Escolha para as Assembleias Legislativas define quem vota as leis e o orçamento estadual, fiscaliza o governador e cobra respostas para os problemas da população.
Neste ano, escolheremos os deputados e as deputadas estaduais que vão nos representar pelos próximos quatro anos. Essa escolha pesa no funcionamento das escolas, no atendimento dos hospitais, na segurança pública e no transporte entre municípios. Quem ocupa uma cadeira na Assembleia Legislativa participa das decisões sobre as leis e o dinheiro do estado e tem o dever de fiscalizar o governador.
Por isso, é importante, na hora de escolher o seu voto, avaliar se o candidato ou candidata está alinhado ou alinhada com o seu pensamento sobre o que uma sociedade melhor e mais justa para todos, em especial para a classe trabalhadora.
Tem sido muito comum nos últimos pleitos a presença de ideias extremistas, bélicas, sensacionalistas e fundamentalistas que não dialogam com os interesses gerais da população. Muito se ouve, inclusive, sobre o uso da violência como solução para a segurança e pouco se fala sobre projetos que criem mais oportunidades para que as pessoas não ‘entrem no crime’.
Apesar desse peso, o voto para o Legislativo costuma receber menos atenção que a escolha para presidente ou governador. Segundo pesquisa Datafolha divulgada em junho de 2026, 66% dos entrevistados não se lembravam em quem haviam votado para deputado estadual em 2022. Para deputado federal, a pesquisa revelou que 67% não lembravam e para Senador, 66% também.
Esquecer o voto dificulta a cobrança. Sem acompanhar o mandato, o eleitor perde a oportunidade de confrontar promessas com decisões e verificar se o representante defendeu seus interesses.
O que faz um deputado estadual
Deputados estaduais integram as Assembleias Legislativas dos estados. No Distrito Federal, são chamados de deputados distritais e atuam na Câmara Legislativa.
O mandato dura quatro anos. Entre suas principais responsabilidades estão:
Essas funções se complementam. Aprovar dinheiro para um serviço não encerra o trabalho: é preciso acompanhar sua aplicação e cobrar os resultados.
O orçamento chega à sua vida
Quando a Assembleia discute o orçamento, está tratando do dinheiro que financia escolas, hospitais, segurança, transporte e outras responsabilidades do estado.
Para a população, essa decisão aparece em questões concretas: há recursos para melhorar o atendimento de saúde? Para manter as escolas? Para enfrentar problemas no transporte? Quais áreas recebem prioridade e quais ficam com menos dinheiro?
O deputado participa dessas escolhas. Por isso, anunciar apoio à saúde ou à educação durante a campanha precisa ser confrontado com sua atuação na votação do orçamento e na fiscalização dos serviços.
O eleitor pode cobrar tanto a destinação dos recursos quanto o acompanhamento de sua execução. Dinheiro previsto no papel não significa, por si só, atendimento melhor ou obra concluída.
Fiscalizar e fazer avançar
A relação entre a Assembleia e o governo estadual interfere na execução das políticas públicas. Deputados podem contribuir para aprovar propostas que beneficiem a população, exigir correções e cobrar providências diante de problemas.
Fiscalizar é parte do mandato. Investigar irregularidades, questionar gastos e exigir informações são responsabilidades de quem representa a sociedade.
Ao mesmo tempo, transformar toda proposta em disputa para impedir avanços também tem consequências. O critério para avaliar essa relação deve ser o interesse da população: o parlamentar ajudou a resolver o problema, propôs uma alternativa ou apenas trabalhou para bloquear a solução?
A cobrança vale para aliados e opositores. Apoiar o governador não dispensa fiscalização. Fazer oposição não dispensa responsabilidade com os serviços de que a população depende.
Emenda não é presente
Emendas parlamentares são indicações de aplicação de dinheiro público. Quando um deputado anuncia recursos para um hospital ou município, não está fazendo uma doação pessoal.
O eleitor tem direito de saber quem indicou a verba, qual é o valor, quem vai recebê-la, para que será usada e se chegou ao destino. Também pode cobrar o resultado: o equipamento foi comprado? A reforma foi realizada? O serviço passou a funcionar?
É importante distinguir as etapas. Indicar uma emenda, liberar o dinheiro e executar a ação são coisas diferentes. Um anúncio não comprova que o recurso foi pago nem que a melhoria foi entregue.
As regras das emendas dependem do estado e da modalidade. A avaliação do mandato deve considerar a transparência, a necessidade atendida e o acompanhamento da aplicação dos recursos.
Promessa tem limite
Deputados estaduais votam leis e fiscalizam o Executivo, mas não executam diretamente obras e serviços. Construir uma escola, administrar um hospital ou realizar uma obra cabe aos órgãos responsáveis.
O parlamentar pode atuar para viabilizar recursos e cobrar providências. Isso não transforma a execução em realização pessoal do mandato.
Também há limites para as propostas que pode apresentar. Determinadas matérias, como mudanças na estrutura administrativa do Executivo, dependem de iniciativa do governador.
E deputado estadual não muda, por lei estadual, as regras nacionais de aposentadoria, legislação trabalhista ou direito penal. Conhecer as atribuições ajuda o eleitor a identificar promessas que o cargo não permite cumprir.
Vídeo não comprova trabalho
Como ocorre no Congresso Nacional, discursos, provocações e confrontos nas Assembleias podem render repercussão nas redes. Mas curtidas não mostram como o parlamentar votou nem o que fez para melhorar os serviços públicos.
A avaliação precisa ir além do vídeo: participou das comissões? Fiscalizou gastos? Cobrou respostas? Defendeu propostas que atendem à população? Acompanhou o destino das emendas?
A quantidade de projetos apresentados também não explica tudo. Relatorias, fiscalização e negociação fazem parte do trabalho. O que importa é a qualidade da atuação e quais interesses o mandato defendeu.
Como acompanhar e cobrar
Os sites das Assembleias Legislativas e os portais de transparência estaduais são caminhos para consultar a atuação dos deputados e a aplicação dos recursos.
Para avaliar um mandato, vale conferir:
Indícios de irregularidades podem ser encaminhados às ouvidorias dos órgãos de controle e ao Ministério Público, pelos canais oficiais.
Seu voto fortalece um grupo político
A eleição para deputado estadual é proporcional. Os votos nos candidatos e na legenda ajudam a definir quantas vagas cada partido ou federação conquista, conforme as regras eleitorais.
Por isso, a escolha também fortalece um grupo político. Conhecer as posições do partido e os compromissos de suas candidaturas faz parte do voto consciente.
Antes de confirmar o número, vale perguntar: essa candidatura conhece os problemas do estado? Suas propostas cabem nas atribuições do cargo? Sua trajetória demonstra compromisso com quem depende dos serviços públicos?
Depois da eleição, guarde o nome de quem recebeu seu voto. O mandato dura quatro anos, e a cobrança precisa continuar durante todo esse período.