O número de desligamentos em fevereiro (1.224.375) foi inferior ao do mês anterior, representando declínio de 7,13% e reforçando a mudança da curva da empregabilidade no país. Os dados foram divulgados nesta quarta-feira (18) pelo ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi, em coletiva à imprensa, em Brasília, durante apresentação dos dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).
"A minha expectativa é que março será o mês da virada. O saldo negativo dos últimos três meses não se repetiu em fevereiro e eu acredito que a reação do mercado, a diminuição das demissões e o aumento do salário-mínimo serão determinantes para que a geração de empregos se recupere mais ainda no próximo mês e tenhamos o acumulado de 2009 já positivo. Diversos cenários apontam para isso e eu continuarei sendo um otimista, confiando na economia do Brasil. O nosso país está sendo um dos primeiros a mostrar que saiu da crise", disse Lupi.
O resultado de fevereiro também melhorou o saldo acumulado de 2009, diminuindo a perda de vagas para -92.569 empregos (-0,29%). Nos últimos 12 meses o saldo é positivo em 1.011.751 postos, alta de 3,28% e mais de duas vezes superior à média de toda a série do Caged para o mesmo período (486.479 empregos). Entre janeiro de 2003 a fevereiro de 2009 foram gerados 7.628.403 postos de trabalho. O estoque de trabalhadores celetistas no país é de 31,9 milhões.
Setores - Entre os oito grandes setores de atividade econômica, cinco apresentaram desempenho positivo no mês de fevereiro: Serviços, Construção Civil, Agricultura, Administração Pública e Serviços Industriais de Utilidade Pública.
O setor de Serviços obteve o quarto melhor desempenho para o mês em toda a série do Caged: foram 57.518 novos postos de trabalho (0,45%), impulsionado principalmente pelo ramo de Ensino (+35.389 postos ou +3,02%, com desempenho recorde, em termos absolutos e relativos), Alojamento e Alimentação (+13.355 postos ou +0,29%) e pelo ramo de Serviços Médicos e Odontológicos (+5.666 postos ou +0,43%), este com saldo recorde e segundo maior percentual de crescimento da série do Caged.
A Construção Civil obteve saldo positivo de 2.842 postos (0,15%), a Agricultura respondeu por 957 postos a mais (0,06%) e os Serviços Industriais de Utilidade Pública pelo acréscimo de 807 vagas (0,23%).
A Indústria de Transformação ainda manteve a trajetória decrescente, ao registrar perda de 56.456 postos (- 0,77%): concentrados em dez de seus 12 ramos de atividade. Os três maiores saldos negativos foram: Indústria de Material de Transporte (-12.986 postos ou -2,61%), Indústria Metalúrgica (-12.001 postos ou -1,63%) e Indústria Mecânica (-8.856 postos ou -1,69%).
Em sentido oposto, merecem destaque pela recuperação a Indústria de Calçados (+2.719 postos ou + 0,87%) e a Indústria da Borracha, Fumo e Couros (+1.634 postos ou +0,51%), que mantiveram a reação iniciada em janeiro.
O setor Comércio embora continue com desempenho negativo (-10.275 postos ou -0,15%) aponta uma redução no ritmo de queda em relação ao mês anterior (-50.781 postos), evidenciando uma reação superior à ocorrida nos mesmos períodos dos últimos anos anteriores, que em média gira em torno de uma variação de 20 mil empregos.
Regiões - Houve elevação no nível de emprego em três das cinco regiões brasileiras. Centro-Oeste (+19.039 postos ou +0,82%), com o terceiro melhor saldo da série do Caged, Sul (+8.915 postos ou +0,15%) e Sudeste (+4.146 postos ou +0,02%). A Região Nordeste, por motivos sazonais relacionados às atividades da Agroindústria, apresentou redução de 16.692 postos (-0,35%) e a Região Norte (-6.229 postos ou -0,48%), devido ao desempenho negativo da Indústria de Transformação e da Construção Civil.
Estados - Nas Unidades da Federação, os destaques positivos ocorreram em Goiás (+8.058 postos ou +0,94%), segundo melhor resultado em termos absolutos; Santa Catarina (+5.674 postos ou +0,36%); Rio de Janeiro (+5.480 postos ou +0,17%) e Mato Grosso (+5.378 postos ou +1,13%).
Merecem ainda destaque o Distrito Federal (+3.395 postos ou +0,57%), segundo melhor saldo e terceiro melhor crescimento relativo; Rondônia (+1.598 postos ou +0,95%), com saldo recorde de geração de empregos, e o Tocantins (+1.027 postos ou +0,96%), com o terceiro melhor saldo da série.
Interior x área metropolitana - As Grandes Regiões municipais apresentaram recuperação de postos de trabalho celetista de 0,06%, resultante da criação de 8.664 empregos, bem mais favorável que o observado para o interior desses aglomerados urbanos (-0,04% ou -4.419 postos). O destaque positivo das áreas metropolitanas ficou com o Rio de Janeiro (+8.388 postos ou +0,35%), sendo que os interiores dos aglomerados urbanos do Paraná (+2.461 postos ou +0,19%) e do Rio Grande do Sul (+ 2.009 postos ou +0,17%) obtiveram os melhores desempenhos.
A maior perda ocorreu na Grande Salvador (-1.219 postos ou -0,17%) e no que se refere ao interior, no estado do Pará (-3.276 postos ou -1,20%).