Evento será realizado em 22 de setembro, na sede nacional da CUT, em São Paulo, e reunirá trabalhadores, dirigentes sindicais, coletivos, pesquisadores e representantes de movimentos sociais
A CUT e a Fundação Friedrich Ebert (FES) realizam, no dia 22 de setembro, o seminário “O Trabalho em Plataformas Digitais: Experiências de Organização, Resistência e Luta no Brasil e no Mundo”. O encontro será presencial, das 8h30 às 17h, no auditório da sede nacional da CUT, no Brás, em São Paulo.
O seminário discutirá as experiências de organização, resistência e luta desenvolvidas pelos trabalhadores e trabalhadoras plataformizados. A proposta é reunir diferentes perspectivas sobre as mudanças provocadas pelo avanço do trabalho mediado por plataformas digitais no Brasil e em outros países.
As inscrições podem ser feitas por meio de formulário eletrônico.
Conceito
O crescimento das plataformas digitais transformou as relações de trabalho, as formas de organização coletiva e as estratégias de mobilização da classe trabalhadora. No Brasil, motoristas, entregadores e outros trabalhadores precarizados, em sua maioria na informalidade, estão desenvolvendo novas maneiras de organização e adaptando formas tradicionais de luta para enfrentar a exploração do trabalho.
Entre os principais problemas estão a ausência de proteção trabalhista, sindical e social e a dificuldade de organização em atividades marcadas pela informalidade, pelo controle das plataformas e pela fragmentação das relações de trabalho.
Nesse cenário, associações, cooperativas, coletivos, sindicatos e redes de trabalhadores passaram a ocupar um papel importante. Esses espaços ajudam a fortalecer a ação coletiva, mas precisam ser compreendidos considerando a complexidade e as contradições das novas formas de organização do trabalho.
Troca de experiências
Para a CUT e a FES, compreender como esses trabalhadores estão se organizando é fundamental para fortalecer a luta contra a precarização. O encontro será um espaço de diálogo e intercâmbio entre trabalhadores de aplicativos, coletivos de trabalhadores na informalidade, dirigentes sindicais e pesquisadores que estudam as transformações no mundo do trabalho.
Também participarão dirigentes da Executiva Nacional e de diferentes ramos da CUT, representantes da Rede Nacional de Formação da CUT, militantes de movimentos sociais, organizações de apoio à classe trabalhadora e formuladores de políticas públicas.
A iniciativa parte do entendimento de que os próprios trabalhadores e trabalhadoras produzem conhecimento sobre suas condições de trabalho e suas estratégias de resistência. Por isso, o seminário pretende promover uma troca horizontal entre as experiências práticas de organização e as contribuições apresentadas por pesquisadores e dirigentes sindicais.
O debate buscará identificar as continuidades, as inovações e as limitações presentes nas formas de organização da classe trabalhadora na perspectiva de fortalecer a organização sindical.
Convenção 193
Outro ponto de destaque da programação será a estratégia de luta para que o Brasil ratifique a Convenção 193, sobre trabalho decente na economia de plataforma. O tema será debatido na última mesa do encontro, dedicada aos desafios, limites e possibilidades da organização coletiva e sindical.
A intenção é refletir criticamente sobre as perspectivas que se apresentam para os trabalhadores e trabalhadoras do setor. O seminário também deverá contribuir para o debate sobre estratégias de ação coletiva e formas de organização sindical capazes de ampliar a proteção e enfrentar a precarização do trabalho.