Iniciativa do Fórum DH Saúde quer colocar o financiamento e o fortalecimento do sistema público no debate eleitoral e mobilizar candidaturas, entidades e eleitores
A CUT participa da terceira edição da campanha Vote pelo SUS, mobilização nacional que busca colocar a defesa da saúde pública no centro do debate das eleições de 2026. Promovida pelo Fórum Direito Humano à Saúde, do qual a CUT faz parte, a iniciativa foi lançada no dia 5 de agosto, Dia Nacional da Saúde, em Brasília.
Com o lema “Nossa saúde depende da sua escolha”, a campanha chama a população a avaliar o compromisso das candidaturas com o SUS antes de definir o voto. Também procura envolver sindicatos, movimentos sociais, conselhos de saúde, universidades, organizações populares e profissionais da área.
Em reunião realizada no início de agosto, o Fórum DH Saúde aprovou que as organizações integrantes divulguem a campanha em suas redes sociais e junto às suas bases. A CUT participa dessa mobilização para ampliar o debate entre trabalhadores e trabalhadoras e reafirmar a saúde como direito de todas as pessoas e dever do Estado.
Para Josivania Ribeiro Cruz Souza, da Secretaria Nacional de Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora da CUT, a escolha das candidaturas precisa considerar os compromissos assumidos com a saúde pública, os direitos sociais e a democracia.
“Para nós, da CUT, não basta votar. é fundamental que trabalhadores, trabalhadoras e toda a população conheçam as propostas e os compromissos das candidaturas com o SUS, com a saúde e com a defesa da vida. O voto também é uma forma de defender direitos e de escolher quais projetos de sociedade queremos fortalecer. Precisamos olhar para quem assume compromisso com um SUS público, universal, integral e de qualidade, com o financiamento adequado, com a valorização dos trabalhadores e trabalhadoras da saúde e com políticas públicas que promovam e protejam a vida. A democracia é fundamental para garantir direitos, participação social e políticas públicas voltadas para o bem-estar da população. Sem democracia, a saúde e a vida também ficam ameaçadas. Por isso, defender o SUS é defender a democracia, os direitos sociais e a vida de todas e todos.”
Durante o lançamento da campanha, Carmen Santiago, representante da CUT no Fórum DH Saúde, também destacou a responsabilidade da sociedade nas escolhas que serão feitas em 2026.
“É uma campanha que nos chama à responsabilidade para construir um Congresso diferenciado, comprometido com a sociedade, e garantir a continuidade de um governo verdadeiramente democrático, popular e que olhe para o povo”, afirmou Carmen.
A mobilização é organizada a partir de dois instrumentos. O primeiro é o Manifesto em Defesa do SUS, aberto à assinatura de eleitoras e eleitores, movimentos sociais, coletivos, organizações populares e entidades.
O segundo é a Carta Compromisso, destinada às pessoas que concorrem a cargos estaduais e federais nas eleições deste ano. A proposta é transformar a defesa do SUS em um compromisso público, que possa ser acompanhado e cobrado pela sociedade depois da votação.
O Manifesto em Defesa do SUS apresenta oito compromissos considerados necessários para preservar e fortalecer o sistema público.
O primeiro é a garantia de financiamento público sustentável. O documento defende recursos adequados para manter, ampliar e qualificar o atendimento, com aumento progressivo do orçamento destinado à saúde e fortalecimento do piso constitucional.
Também reivindica a universalidade, a integralidade e a equidade no acesso aos serviços. Isso significa assegurar atendimento de qualidade a todas as pessoas, sem discriminação.
O manifesto defende ainda a valorização das trabalhadoras e dos trabalhadores da saúde. Entre as medidas apontadas estão condições dignas de trabalho, educação permanente e combate à precarização.
Outro compromisso é com políticas públicas integradas que fortaleçam a prevenção de doenças, a promoção da saúde e a atenção básica nos territórios. A campanha também reivindica mais participação social na formulação, fiscalização e avaliação das políticas, com valorização dos conselhos e das conferências de saúde.
A defesa da ciência e da produção nacional em saúde também integra o documento. O texto propõe investimentos em pesquisa, inovação e soberania sanitária, além do fortalecimento das instituições públicas de pesquisa.
O manifesto rejeita a privatização, a mercantilização e o uso eleitoreiro da saúde pública. Também combate o negacionismo, o movimento antivacina e a disseminação de notícias falsas.
A campanha denuncia propostas de concessão de créditos ou vouchers para a compra de consultas, exames e outros serviços no setor privado como substituição ao atendimento pelo SUS. De acordo com o manifesto, medidas desse tipo enfraquecem o princípio da universalidade e desviam recursos que deveriam fortalecer a rede pública.
O documento também exige respeito à democracia, à soberania e ao resultado das urnas.
A Carta Compromisso reúne 12 diretrizes para candidatas e candidatos que desejam assumir publicamente a defesa do SUS.
Entre os temas estão o acesso universal à saúde, o financiamento público adequado, a valorização profissional, a participação social, a transparência, a defesa da ciência e o enfrentamento ao negacionismo.
O documento também propõe proteger o caráter público do SUS diante dos processos de privatização e mercantilização da saúde.
Depois de assinar a carta, a pessoa candidata deve fazer uma foto ou gravar um vídeo de até 30 segundos segurando o documento. O registro deve ser enviado ao Fórum DH Saúde, acompanhado do nome, cargo disputado, estado e partido. A adesão poderá, então, ser divulgada pela campanha.
A Carta Compromisso cria uma referência pública para que movimentos, sindicatos, conselhos de saúde e a população acompanhem a atuação das candidaturas eleitas. Assim, o compromisso não termina nas urnas, mas pode orientar a cobrança por medidas concretas durante o mandato.
“Mais do que uma campanha eleitoral, queremos construir um movimento da sociedade brasileira. Defender o SUS é defender a vida, a ciência, a democracia e um Brasil mais justo”, afirmou Keully Alves, da coordenação do Fórum DH Saúde.
O Fórum DH Saúde é uma articulação formada por movimentos e entidades populares. Atua na produção de conteúdos, em atividades de formação e em ações de incidência nacional e internacional em defesa do direito humano à saúde.
Além da CUT, integram o Fórum organizações como o Centro de Educação e Assessoramento Popular (Ceap), a Central de Movimentos Populares (CMP), a Confederação Nacional das Associações de Moradores (Conam), a Federação Nacional dos Farmacêuticos (Fenafar), a Federação Nacional dos Psicólogos (Fenapsi), o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), o Movimento de Mulheres Camponesas (MMC), o Movimento Nacional de Direitos Humanos (MNDH), o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), a União Nacional dos Estudantes (UNE) e a União de Negras e Negros pela Igualdade (Unegro).
Também fazem parte articulações ligadas à luta contra a Aids, à população negra, às mulheres, aos povos das águas, às pessoas atingidas pela hanseníase, à população em situação de rua e aos profissionais da saúde. A relação completa está disponível no portal do Fórum DH Saúde.
A campanha convida trabalhadores e trabalhadoras a assinarem o manifesto, divulgarem o documento e cobrarem das candidaturas a assinatura da Carta Compromisso. O objetivo é fazer da defesa de um SUS público, universal, integral, equânime e de qualidade um critério para o voto em 2026.