Escrito por: Redação CUT | texto: André Accarini

CUT integra mobilização do Ato e Canto pela Vida em memória das vítimas do trabalho

Atividade no centro de São Paulo marca o 28 de abril e reúne mais de 70 entidades em defesa da saúde e segurança dos trabalhadores

reprodução

Neste domingo, 26 de abril, a CUT e mais de 70 organizações entre centrais, sindicatos, movimentos sociais, partidos políticos e outras, realizarão o “Ato e Canto pela Vida”, na Praça Vladimir Herzog, no centro de São Paulo. A mobilização é realizada em alusão ao 28 de abril, Dia Internacional em Memória das Vítimas de Acidentes e Doenças Relacionadas ao Trabalho, e tem como objetivo chamar a atenção da sociedade para a importância da saúde e segurança no trabalho.

A data – 28 de abril – tem origem no Dia Mundial de Segurança e Saúde no Trabalho, instituído pela Organização Internacional de Trabalho (OIT), em 2003, em homenagem aos 78 trabalhadores que morreram na explosão de uma mina nos Estados Unidos, em 28 de abril de 1969. 

Aberto ao público e realizado em espaço público, o ato busca dar visibilidade aos impactos das condições de trabalho sobre a vida dos trabalhadores e trabalhadoras. Durante a atividade, será distribuída uma nova versão do manifesto em defesa da vida, construída coletivamente por entidades sindicais, instituições públicas e movimentos sociais.

Criado em 2023, o Ato e Canto pela Vida nasceu da iniciativa de promover essa reflexão em espaço público. A proposta partiu do jornalista Sérgio Gomes, da Oboré, e de Carlos Clemente, do Espaço da Cidadania, em diálogo com a Fundacentro, com a ideia de levar o debate sobre saúde e segurança no trabalho para a Praça Vladimir Herzog, aproveitando a realização do encontro mensal “Todo Mundo Tem Que Falar, Cantar e Comer!”. Desde então, o ato vem crescendo a cada edição, reunindo um número cada vez maior de participantes.

A atividade combina manifestações culturais e políticas. Além das falas sobre saúde e segurança no trabalho, o evento inclui apresentações musicais, intervenções artísticas e a distribuição do manifesto. Um dos símbolos do ato é a chamada Árvore da Vida, obra da artista Laura Huzak Andreato, construída com a participação do público. A imagem dialoga com a mão criada por Elifas Andreato, ainda na juventude, como um alerta contra acidentes de trabalho — símbolo que se tornou referência da mobilização.

Durante a atividade será divulgado o manifesto das entidades, documento que reforça que saúde e segurança no trabalho são direitos humanos fundamentais e denuncia a persistência de acidentes e adoecimentos evitáveis. Veja a integra abaixo.

“O Ato e Canto pela Vida é um exemplo puro de que a sociedade civil se mobiliza em defesa da saúde dos trabalhadores e trabalhadoras. Em especial a CUT, que tem uma atuação intensa nesse sentindo. A luta pela saúde e segurança nos locais de trabalho é um imperativo fundamental em qualquer sociedade que valoriza seus trabalhadores”, diz a a secretária da pasta Saúde do Trabalhador da CUT, Josivânia Cruz Souza.

“A saúde e o bem-estar dos trabalhadores não devem ser questões periféricas, mas sim direitos inalienáveis que formam a base de uma relação justa entre empregador e trabalhador”, explica a dirigente para ressaltar a importância e a visibilidade promovida pelo ato.

Programação:

11h00

12h00

12h30

13h00

Local:
Praça Memorial Vladimir Herzog
Espaço Cultural a Céu Aberto Elifas Andreato
Rua Santo Antônio, junto ao Terminal Bandeira e à Estação Anhangabaú do Metrô (quarteirão da Câmara Municipal)

Manifesto do Dia Internacional em Memória das Vítimas de Acidentes e Doenças Relacionadas ao Trabalho

O 28 de abril foi instituído pelo movimento internacional de trabalhadores em memória de 78 mortes causadas por uma explosão em mina nos Estados Unidos, em 1968. 

