao Piso Nacional da Educação, que deve implementar a partir do mês que vem R$ 1.178.”
Para continuar a batalha –Por conta dessas questões, entre as lutas que o sindicato irá encampar está a melhoria da estrutura para todos os profissionais da educação. “As salas estão superlotadas, com uma média de 35 a 40 alunos por sala, o calor é mito grande, chega a 40 graus e nem todas são climatizadas. Além disso, somente neste governo conseguimos reduzir a carga horária do professor de 33 para 26 horas/aula, após uma manifestação que fizemos. O problema atinge ainda o pessoal que trabalha nas cozinhas, já que as merendeiras estão problemas de articulações, já possuem uma certa idade e é preciso fazer um concurso para agregar novos funcionários. Porque a demanda está aumentando cada vez mais”, explica.
“Temos que continuar essa luta para garantir a transposição, a aprovação da Lei 420/2008 (Lei do Plano de Carreira), para ter carga horária de 26 horas, a garantia de que todas as ações judiciais do funcionalismo vão ser pagas. E posso garantir que o sindicato vai ter um grupo de grandes sindicalista à frente disso”, finaliza.