Escrito por: Redação CUT

CUT mobiliza sindicatos para campanha nacional de solidariedade à Venezuela

Diante da grave crise humanitária provocada pelos terremotos, Central orienta sindicatos de todo o país a criarem pontos de arrecadação, mobilizarem as bases e ampliarem a campanha de apoio ao povo venezuelano

A tragédia provocada pelos terremotos que atingem a Venezuela desde o último dia 24 de junho continua se agravando. O balanço oficial divulgado nesta quarta-feira (1º) contabiliza 1.943 mortes, mais de 10,5 mil pessoas feridas e cerca de 50 mil desaparecidos. Além das perdas humanas, os desastres deixaram milhares de famílias sem moradia e comprometeram parte da infraestrutura do país, ampliando a necessidade de ajuda humanitária internacional.

Segundo as informações mais recentes, análises por imagens de satélite apontam que aproximadamente 59 mil edificações foram danificadas ou destruídas. A Organização das Nações Unidas (ONU) informa que mais de 12,7 mil pessoas estão desabrigadas, vivendo em tendas, escolas e igrejas adaptadas como abrigos temporários. O Unicef estima que 680 mil crianças necessitam de assistência humanitária imediata, enquanto organizações que atuam no local alertam para a escassez de água potável, alimentos, produtos de higiene e atendimento médico.

Diante desse cenário, a CUT lançou uma mobilização nacional de solidariedade e orientou todas as suas entidades filiadas a organizarem campanhas de arrecadação em apoio ao povo venezuelano. Em nota encaminhada às CUTs estaduais, ramos e sindicatos de base, a direção nacional convoca o movimento sindical a transformar suas sedes em Pontos de Solidariedade à Venezuela, reforçando que o internacionalismo e a solidariedade entre os povos fazem parte dos princípios históricos da Central.

Como os sindicatos podem ajudar

A orientação da CUT é que cada sindicato, federação, confederação e CUT estadual organize imediatamente um ponto permanente de arrecadação para receber doações destinadas às vítimas dos terremotos, que serão encaminhadas ao país vizinho por meios oficiais.

A campanha prioriza itens considerados essenciais para atender às necessidades das famílias que perderam suas casas ou vivem em abrigos improvisados.

Entre os materiais solicitados estão:

A campanha também prevê mobilização da base

Além da arrecadação dos donativos, a CUT orienta que todas as entidades deem ampla divulgação à campanha em seus canais de comunicação, incluindo sites, redes sociais, jornais e boletins distribuídos nos locais de trabalho.

A recomendação é que os sindicatos dialoguem com a categoria sobre a importância da solidariedade entre os povos latino-americanos e incentivem trabalhadores e trabalhadoras a participarem da mobilização. A Central informa ainda que a logística para centralização e envio das doações será detalhada nos próximos dias pela Secretaria de Relações Internacionais da CUT Nacional.

Solidariedade que atravessa fronteiras

Na nota, a direção nacional também resgata um episódio marcante da pandemia de Covid-19 para justificar a mobilização. A CUT lembra que, em janeiro de 2021, quando Manaus enfrentava o colapso do sistema de saúde por falta de oxigênio hospitalar, a Venezuela enviou caminhões carregados de oxigênio para ajudar a salvar vidas no Amazonas, mesmo sob fortes sanções econômicas.

Segundo a Central, a campanha representa também um gesto de reciprocidade diante da solidariedade recebida naquele momento.

O que diz a orientação da CUT

No documento, a direção nacional afirma que a gravidade da situação exige uma resposta imediata do movimento sindical.

"A Central Única dos Trabalhadores - CUT Brasil orienta e convoca de forma urgente todas as suas Estaduais, Ramos e Sindicatos de base a se mobilizarem em apoio ao povo da Venezuela. Diante da grave emergência humanitária provocada pelos fortes terremotos que atingiram o território venezuelano (...) nossa Central precisa agir."

A CUT conclui afirmando que conta com o empenho de toda a sua base para fortalecer a campanha de solidariedade e contribuir com a reconstrução da Venezuela.

Veja a íntegra da nota de orientação:

Mobilização e pontos de solidariedade ao povo venezuelano

A Central Única dos Trabalhadores - CUT Brasil, orienta e convoca de forma urgente todas as suas Estaduais, Ramos e Sindicatos de base a se mobilizarem em apoio ao povo da Venezuela. Diante da grave emergência humanitária provocada pelos fortes terremotos que atingiram o território venezuelano a partir do dia 24 de junho, deixando um rastro de destruição, mortos, feridos e milhares de desabrigados, nossa Central precisa agir. O internacionalismo e a solidariedade entre os povos não são apenas diretrizes formais, mas princípios que moldaram a fundação da CUT. A história nos convoca a praticar a solidariedade entre a classe trabalhadora.

É hora, também, de exercitarmos a memória e a reciprocidade. Não esquecemos que em janeiro de 2021, no pior momento da pandemia da Covid-19, quando o estado do Amazonas sofria com o colapso do sistema de saúde por falta de oxigênio hospitalar e o governo brasileiro da época negligenciava a vida humana, o povo e o governo venezuelano nos estenderam a mão de forma solidária. Mesmo sob severas sanções econômicas, a Venezuela enviou caminhões carregados de oxigênio para salvar vidas brasileiras em Manaus. Agora, nos cabe retribuir esse gesto histórico de solidariedade latino-americana.

Portanto, orientamos que cada sede de sindicato, federação, confederação e Estaduais se transforme, imediatamente, em um Ponto de Solidariedade ao povo venezuelano, organizando campanha de arrecadação urgente voltadas aos seguintes itens:

Orientamos que as direções das entidades deem ampla publicidade a essa campanha em seus canais de comunicação (sites, redes sociais e boletins de fábrica/local de trabalho), dialogando com a base sobre a importância do apoio mútuo entre as nações da América Latina. Mais informações sobre a logística de centralização e o envio dos donativos arrecadados serão repassadas nos próximos dias pela Secretaria de Relações Internacionais da CUT Nacional.

A CUT Brasil, ciente do compromisso histórico de nossa base com as causas humanitárias e de classe, conta com o empenho imediato de todos e todas para contribuir com a solidariedade e com a reconstrução da Venezuela.

Viva a solidariedade internacional!

Viva a unidade da classe trabalhadora latino-americana!

Sérgio Nobre – Presidente
Renato Zulato – Secretário-Geral
Antônio Lisboa – Secretário de Relações Internacionais