A saúde e segurança no trabalho são direitos humanos fundamentais, reconhecidos internacionalmente. Ainda assim, no Brasil, a cada três horas um trabalhador ou trabalhadora perde a vida em acidentes evitáveis, segundo dados oficiais subestimados. 

Entre 2013 e 2024, foram 7.666.414 acidentes do trabalho registrados, com  31.381 mortes e 1.665.597 afastamentos com mais de 15 dias, de acordo com a Previdência Social. Esses números não incluem trabalhadores informais, frequentemente expostos a condições mais precárias e cujas mortes permanecem invisíveis. Muitos ainda são injustamente responsabilizados por seus próprios acidentes ou adoecimentos. 

Essas ocorrências não são acidentais, mas resultado de um modelo produtivo que prioriza o lucro em detrimento da vida, gerando dor e impacto profundo nas famílias dos trabalhadores, além de consequências sociais e econômicas para toda a sociedade. 

A invisibilidade dos acidentes e doenças atende a interesses econômicos dos detentores do capital, sustentada pela ocultação de informações e pela fragilização de políticas públicas, agravada após a reforma trabalhista de 2017 e a pandemia de Covid-19. Nesse contexto, cresce também o adoecimento mental. De 2019 a 2024, houve crescimento de 104% na concessão total de benefícios previdenciários relacionados a questões de saúde mental. Em 2024, foram concedidos cerca de 480 mil benefícios por transtornos mentais, mas apenas 2% reconhecidos como relacionados ao trabalho. Dados preliminares apontam 546.254 benefícios por esse tipo de transtorno em 2025.   

Há que se de dar um basta a essa situação! 

Desde 2024, diversas entidades têm se reunido na Praça Vladimir Herzog em defesa da saúde dos trabalhadores e do fortalecimento das políticas públicas, especialmente do SUS (Sistema Único de Saúde), do Ministério do Trabalho e Emprego e da Fundacentro. 

A mobilização segue na construção de um sistema efetivo de saúde e segurança no trabalho, com participação social e medidas como: integração entre políticas governamentais, fortalecimento da fiscalização, valorização do serviço público, garantia de direitos previdenciários, redução da jornada de trabalho, ampliação da transparência, fortalecimento das Cipas (Comissões Internas de Prevenção de Acidentes e de Assédio), dos Cerests (Centros de Referência em Saúde do Trabalhador) e da formação de profissionais comprometidos com os interesses coletivos. Dessa forma, defendemos: 

BASTA DE SOFRIMENTO E MORTE!  

VIVA A VIDA! 

O evento conta com a participação das seguintes instituições e pessoas públicas, que também assinam o Manifesto acima. 

Associação Brasileira dos Expostos ao Amianto – Abrea

Associação Brasileira de Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora - Abrastt

Associação dos Repórteres Fotográficos e Cinematográficos de São Paulo

Banca Livraria dos Jornalistas Vladimir Herzog

Câmara Municipal de São Paulo

Canal da Praça

Cav Cursos

Central dos Sindicatos Brasileiros - CSB

Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil - CTB

Central Única dos Trabalhadores - CUT

Centro Acadêmico Lupe Cotrim - PUC/SP

Centro Acadêmico Vladimir Herzog/Cásper Líbero

Centro de Estudos em Saúde do Trabalhador e Ecologia Humana da Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca da Fundação Oswaldo Cruz

Centro de Referência em Saúde do Trabalhador de Guarulhos - Cerest/Guarulhos

Centro de Referência em Saúde do Trabalhador do Estado de São Paulo - Cerest/SP

Coletivo Café sem Pauta

Coletivo Paulo Freire Zona Norte

Colibri & Associados Comunicações

Confederação Nacional dos Trabalhadores Metalúrgicos - CNTM

Conselho Intersindical de Saúde e Seguridade Social de Osasco e Região - Cissor

Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômico - Dieese/Subseção Comerciários de SP

