Missão reúne 15 organizações em Washington e Nova York para dialogar com autoridades, parlamentares e entidades sobre democracia, eleições, soberania e regulação das plataformas digitais
Até esta quinta-feira, 23 de julho, representantes de 15 organizações da sociedade civil brasileira, entre elas a CUT, participam de uma extensa agenda de reuniões em Washington e Nova York, nos Estados Unidos, com parlamentares, diplomatas, dirigentes sindicais, organismos internacionais e organizações da sociedade civil para defender a soberania nacional, a integridade do processo eleitoral brasileiro e o respeito ao Estado Democrático de Direito diante das eleições de 2026.
A CUT integra a comitiva ao lado de organizações como a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), Comissão Arns, Direitos Já! Fórum pela Democracia, Instituto Vladimir Herzog, Instituto Marielle Franco, Instituto Futuro, GIFE, IP.rec – Instituto de Pesquisa em Direito e Tecnologia do Recife, LAPIN – Laboratório de Políticas Públicas e Internet, Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), Odara – Instituto da Mulher Negra e Plataforma CIPÓ, entre outras entidades da sociedade civil.
Segundo as organizações participantes, a missão ocorre em um momento marcado por preocupações com a interferência externa no processo eleitoral brasileiro. Nas reuniões, a delegação tem defendido a confiabilidade do sistema eleitoral do país, o respeito à soberania nacional e o princípio da não ingerência entre Estados. A comitiva também solicita que autoridades e parlamentares norte-americanos atuem para que o governo dos Estados Unidos reconheça o resultado das eleições brasileiras assim que a apuração for concluída, independentemente de quem vença o pleito.
Durante a agenda em Washington, os representantes brasileiros mantêm reuniões com diplomatas da Embaixada do Brasil, com o embaixador brasileiro junto à Organização dos Estados Americanos (OEA), representantes dos escritórios de Fortalecimento da Democracia e de Observação Eleitoral da organização e integrantes da Comissão Interamericana de Direitos Humanos. O objetivo é compartilhar avaliações sobre o cenário político brasileiro e reforçar a importância do respeito às instituições democráticas e ao processo eleitoral.
No Congresso dos Estados Unidos, a missão dialoga com os deputados democratas Mark Pocan, Joaquin Castro, Chuy García e Jonathan Jackson, além de assessorias parlamentares ligadas a Jim McGovern, Sydney Kamlager-Dove, Tim Kaine e Peter Welch, mantendo ainda interlocução com representantes do Partido Republicano. As reuniões buscam ampliar o diálogo com parlamentares norte-americanos sobre a defesa da democracia brasileira e do respeito à soberania do país.
A programação inclui ainda encontros com representantes da AFL-CIO, maior federação sindical dos Estados Unidos, reforçando a articulação internacional entre organizações de trabalhadores. Representando a CUT, o secretário de Relações Internacionais, Antônio Lisboa, participa das atividades voltadas ao movimento sindical. Para a Central, a solidariedade internacional em defesa da democracia brasileira faz parte da agenda sindical e que a preservação das instituições democráticas é condição para a garantia dos direitos sociais e trabalhistas.
"A solidariedade internacional em defesa da democracia brasileira integra a agenda sindical", destacou o secretário de Relações Internacionais da CUT, Antônio Lisboa.
Ele também reforça que o processo eleitoral no Brasil é um dos principais símbolos da democracia no país e deve transcorrer com absoluta normalidade, livre de qualquer interferência externa. "Estamos aqui para defender o nosso maior patrimônio e mostrar que nosso país é soberano", afirmou.
O dirigente ainda destacou que a "missão ocorre em um cenário internacional marcado pelo avanço de movimentos autoritários e por ataques às instituições democráticas".
As entidades também destacam que Brasil e Estados Unidos reúnem as duas maiores democracias das Américas e exercem influência sobre toda a região. Por isso, defendem que a histórica relação de amizade e cooperação entre os dois países seja preservada com respeito à soberania nacional e aos princípios que orientam as relações entre Estados.
Redes
Outro eixo da missão é o debate sobre o ambiente digital e seus impactos sobre os processos democráticos. Em atividades promovidas pela Heinrich Böll Foundation, os participantes discutem a influência das plataformas digitais nas eleições, a necessidade de regulação das chamadas big techs, o cumprimento da legislação brasileira por empresas estrangeiras e os impactos ambientais associados à expansão de data centers. Também integram os debates temas como polarização política, violência política, discursos de ódio e o papel da sociedade civil na defesa das instituições democráticas.
As organizações manifestam preocupação com a disseminação de campanhas de desinformação durante o processo eleitoral e seus impactos sobre a confiança nas instituições democráticas. Na avaliação da comitiva, esse cenário, somado à polarização política, pode favorecer o crescimento dos discursos de ódio e da violência política ao longo do período eleitoral.
Ao fazer um balanço parcial das reuniões realizadas até o momento, Paulo Vannuchi, membro da Comissão Arns, destacou a receptividade encontrada pela delegação. "Saímos dos encontros com a percepção de que há interlocutores importantes dispostos a defender a democracia brasileira", afirmou. Segundo ele, "o deputado Jim McGovern, que recentemente criticou o uso da Lei Magnitsky, de sua autoria, como ferramenta de pressão política por parte do governo de Donald Trump, manifestou apoio à integridade do processo eleitoral brasileiro e defendeu a mobilização de parlamentares norte-americanos contra qualquer tentativa de ingerência externa."
Antes de apresentar as preocupações relacionadas ao Brasil, os integrantes da comitiva manifestaram solidariedade à sociedade norte-americana diante dos recentes ataques à institucionalidade democrática e agradeceram o apoio recebido anteriormente por organizações e lideranças dos Estados Unidos na defesa da democracia brasileira.
Entre os encaminhamentos apresentados durante os encontros, a comitiva também defende que autoridades e parlamentares norte-americanos se manifestem publicamente em apoio à integridade do sistema eleitoral brasileiro e ao respeito ao resultado das eleições. Na avaliação das entidades, manifestações preventivas em defesa das instituições democráticas podem contribuir para desestimular tentativas de interferência externa e reforçar o compromisso histórico entre Brasil e Estados Unidos com a democracia.
Além da agenda em Washington, a missão segue para Nova York, onde estão previstos encontros com representantes institucionais e organizações da sociedade civil. A expectativa das entidades é ampliar a interlocução internacional em torno da defesa da soberania brasileira, do respeito ao processo eleitoral e da preservação do Estado Democrático de Direito, fortalecendo redes de cooperação em defesa da democracia.
*Com informações da Comissão Arns
**Texto elaborado com revisão utilizando recursos de Inteligência Artificial