Escrito por: Redação CUT | texto: André Accarini

Brasil colonizado: entenda a relação entre Flávio e Trump que escravizará o país

Emprego, salário, comida e combustível estão em jogo quando um país perde o controle de suas riquezas. Entenda os riscos do alinhamento da família Bolsonaro a Trump

Secom | IA

Uma relação de dependência que deverá impactar diretamente no seu emprego, no  dinheiro que sobra no fim do mês, no preços que você paga pelas coisas que compra, nas oportunidades para seus filhos. Este seria o cenário mais provável com uma eventual eleição de Flavio Bolsonaro à presidência da República, levando em consideração o histórico de submissão a Donald Trump e aos Estados Unidos.

A aproximação da família Bolsonaro com Trump se baseia em uma relação de dependência cuja conta pode chegar diretamente à população. Para o cidadão comum, que pega ônibus cedo todo dia, trabalha por conta própria ou mantém um pequeno comércio, essa disputa pode parecer distante.

Mas perder a autonomia sobre os recursos naturais, como o petróleo e minérios das terras raras significa reduzir a capacidade de transformar a riqueza brasileira em produção, empregos e renda no Brasil e gerar lá fora.

O economista Presley Vasconcellos, mestre em Teoria Econômica pela Universidade Estadual de Maringá (UEM), formado pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), colunista e palestrante, em suas redes sociais, fez alerta didático e direto sobre como essa dependência afeta a vida de cada um de nós.

“Historicamente, grandes potências mundiais, como Estados Unidos, China e países europeus, tratam as nações subdesenvolvidas como o seu quintal de casa, buscando obter riquezas que não possuem em seus próprios territórios, como petróleo, minérios, soja e terras raras. Essa atuação imperialista não busca cooperação real ou promoção da democracia, mas sim a celebração de acordos comerciais desvantajosos para comprar nossos recursos estratégicos a preço de banana”, ele diz.

Presley explica ainda que essa dinâmica afeta diretamente a vida e o bolso de qualquer pessoa no Brasil “seja um pequeno empresário, arquiteto ou personal trainer, porque a economia é cíclica”.

Ele exemplifica, como podemos ver isso claramente, na privatização de refinarias de petróleo no Brasil, durante o governo de Jair Bolsonaro, que passou a praticar preços alinhados ao mercado internacional em vez de seguir a lógica e os subsídios do mercado interno, encarecendo os combustíveis para o consumidor.

E prossegue afirmando que, do mesmo modo, a nossa estrutura produtiva está subordinada ao capital externo. “Quando ocorreu a crise do frango nos Estados Unidos, a produção brasileira priorizou a exportação e quem arcou com a alta dos preços nos supermercados fomos nós. Além disso, do ponto de vista geopolítico e social, os latino-americanos não são vistos pelas potências estrangeiras como iguais, enfrentando xenofobia e subordinação quando estão no exterior”.

O alerta de Presley é de que entregar a nossa soberania econômica reduz nosso país a um mero fornecedor barato e impõe à população uma forma moderna de exploração e servidão.

A visão dos EUA sobre o Brasil

Na avaliação de Presley, há uma profunda ilusão em uma parcela dos brasileiros de que o país é visto com respeito e em ‘pé de igualdade’ pelas potências internacionais, especialmente pelos Estados Unidos.

Mas, ele enfatiza que a América Latina segue sendo tratada geopoliticamente apenas como o "quintal do mundo" para a extração de recursos. Ao analisar como o brasileiro e o latino-americano são vistos no exterior, ele sintetiza essa assimetria de forma direta:

Quando você vai para fora, você deixa de ser um ser humano para você ser uma subcategoria. E é por isso que quando o imigrante vai para lá tem que ficar fazendo um trabalho que ninguém quer fazer. É humilhado, sofre xenofobia. E você acha mesmo que um país como os Estados Unidos vindo a se inserir, entrando aqui dentro vai tratar a gente de igual para igual? Então não acha que você é branco, você é americano, não, porque você é latino- Presley Vasconcellos

 

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Entrega do Brasil

Reportagem do Portal vermelho.org destacou um documento de 22 páginas elaborado por André Marinho, aliado de Flávio Bolsonaro, que propõe integrar os minerais críticos e as terras raras do Brasil a uma cadeia de abastecimento alinhada aos Estados Unidos e em oposição à China.

