Filiação reforça estratégia da central de ampliar representação de setores historicamente excluídos de direitos e negociação coletiva
A Associação de Trabalhadores em Domicílio da Economia Solidária (ATEMDO) passou a integrar oficialmente a CUT, fortalecendo a organização sindical de trabalhadoras e trabalhadores da economia informal e popular. A filiação ocorre em um momento em que a central amplia sua estratégia de representação de setores historicamente excluídos de direitos e da negociação coletiva.
A ATEMDO integra a Intersetorial Nacional, coletivo criado em 2022 a partir de um processo de articulação que reuniu diferentes segmentos da economia informal, com apoio da CUT e de organizações internacionais.
O grupo envolve trabalhadoras domésticas, catadores e recicladores, ambulantes e trabalhadores por aplicativo, atuando de forma intersetorial e interseccional na defesa de uma agenda comum de direitos.
Organização coletiva e conquistas
Para Edileuza Guimarães, presidenta da ATEMDO, a Intersetorial nasceu da necessidade de unificar pautas e fortalecer a organização coletiva de trabalhadores historicamente considerados “sem direitos”. Segundo ela, o acompanhamento permanente da CUT e de entidades internacionais foi fundamental para que o processo avançasse institucional e politicamente.
Entre as principais conquistas da articulação, Edileusa destaca:
“São passos pequenos, mas para nós são conquistas enormes”, afirmou.
Anúncio da filiação
O anúncio da filiação da ATEMDO à CUT foi feito durante a mesa de abertura de um encontro internacional realizado na sede da Central, em São Paulo. Na ocasião, o secretário de Relações Internacionais da CUT, Antônio Lisboa, afirmou que a central vem ampliando sua base de representação para organizar a classe trabalhadora para além da formalidade.
O dirigente destacou o encontro internacional realizado em 2 de fevereiro, na sede da CUT, que reuniu redes globais de trabalhadoras e trabalhadores informais, como trabalhadoras domésticas, trabalhadores em domicílio, ambulantes, catadores e trabalhadores por aplicativo.
Segundo ele, a atividade teve como objetivo fortalecer a articulação coletiva desses setores e avançar na construção de uma agenda comum de direitos, com destaque para a aplicação da Recomendação 204 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que trata da transição da economia informal para a formalidade com base na garantia de direitos.
Ampliação da representação sindical
Lisboa ressaltou ainda que a CUT vem ampliando sua atuação para organizar trabalhadores além das relações formais de emprego, inclusive por meio de mudanças estatutárias que permitem a filiação de associações de caráter classista. Nesse processo, citou a filiação recente de entidades da economia informal, como a Unicab e a própria ATEMDO, além da criação da Frente Parlamentar em Defesa dos Trabalhadores da Economia Informal.
“A filiação à CUT reafirma que as conquistas da ATEMDO e da Intersetorial Nacional são resultado da ação coletiva e das alianças construídas ao longo do tempo”, comemora Edileuza Guimarães.
Ela acrescenta que o fortalecimento da organização sindical dos trabalhadores da economia informal depende da unidade entre os setores e do apoio de articulações nacionais e internacionais. “São capazes de transformar reivindicações históricas em agendas políticas reconhecidas”, finaliza.