Departamento Intersindical de Estudos e Pesquisas de Saúde e dos Ambientes de Trabalho - Diesat

Escola da Cidade

Espaço da Cidadania

Federação dos Químicos e Farmacêuticos do Estado de São Paulo - Fequimfar

Força Sindical

Força Sindical São Paulo

Fórum Acidentes de Trabalho - ForumAT

Fórum Nacional das Centrais Sindicais em Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora

Fotospublicas.com

Fundação Jorge Duprat Figueiredo de Segurança e Medicina do Trabalho - Fundacentro

Gerência Regional do Trabalho em Osasco - GRTE/Osasco

Instituto de Pesquisa, Formação e Difusão de Políticas Públicas e Sociais - IFPD

Instituto Elifas Andreato

Instituto Equipe de Cultura e Cidadania

Instituto Premier

Instituto Vladimir Herzog

Instituto Walter Leser - Fundação Escola de Sociologia e Política

Intercâmbio, Informações, Estudos e Pesquisas - IEEP

Jorge Luiz Ussier

Ministério Público do Trabalho - 2ª Região

Movimento Amplia AFT

Museu de Arte a Céu Aberto – CEU

Núcleo Semente – Saúde Mental e Direitos Humanos relacionados ao Trabalho, do Instituto Sedes Sapientiae

Oboré

Observatório do Trabalho e da Classe Trabalhadora (IEA/USP)

Ordem dos Advogados do Brasil - OAB/Subseção Osasco

Pastoral Operária do Estado de São Paulo

Rede de Trabalhadores e Trabalhadoras Populares de Saúde

Sindicato das Empresas de Asseio e Conservação no Estado de São Paulo - Seac/SP 

Núcleo Semente – Saúde Mental e Direitos Humanos relacionados ao Trabalho, do Instituto Sedes Sapientiae

Siemaco São Paulo – Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Prestação de Serviços de Asseio e Conservação e Limpeza Urbana de São Paulo

Sindicato dos Advogados e Advogadas do Estado de São Paulo - Sasp

Sindicato dos Bancários de Jundiaí e Região

Sindicato dos Comerciários de São Paulo

Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos de Saúde de Osasco e Região - Sueessor

Sindicato dos Empregados no Comércio de Osasco e Região - Secor

Sindicato dos Engenheiros no Estado de São Paulo

Sindicato dos Ferroviários da Zona Sorocabana

Sindicato dos Gráficos de São Paulo

Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo - SJSP

Sindicato dos Metalúrgicos de Guarulhos e Região

Sindicato dos Metalúrgicos de Osasco e Região

Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo e Mogi das Cruzes

Sindicato dos Motoristas e Trabalhadores de Transportes de Cargas de Osasco e Região - Simtratecor

Sindicato dos Professores de São Paulo - Sinpro/SP

Sindicato dos Químicos de São Paulo

Sindicato dos Técnicos de Segurança do Trabalho no Estado de São Paulo - Sintesp

Sindicato dos Trabalhadores em Telemarketing e Empregados de Empresa de Telemarketing da Cidade de São Paulo e Grande São Paulo - Sintratel

Sindicato dos Trabalhadores em Água, Esgoto e Meio Ambiente do Estado de São Paulo - Sintaema

Sindicato dos Trabalhadores em Empresas do Ramo Financeiro de São Paulo, Osasco e Região

Sindicato dos Trabalhadores na Administração Pública e Autarquias do Município de São Paulo - Sindsep

Sindicato dos Trabalhadores Públicos da Saúde no Estado de São Paulo - SindSaúde-SP

Superintendência Regional do Trabalho de São Paulo - SRTE/SP

União Geral dos Trabalhadores - UGT

Unidiversidades - Taboão da Serra

Vereador Eliseu Gabriel