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“Choque dos trens em São Paulo é resultado de um governo imprudente”

Dirigente sindical responsabiliza governo por substituir trabalhadores por máquinas

Publicado: 31 Janeiro, 2019 - 09h17 | Última modificação: 31 Janeiro, 2019 - 10h07

Escrito por: Vanessa Ramos - CUT São Paulo

REPRODUÇÃO/TV
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O acidente envolvendo dois trens do monotrilho da Linha 15-Prata na noite de terça-feira (29), próximo à estação Sapopemba, na zona leste da Capital, é resultado de uma falha do sistema de comunicação dos trens (CBTC), um modelo de operação em que um computador controla toda a movimentação das composições. Ele foi instalado em 2008 em São Paulo. 

Na avaliação do coordenador de Patrimônio e Tesouraria do Sindicato dos Metroviários de São Paulo, Marcos Freire, esse sistema pode levar a muitos acidentes futuros, como já aconteceu em anos anteriores, ou comprometer a operação de outras linhas e a experiência dos usuários.

“A batida só não foi maior e o trem só não despencou de uma altura de 15 metros graças à ação rápida de um operador que conseguiu aplicar emergência no trem porque o choque entre as composições é resultado de um governo imprudente que implementou o CBTC ao seu modo”, explica Freire.

O sistema CBTC, destaca, é o mesmo utilizado nas linhas privatizadas 4-Amarela (Luz/Butantã ) e 5-Lilás (Capão Redondo - Largo Treze).

“O sindicato sempre alertou para o risco de uma falha e não tendo um operador, os trens poderem se chocar a qualquer momento. Entendemos que a automatização num sistema complexo como o Metrô é necessária, mas ela vem no sentido de ajudar a mão-de-obra e não de substituí-la. Um complementa o outro para um sistema de segurança mais global. O problema é quando o governo passa a substituir totalmente a mão de obra somente pela máquina”, completa Freire.

Em nota, o sindicato da categoria alerta a população sobre a postura do governador de São Paulo, João Doria (PSDB), que pretende reduzir orçamento para o setor.

 “Há indícios de que o problema [do acidente entre os trens] tenha relação com a precipitada inauguração, as várias denúncias das falhas nos sistemas de CBTC e a imprudente inexistência das cabines de Operador de Trem. Essa situação pode se agravar com o anúncio de redução de investimentos no Metrô no orçamento aprovado pelo governo Doria para o ano de 2019”, diz a nota.

Leia a íntegra o pronunciamento do sindicato

Choque de trens na linha 15

Na noite desta terça-feira, 29, ao estacionar o trem M23 na Estação Jardim Planalto,  este se chocou com o trem M22.  O acidente só não foi mais grave, graças à ação do Operador de Trem que,  mesmo sem ter cabine, conseguiu a tempo abrir a tampa do console e acionar a emergência do trem, mesmo assim se machucando  devido ao impacto.

O Sindicato e população sempre defenderam que o Metrô seria o melhor sistema a ser construído ao invés do monotrilho. No entanto o governo estadual do PSDB, embarcou nessa aventura contra todos os pareceres técnicos. Os problemas atuais são consequências amargas dessa decisão que atendeu interesses escusos.

Preliminarmente há indícios de que o problema tenha relação com a precipitada inauguração, as várias denúncias das falhas nos sistemas de CBTC e a imprudente inexistência das cabines de Operador de Trem. Essa situação pode se agravar com o anúncio de redução de investimentos no Metrô no orçamento aprovado pelo governo Doria para o ano de 2019.

O Sindicato reivindica que as Cipas e os trabalhadores tenham acesso e participem de todo o processo de apuração e das soluções. Reivindicamos ainda que se adote procedimentos de emergência que garanta segurança e tranquilidade dos trabalhadores e usuários.  Ao mesmo tempo, é fundamental que se realizem estudos para a implantação de cabine de operador.

Sindicato dos Metroviários SP

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