Escrito por: Walber Pinto e Rafel Silva

Ato do Dia da Luta Operária tem homenagens e defesa da redução da jornada em SP

Evento reuniu dirigentes sindicais, movimentos sociais e homenageados para celebrar a história do movimento operário e defender novas conquistas para os trabalhadores

Rafael Silva - CUT São Paulo

A memória das lutas históricas da classe trabalhadora marcou a celebração da 9ª edição do Dia da Luta Operária, realizada na manhã desta quarta-feira (9), na sede do Sindicato dos Trabalhadores em Processamento de Dados (SindPD), no centro de São Paulo. O ato reuniu dirigentes sindicais, lideranças políticas e representantes de movimentos sociais para homenagear homens e mulheres que dedicaram suas vidas à defesa dos direitos dos trabalhadores e trabalhadoras.

Instituído no calendário oficial da cidade de São Paulo por meio de lei aprovada pela Câmara Municipal, o Dia da Luta Operária é celebrado anualmente em memória da morte do operário José Martinez, assassinado em 9 de julho de 1917 durante a primeira greve geral do Brasil. A data busca preservar a história do movimento operário e valorizar personagens que contribuíram para a conquista de direitos trabalhistas.

Além de lembrar a greve geral de 1917, a edição deste ano destacou os 140 anos da Greve de Chicago, de 1886, mobilização que deu origem ao 1º de Maio, Dia Internacional dos Trabalhadores. O episódio foi lembrado como símbolo da luta pela redução da jornada de trabalho, pauta que permanece atual e que esteve no centro dos debates do evento, especialmente com a defesa do fim da escala 6x1.

O ato político foi dividido em dois momentos. No primeiro, foram prestadas homenagens póstumas a dirigentes sindicais, militantes e personalidades que marcaram a história das lutas da classe trabalhadora. Em seguida, foram reconhecidas lideranças e ativistas que seguem atuando na defesa dos direitos sociais e trabalhistas.

Os homenageados

Entre os homenageados com o tradicional Troféu José Martinez estiveram a cartunista Laerte Coutinho, reconhecida pela contribuição de sua produção gráfica à comunicação sindical nas décadas de 1970 e 1980, e o ex-deputado federal Aurélio Peres, metalúrgico, militante da Pastoral Operária e referência na resistência à ditadura militar e na defesa da democracia.

Durante a cerimônia, o secretário-geral da CUT, Renato Zulato, destacou a importância da construção coletiva que deu origem à data e lembrou o legado de dirigentes que participaram dessa trajetória.

Zulato entregou uma placa em homenagem ao dirigente sindical Rubens Romano. A honraria foi recebida por familiares do homenageado, que participaram do ato em reconhecimento à trajetória de luta e à contribuição de Romano para o movimento sindical e para a defesa dos direitos da classe trabalhadora.

"Estamos aqui na comemoração da 9ª edição do Dia da Luta Operária. Eu me lembro que, há nove anos, a CUT participou, junto com o movimento sindical organizado, da construção dessa iniciativa a partir da aprovação do projeto do então vereador Antônio Donato (PT-SP) na Câmara Municipal de São Paulo. O companheiro Joãozinho, que faleceu no ano passado e era secretário de Mobilização da CUT São Paulo, representou a Central nesse processo. Hoje ele é homenageado por toda a história, trajetória e legado que deixou. Também homenageamos pessoas que lutaram contra a ditadura militar, dirigentes sindicais e trabalhadores que dedicaram suas vidas à luta da classe operária. Muitas pessoas já foram reconhecidas nesses nove anos de celebração."

Para o secretário-geral da CUT-SP, Daniel Calazans, esse dia de memória e resgate é fundamental para inspirar as novas lutas. "Nenhum direito veio por acaso, sempre foi na base de muita luta e resistência. Ter esse momento de homenagem aos que se foram e também aos estão presentes é necessário para inspirar os novos sindicalistas e a classe trabalhadora", diz o dirigente.

O secretário-adjunto de Comunicação da CUT, Tadeu Porto, ressaltou que preservar a memória das lutas operárias é essencial para compreender a origem dos direitos trabalhistas conquistados ao longo da história.

"Essa homenagem é uma das coisas mais bonitas que podemos viver, revivendo a memória de quem já partiu e reconhecendo quem continua na luta. Nossos direitos nunca caíram do céu. Sempre existiu a luta de alguém por trás. Por isso, honrar a memória de José Martinez e de todos os homenageados é tão importante”, destacou o dirigente.

A 9ª edição do Dia da Luta Operária ressaltou a importância de preservar a história do movimento sindical brasileiro e de fortalecer as lutas atuais da classe trabalhadora, tendo como uma das principais bandeiras a redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6x1.

O ato foi organizado de forma unitária pelas centrais CUT, CTB, Força Sindical, UGT, CSB, NCST, Pública, CSP-Conlutas, Intersindical Central da Classe Trabalhadora e Intersindical Instrumento de Luta, com apoio do Centro de Memória Sindical, IIEP, Instituto Astrojildo Pereira, Oboré e do mandato do deputado estadual Antonio Donato (PT-SP).