Revelada pelo Metrópoles, a apresentação leva o nome e a identidade visual de Flávio e prevê mudanças na legislação minerária e no licenciamento, além da associação de capital norte-americano a ativos brasileiros. A proposta encontra eco no discurso do senador na CPAC, quando apresentou o Brasil como solução para reduzir a dependência dos EUA em relação aos minerais chineses.

Marinho afirma que produziu o estudo por iniciativa própria, nega vínculo com a campanha e diz não tê-lo apresentado a autoridades norte-americanas. Ainda assim, o documento evidencia a contradição entre o discurso bolsonarista de defesa da soberania e uma proposta de organizar a exploração de riquezas estratégicas brasileiras segundo as prioridades geopolíticas de Washington.

Trump trabalha para quem?

Donald Trump defende os interesses dos Estados Unidos. A afinidade da família Bolsonaro com ele não assegura vantagens para a população brasileira.

Jair tornou pública sua admiração pelo dirigente norte-americano. Eduardo busca sanções e pressão externa contra instituições brasileiras. Flávio se aproxima desse mesmo campo político.

O risco de um eventual governo Flávio é converter esse alinhamento em concessões que favoreçam interesses norte-americanos sobre os recursos e as decisões do Brasil. Que empregos seriam criados aqui? Que retorno o país receberia? São respostas que o eleitor tem o direito de exigir.

Benefícios só para os Estados Unidos

Uma indústria movimenta muito mais do que sua própria produção. Contrata trabalhadores, compra de fornecedores e demanda transporte e serviços. Os salários chegam ao mercado, à padaria, ao restaurante e à oficina do bairro.

Quando o Brasil exporta recursos naturais e deixa a transformação industrial para outros países, perde parte dessas oportunidades. Para você, isso pode significar a vaga que não abre, o cliente que deixa de comprar ou o filho que não encontra trabalho na profissão para a qual estudou.

Essa dependência aumenta quando produtos básicos ganham espaço nas exportações e a indústria perde participação na economia. O Brasil vende recursos e compra máquinas, equipamentos e produtos que incorporam mais tecnologia.

Com isso, limita a criação de empregos qualificados e fica mais exposto aos preços e às condições de fornecedores estrangeiros. A riqueza do território deixa de se transformar plenamente em conhecimento, produção e salários melhores.

A conta chega à mesa

Os efeitos sobre os preços também alcançam quem não trabalha na indústria. Combustível mais caro reduz o ganho de motoristas e entregadores, aumenta despesas de transporte e pode pressionar o valor dos alimentos.

Na alimentação, o aumento da demanda externa pode elevar preços internos, conforme a oferta disponível. Produzir muito não basta: o país precisa de políticas que assegurem abastecimento e condições para a população comprar.

Perder capacidade de agir nesses setores deixa o orçamento familiar mais exposto a decisões tomadas fora do Brasil.

Disputas de fora, prejuízos aqui

Seguir automaticamente Washington pode ainda envolver o Brasil em conflitos comerciais com outros parceiros, como a China.

Se mercados forem comprometidos, produtores e empresas podem perder encomendas. O efeito chega ao emprego, à renda e ao comércio das cidades que dependem dessas atividades.

Preservar essa autonomia significa decidir como usar as riquezas brasileiras para melhorar a vida de quem vive aqui. Se um governo Flávio subordinar essas escolhas aos interesses de Trump, o prejuízo poderá chegar à sua casa antes que você perceba de onde veio.

Eduardo Bolsonaro: pressionar o Brasil para salvar o pai

Eduardo Bolsonaro faz lobby junto ao governo norte-americano para impor sanções e pressionar instituições brasileiras. Ele próprio defende publicamente essa atuação, buscando apoio externo para intervir na disputa que envolve Jair Bolsonaro e o Judiciário.

Sanções individuais e tarifas comerciais têm efeitos diferentes. Quando a pressão envolve barreiras contra produtos brasileiros, porém, a conta pode atingir empresas e trabalhadores sem qualquer relação com os processos de Jair.

A pergunta que fica é: até onde o bolsonarismo é capaz de chegar para salvar o patriarca Jair, condenado por organização criminosa armada; tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito; Golpe de Estado; dano qualificado por violência e grave ameaça; e deterioração de patrimônio tombado?